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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

"Vocabulário Feminino", por Leila Ferreira

Hoje o dia amanheceu sob o Signo de Eva. O problema foi que encontrou-me cansada. O resto do dia passou por refletir numa forma mais eficiente de DESCOMPLICAR e eliminar o EXCESSO DE PESO DA BAGAGEM. Como pode o raio de uma menina de 4 anos fazer uma birra do tamanho de uma estação de comboio? Por falar nisso, bateu saudades. Saudades das amigas de sempre, das amigas que ouvem, que riem às gargalhadas e que são mulheres reais, como a gente...

Daí lembrei-me do texto "Vocabulário Feminino", abaixo, que por acaso me foi enviado por uma dessas amigas. É da jornalista Leila Ferreira. A imagem é minha. A amiga do coração, também.  

"Se eu tivesse que escolher uma palavra - apenas uma - para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho. Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter. Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes - isso, sim, faz bem para a pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar. E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e silêncio. Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia - não importa - e a ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso. Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir. Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada - faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida. Quanto à palavra dieta, cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista. Nas mesas de restaurantes, nem pensar. Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde, sozinha. Uma sugestão? Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia. E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar. Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere... Sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma. E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição. O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil. Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam e bumbum que encara qualquer biquíni. Mulheres reais são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a buscada perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível."

quarta-feira, 29 de abril de 2015

No Santuário de Fátima...


Independente de crença ou religião, há lugares que toca-nos profundamente, que transporta-nos numa corrente de energia, sensibiliza-nos, faz-nos sentir em paz. 

Há lugares onde as palavras se calam, só o coração fala. E fala de coisas guardadas lá dentro; fala de perdão, de amor e compaixão; fala de acolhimento.

O Santuário de Fátima, situado em Fátima, norte de Lisboa, é um desses lugares. 

Não é a primeira vez que vou a Fátima. Passaram-se 10 anos, voltei com a minha família e amigos, mais madura e mais serena. Fui, no entanto, arrebatada pela mesma gratidão que só é possível sentir ao ver a dor e a fé do outro.

O Santuário de Fátima, comove-nos. 



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Não te apaixones...


O texto é da autora dominicana Martha Rivera-Garrido. Explica porque um contingente de mulheres interessantes continuam sós, por opção ou falta dela. Responde a outras tantas perguntas. Achei fabuloso! Alguém, por acaso, se identifica?
"Não te apaixones por uma mulher que lê, por uma mulher que tem sentimentos, por uma mulher que escreve. Não te apaixones por uma mulher culta, maga, delirante, louca. Não te apaixones por uma mulher que pensa, que sabe o que sabe e também sabe voar, uma mulher confiante em si mesma.
Não te apaixones por uma mulher que ri ou chora quando faz amor, que sabe transformar a carne em espírito; e muito menos te apaixones por uma mulher que ama poesia (estas são as mais perigosas), ou que fica meia hora contemplando uma pintura e não é capaz de viver sem música.
Não te apaixones por uma mulher que está interessada em política, que é rebelde e sente um enorme horror pelas injustiças. Não te apaixones por uma mulher que não goste de assistir televisão.
Não te apaixones por uma mulher intensa, brincalhona e irreverente. 
Não queiras te apaixonar por uma mulher assim. Porque quando te apaixonares por uma mulher como esta, se ela vai ficar contigo ou não, se ela te ama ou não, de uma mulher assim, jamais conseguirás ficar livre."
Fonte: Cortina de Retina. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Fala, Amendoeira*


"Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza - essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a linha entre o céu e o chão - névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e ao entardecer, cada dia, garotos procuram subir-lhe o tronco. Nenhum desses incómodos lhe afeta a placidez de árvore madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom - cor final de decomposição, depois a qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam o seu esforço, e também elas se preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio, se não as colhe algum moleque apreciador do seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse - fala, amendoeira - por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu explicar-lhe:

- Não vês? Começo a outonear. É 21 de Março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

- E vais outoneando sozinha?

- Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

- Somos todos assim.

- Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza.

- Não me entristeças.

- Não, querido, sou tua árvore-da-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho."

Carlos Drummond de Andrade, 1957

* Fala, Amendoeira é uma reunião de crónicas de Carlos Drummond de Andrade, originalmente publicadas no jornal Correio da Manhã.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Viajar até Guimarães

Sentia a vida em círculos: a rotina, a roda da vida a me consumir, a me adoecer. Intimei todos a uma viagem, nem que fosse "ali", por nós. E fomos a Guimarães, conhecida como o Berço da Nação. Há muito que queria conhecer Guimarães; como imaginava, fiquei surpreendida com a beleza da região, a simpatia das pessoas e o estado de conservação dos monumentos, de visitas gratuitas. Guimarães está situada no Distrito de Braga, região Norte de Portugal, sendo o seu centro histórico considerado Património Cultural da Humanidade (UNESCO). Em 2012 foi nomeada Capital Europeia da Cultura. É um lugar a não deixar de visitar. 

