terça-feira, 26 de agosto de 2014

É da natureza do pássaro voar...

Durante as férias no Brasil aprendi muito com uma pequena fêmea de pardal que resolveu habitar e fazer seu ninho na varanda do nosso apartamento em Salvador. Fiquei uma semana a observá-la, quietinha, a cuidar dos seus dois rebentos, mimá-los e vezes sem conta sair em busca do que alimentá-los. Até que um dia, sentindo-se preparados, os filhotes voaram. Deixaram todos aquela casinha improvisada, que eu julgava ser um lar, e nunca mais voltaram. 

Fiquei a pensar se teríamos nós, eu e as crianças, culpa por termos travado uma tentativa de aproximação nem que fosse ocular. Senti-me, de certo modo, estúpida. Depois, pensei: É da natureza do pássaro voar. A beleza do pássaro está no voar, ir longe, ser livre, cantar onde bem lhe provém. Por acaso não somos nós parecidos com os pássaros? O que pode haver de mais triste senão as tentativas de sufocarem o que somos, transformarem-nos a fórceps, pretenderem-nos outro, quase de outra espécie? Não passamos nós a vida a cuidar, amar e alimentar os nossos filhos para que um dia eles alcem orgulhosos o voo mais alto que puderem? 

Sejamos íntegros. Toda a tentativa de mudar a natureza, seja do que for, é vil e vã. Contemplar, mesmo que de longe, o que nos difere do outro, é o gesto mais puro de respeito e amor.




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