Pontos de interesse:

Castelo de Guimarães
Castelo de Guimarães - Construído no século X e ampliado no século XII. Classificado em 1910 como património nacional. Possivelmente, foi o local onde nasceu o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Capela de S. Miguel do Castelo
Capela de S. Miguel do Castelo - Igreja românica, situada entre o Castelo e o Paço dos Duques de Bragança. Local onde, possivelmente, D. Afonso Henriques foi batizado. O seu pavimento é lajeado por sepulturas de importantes guerreiros ligados a fundação da nacionalidade portuguesa. É monumento nacional desde 1910. 

Paço dos Duques
Salão dos Banquetes
Paço dos Duques - Construído no século XV pelo primeiro Duque de Bragança, abriga raras tapeçarias, peças de mobiliários renascentistas e tem o teto em forma de barco no Salão dos Banquetes. Está classificado como património nacional.

Museu de Alberto Sampaio
Museu de Alberto Sampaio - Foi criado em 1928 e abriga valiosas coleções de arte sacra, esculturas e azulejos do país. Situa-se no centro histórico, no local onde a condessa Momadona instalou um mosteiro (século X), cercado pelo claustro e salas medievais. Guarda o loudel que D. João I vestiu na Batalha de Aljubarrota.

  
Os Duques

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Livro, de José Luís Peixoto

Tenho um pacto comigo. Durante as férias tento ler um livro ou dois fora de todo e qualquer assunto relativo a trabalho. Para relaxar, tanto faz ser um romance, ficção ou não, um livro de auto-ajuda, um livro oferecido e que ficou guardado a espera de mim. Desta vez li Livro, romance do José Luís Peixoto, jovem autor e dramaturgo português já consagrado na literatura nacional e internacional. Foi prenda de anos de uma querida amiga que já suspeitava que eu iria gostar mas a verdade é que surpreendeu-me, o livro é delicioso não só pelo enredo como também pela escrita magistral, sonora e pelas referências despretensiosas que faz a escritores da literatura clássica, a emigração portuguesa em França e à história do próprio país. 

Recomendo a leitura, a não perder. 

Sinopse: Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura. Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.

Em tempo: Hoje José Luís Peixoto celebra 40 anos de vida. Está de parabéns, pela vida e pela obra.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Águas de Março

"Águas de Março" foi composta em 1972 por Tom Jobim. Anos depois, o maestro brasileiro declarou em várias entrevistas que escreveu esta canção numa época em que se sentia bastante deprimido, cansado, bebia muito e ressentia-se que iria encerrar a carreira cantando "Garota de Ipanema". Em 2001, numa pesquisa conduzida pelo Jornal Folha de São Paulo, a canção veio a ser nomeada como a melhor canção brasileira de sempre. "Águas de Março" teve várias versões regravadas, tanto no Brasil como no exterior, mas a mais famosa deve ser a de 1974, em dueto com Elis Regina. É a que eu mais gosto e, por isso, não terminaria o Março sem partilha-la com vocês.



É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando,
É uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã,
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho
Resto, toco, pouco, sozinho
Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Abraçaço em Lisboa

Eu adoro, de paixão, o Caetano! E como uma boa baiana, orgulho-me dele, acho-o lindo, emociona-me! A boa notícia é que ele vai estar no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no próximo dia 28 de Abril, com o seu mais recente espetáculo "Abraçaço". Claro que eu já ando a fazer planos!

"Abraçaço" é o 49.º álbum da carreira de Caetano, lançado em 2012, quando o músico completou 70 anos. A crítica considera-o um dos seus maiores e mais ricos trabalhos, tanto que no ano passado lhe rendeu o Grammy Latino. Caetano explica que o título foi inspirado na forma como às vezes finaliza e-mail e, segundo descreve no seu Twitter, "sugere não só um abraço grande mas também um abraço espalhado, abrangente, múltiplo".  

Os bilhetes custam entre 25€ e 55€. Acho que vale o "abraçaço" do Caetano!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Restaurante em Lisboa para graúdos e miúdos

Os dias de chuva não nos dão grandes hipóteses de passeio mas no Domingo não nos tirou a vontade de passar um bom bocado com os amigos. Assim, e como já há algum tempo ando a pensar em lá ir só para vos dizer o que me pareceu, fomos experimentar o famoso brunch do Hotel Real Palácio Lisboa. Chama-se Brunch em Família e é promovido todos os Domingos, inspirado na tradição de passar o dia dedicado à família. 

O conceito de facto é muito agradável tanto para os adultos como para as crianças, que contam com um cantinho especialmente pensado para as suas atividades e brincadeiras: livros, mesa de desenhos, brinquedos, mini cozinha e profissionais simpáticos que lhes acompanham e ainda realizam divertidos workshops de cake design. 

O brunch do Hotel Real é completo: brioches, panquecas, compotas, frutas, bolos, doces, saladas, sopa, massa ou risotto confeccionado no show cooking... conjugando assim um espaço aconchegante e uma "boa mesa", a combinação perfeita para uma conversa relaxante enquanto as crianças se divertem com qualidade e segurança.

O Hotel Real fica na Rua Tomás Ribeiro, nº 115, Lisboa. O brunch em família realiza-se todos os Domingos entre as 12h00 e 16h30, ao preço de 15€ (direito a uma bebida) ou 20€ (menu livre) por adulto e 7,5€ por criança entre os 3 e os 11 anos (crianças até aos 2 anos inclusive não pagam). Aconselho que façam reserva de mesa com antecedência, pois há bastante afluência (tel. 213 199 500).

Portanto, é na minha opinião mais uma boa opção de restaurante para ir com as crianças em Lisboa. Confiram!  




   


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Mérida: Viajar é preciso!

E por falar em Espanha, já tiveram oportunidade de conhecer Mérida? Acho que é um roteiro obrigatório para quem gosta de história ou de viajar com um cunho cultural ou, ainda, para quem tem filhos em idade escolar. Mérida é cidade capital da comunidade autónoma da Estremadura e faz fronteira com Portugal, situando-se nas imediações de Elvas (Portugal) e Badajoz (Espanha). 

Optamos por nos hospedar em Elvas, num antigo Convento convertido no Hotel São João de Deus, com diária em torno dos €55,00. Assim pudemos dividir o fim de semana entre Elvas e Mérida, ambas Património Histórico da Humanidade.

Elvas (distrito de Portalegre, Alto Alentejo) destaca-se pelo centro histórico e pelas suas famosas muralhas em formato de estrela, consideradas as maiores fortificações abaluartadas do mundo e cujo perímetro vai dos 8 aos 10 Km. Elvas foi a cidade mais fortificada da Europa, a mais importante praça-forte da fronteira portuguesa. 

Mérida, por sua vez, destaca-se pelas ruínas romanas que constituem um dos principais e mais extensos conjuntos arqueológicos de Espanha. Foi fundada em 25 a.C. com o nome de Emerita Augusta, sendo uma das mais importantes cidades da Península Ibérica durante a ocupação romana. As ruínas espalham-se um pouco por toda a cidade, de modo que é um passeio que faz todo o sentido fazer-se à pé, já que, volta e meia, nos deparamos com um monumento histórico. 

Como há muitos pontos turísticos para visitar, optamos por escolher aquilo que nos parecia mais interessante. Compramos um bilhete (ao custo de €12,00 por adulto; criança até 11 anos não paga) que nos permitiu visitar em conjunto o Teatro e o Anfiteatro (Coliseu) romanos, antigos palcos de espetáculos, lutas entre gladiadores, jogos e prática de ginástica. De lá, seguimos para o centro de Mérida e em meio às suas ruelas fomos literalmente surpreendidos pelo Templo de Diana, uma obra majestosa que nos reporta ao tempo do império e à Grécia antiga. 
    
O conjunto arqueológico de Mérida está em muito bom estado de conservação, de modo que saímos de lá com uma impressão bastante realista da época. Foi um fim de semana muito bem passado, fez-nos muito bem sair um pouco de casa e nem é preciso dizer que as crianças adoraram, desde a dormirem num hotel até a curiosidade natural, sobretudo da de 6 anos, de estarem em outro país (mesmo que ali logo ao lado!), ouvirem outra língua e visitarem a cidade da Princesa Mérida da Disney. Quando voltamos, recordamos o passeio assistindo ao filme Gladiador e até hoje a viagem é tema de conversa entre nós! 

Por tudo isto, só posso dizer que vale muito, muito à pena programar este passeio com a família. Para mais informações consultem o site Turismo de Mérida, aqui.







        

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Se eu fosse uma poesia: «Mãe! (Almada Negreiros)»

"Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.
Eu também quero ter um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!"

(José de Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro, 1921)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Domingando...

Eu domingo, tu domingas, ele dominga...

E nada como domingar pela Baixa de Lisboa!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O correr da vida embrulha tudo...

 
"O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente
aprendendo a ser capaz
de ficar alegre a mais,
no meio da alegria,
e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!
A vida inventa!
A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.
O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor".
 
(João Guimarães Rosa, «Grande Sertão: Veredas», 1956).


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Restaurante para ir com as crianças em Lisboa

Nem sempre correm bem as idas a restaurantes levando as crianças! Entre auxiliar uma a comer e a outra a ir mil vezes a casa de banho, já estava a desistir quando disse a mim mesma: - É a última tentativa! Fui ao Google, pesquisei «restaurantes para ir com as crianças em Lisboa» e eis que apareceram alguns: alguns que eu já conhecia e que não era bem o que dizia; mais um ou dois que me pareceram interessante! Resolvemos experimentar e tive logo uma ideia: - Se correr bem, vou abrir um espaço de partilha desses "cantinhos do céu" onde os graúdos levam os miúdos, os miúdos se divertem, os graúdos conversam e somos todos felizes!

Pois bem, correu lindamente! Fomos ao Café Pão de Canela, que fica na Praça das Flores, no Príncipe Real, centro de Lisboa. A escolha deveu-se, basicamente, ao facto de ter menu infantil e espaço para as crianças - Espaço Canelinha -, onde os pais podem deixar os filhos aos cuidados de duas simpáticas babysitters; além da esplanada com vista para o jardim, onde podem observa-los a brincar no parque infantil. Chegando lá, descobrimos que para além das sugestões de saladas, crepes, tostas e omeletes, servem um variadíssimo brunch - uma boa opção para estar na conversa com os amigos enquanto as crianças se divertem. De negativo, a dificuldade para estacionar por perto (mas há a opção de ir de metro) e a espera por uma cadeira para bebé (havia apenas duas, ambas ocupadas, e achei que, pela sugestão da casa, deveria haver mais disponibilidade). 

No mais, foi verdadeiramente agradável. Voltamos para casa com a conversa em dia, a mais pequena a dormitar e a mais crescida carregada de artesanato em plasticina. Sem dúvida, um lugar para repetir!     

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Pimentinha...

Para Vinícius de Moraes, era a Pimentinha, para outros, a Hélice Regina. Os críticos a consideram a maior intérprete brasileira de todos os tempos. Ficou conhecida pela sua voz inigualável, sua explosão de emoções no palco e suas declarações bombásticas. Morreu em 1982, aos 36 anos de idade, mas para os fãs Elis Regina ainda vive.
 
Hoje, abro o blogue com esta frase dita pela Elis e o desejo de um dia feliz para todos. Façamos por isto! 
 
Fonte: Imagem retirada da Internet
 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A cantar o Fado com o Chico!

Hoje vim trabalhar na companhia do Chico (Buarque de Holanda). Adoro o Chico e dificilmente conseguiria dizer, entre ele e o Zeca (Baleiro), qual dos dois prefiro. Mas de fato são dois artistas da musica popular brasileira (MPB) bem diferentes! Gosto imensamente do Chico compositor (na minha opinião, o maior compositor brasileiro), o revolucionário, do lado feminino do Chico. E adoro o lirismo do Zeca, a voz inigualável, as suas influências musicais e aquele seu jeito cool! Esta minha paixão musical bigamia levaria-me a ter que decidir, caso tivesse um filho, entre chama-lo "Chico" ou "Zeca", assim mesmo, em registo. Mas por ora, sem tantos entretantos, foi este o Fado - Fado Tropical, de Chico Buarque e Ruy Guerra - que passou o dia a ressoar em meus ouvidos:
 
 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Poucas e boas sugestões para as férias dos mais pequenos (e não só!)

Talvez alguns de vós tenham por preocupação escolher atividades que enriqueçam as férias escolares dos filhos, que os mantenham entretidos antes que ponham a casa abaixo, de tédio. Passar horas a fio frente à televisão, convenhamos, não é nada divertido! E com os pais tendo de trabalhar, ainda pior! 
 
No ano passado, tirei um dia para ir com a Malu ao Oceanário de Lisboa, outro ao Pavilhão do Conhecimento (onde fomos os quatro!) e outro ao Planetário Calouste Gulbenkian, este último tendo sido para mim tão proveitoso quanto para ela. Escolhi a sessão infantil, recomendada para maiores de 5 anos, mas que adaptou-se perfeitamente à minha maturidade mental... Foi uma tarde muito bem passada numa viagem pela via láctea!
 
E foi assim que conheci o programa Ciência Viva no Verão, que na verdade existe em Portugal desde 1996. A edição deste ano decorre até 15 de Setembro e engloba passeios científicos, observações astronómicas, visitas a obras de engenharia, castelos e faróis, em todo o território nacional, na companhia de especialistas. Há atividades para todas as idades (inclusive para os mais crescidos!) e a participação nas ações é totalmente gratuita, bastando apenas inscrever-se através da Internet ou da linha azul 808 200 205.
 
Ainda gostaria de repetir a visita ao Oceanário, desta vez levando a Eva, que com certeza aproveitará melhor já agora com quase 2 anos. E também adoraria ir em família assistir a peça de teatro "As Aventuras de Pinóquio", encenada todos os fins de semana nos jardins da Quinta da Regaleira, em Sintra, até 29 de Setembro. Enquanto isso, hoje a Malu foi à KidZania levada pelo programa Campo de Férias do Gymboree e, para amanhã, tem confirmada sua visita ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência, para a ação "Medir o Céu!" do Programa Ciência Viva no Verão, que tenho certeza será mais uma grande aventura!
 
No entanto, não nos devemos esquecer que férias também é sinônimo de descanso, o que, na minha opinião, significa dar às crianças espaço para fazerem o que lhes apetecer, brincar, desenhar, ouvir e contar histórias, ir à praia, ao shopping, aos parques, ao cinema, dormir até às tantas e, claro, ter o momento de verem os seus programas televisivos preferidos, como aliás também nós fazemos (pelo menos lá em casa é assim!)! Portanto, sendo possível, perfeito seria dar-lhes o direito de escolherem, junto com os pais, um ou outro programa que possa tornar as férias de todos mais divertidas e interessantes!    
 
Enfim, são apenas sugestões que penso que vão gostar e os vossos pequenos vão aprovar!    

 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A Gaiola Dourada

"A Gaiola Dourada", filme em que o realizador lusodescente Ruben Alves faz um retrato cómico e ao mesmo tempo tocante da vida de uma família de emigrantes portugueses em França, é simplesmente delicioso! Já foi visto por mais de um milhão de espetadores em França e em Portugal ultrapassou os 200 mil em pouco mais de duas semanas. Para mim, a cena final em que a família regressada a Portugal confraterniza com os amigos, diz tudo por si: a alegria em voltar ao país de origem, a espera do "rebento" que já nascerá em Portugal, o prazer da boa mesa levado tão a sério pelos portugueses, a paixão pelo futebol... e a vista sobre o Douro... ah! esta é de tirar o fôlego!
 
Não deixem de conferir! É de ir às lágrimas, de rir e de emoção! Vejam o trailer, abaixo:
 
 
 
       

terça-feira, 6 de agosto de 2013

"A Confissão da Leoa", de Mia Couto: um olhar sobre nós

Nunca tinha lido um livro do Mia Couto, só pequenos fragmentos e poemas que ia apanhando. Mas convencida da sua importância para a literatura contemporânea portuguesa, distinguido em face dos diversos prémios que vem angariando tal como o Prémio Camões deste ano e a mais recente indicação para a Bienal Internacional de Literatura Neustadt, escolhi A Confissão da Leoa como o meu livro de férias. E adorei!
 
Mia Couto começou como jornalista e professor universitário e atualmente é Biólogo e o escritor Moçambicano mais traduzido.  A sua obra A Confissão da Leoa chamou a minha atenção por ser inspirada em fatos e acontecimentos reais. Tem uma mulher como narradora, a qual, junto com outro personagem, retrata a guerra, a fome, a superstição e a cultura africana de segregação. Conta a história de pessoas mortas por ataques de leões numa aldeia do Norte de Moçambique e de sofrimento das vítimas da própria condição de mulher africana. Passagens como: «Foi a vida que lhe roubou humanidade: tanto a trataram como um bicho que você se pensou um animal», «Tristeza não é chorar. Tristeza é não ter para quem chorar» e «Não é a morte que confere ausência. O morto está ainda presente: todo o passado lhe pertence. O único modo de deixarmos de existir é a loucura. Só o louco fica ausente», revelam a sensibilidade do Autor e a dura verdade que exsurge das entrelinhas desse seu romance.  
 
Mia Couto recria de forma magistral a língua portuguesa, com uma influência africana que lhe confere doçura e beleza. Recomendo-o, portanto.