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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Correr e amar, é só começar (Atenção: este post não é só sobre mulheres e corrida)

Sou uma pessoa angustiada com os ponteiros do relógio. Adorava saber desenhar, ilustrava-me com um relógio como uma arma apontado à cabeça. É o que nesse momento melhor me descreveria, mas a verdade é que essa sensação é mais comum do que possamos imaginar. A sobrecarga de tarefas que nos impomos deixa-nos de rastos. 

Não à toa esse sentimento que algumas mulheres experienciam como stress, outras como incapacidade de progredir na carreira profissional e educacional, vem sendo motivo de preocupação dos países nos diversos encontros internacionais. Apenas como uma referência importante, em 1994, na Conferência do Cairo, falou-se em plena participação e parceria entre mulheres e homens como necessários à vida produtiva e reprodutiva, inclusive com a divisão de responsabilidades no cuidado e alimentação dos filhos e na manutenção da família. E mais se disse:
"Em todo o mundo, a mulher vê em perigo sua vida, sua saúde e seu bem-estar porque está sobrecarregada de trabalho e carece de poder e de influência. Na maior parte do mundo, as mulheres recebem menos educação formal que os homens e, ao mesmo tempo, não se reconhecem seus conhecimentos, aptidões e mecanismos de luta frente a vida. As relações de poder que impedem a mulher de alcançar uma vida sadia e plena se faz sentir em muitos níveis da sociedade, desde os mais pessoais até os mais públicos" (Cap. IV, par. 4.1, Relatório da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, Plataforma de Cairo). 
Passados mais de 20 anos desde a Conferência do Cairo, continuamos a discutir como um assunto atualíssimo a necessidade premente de empoderamento da mulher, de igualdade e equidade dos sexos e de desenvolvimento sustentável. Portanto, o tempo de uma mulher não é coisa que se resolva e se explique com um relógio apontado à cabeça, isto sim uma arma branca. 

Mas sexismos à parte, nada disso anula a possibilidade real de muitos homens, pais solteiros ou não, divorciados ou não, assumirem o papel tradicionalmente desempenhado pela mulher na família e na sociedade. É importante que se diga que, no caso das mulheres, a situação é agravada pela falta ou desequilíbrio no apoio, sobretudo, por parte do Estado e da sociedade. 

E foi por isso que, sem tempo para muito, de forma quase irônica comecei a correr. Hoje corro porque é quando mais me sinto livre de mim e da rotina; corro porque, durante aquela horinha de relógio, apodero-me do tempo. Corro sozinha, de fones no ouvido, música alta e todo o resto esquecido. 

Assim como eu, qualquer um, a princípio, pode começar e amar correr. Bastam uns bons tênis, uma roupa apropriada para o frio ou o calor e a boa disposição que se ganha pelo caminho. 

A propósito, recomendo a quem queira começar ou está a retomar os treinos, a leitura de um livro fabuloso, dirigido às meninas, mas que vale para os machos também: Correr (não) é Para Meninas, da autora Alexandra Heminsley, edição em português da Ed. Asa. A sinopse diz tudo:
"Alexandra Heminsley queria ter a cintura de uma supermodelo, as pernas de uma bailarina, a rapidez de uma gazela. Durante anos, debateu-se com estas expectativas e a realidade dos implacáveis ginásios da moda e de exercícios que a entediavam de morte. Ela queria sentir-se bem mas ver resultados rápidos. Queria ar livre e liberdade. Um dia, decidiu correr. A sua primeira corrida não acabou bem. Atualmente, já correu cinco maratonas. Como? Tudo mudou no dia em que percebeu que correr é não só um exercício físico. É também um exercício mental. É uma atitude. Por isso, embora este livro seja sobre corrida, não é apenas sobre corrida. É também sobre determinação (sim, sair da cama numa manhã chuvosa de domingo é um desafio), relações pessoais (enfrentar os intimidantes veteranos do desporto também conta), e o nosso próprio corpo (não, a gravidade não tem de interferir no nosso desempenho). Mais, é sobre cada uma de nós (e nós conseguimos chegar mais longe do que pensamos… mesmo!)."
Boa corrida! ;)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Livro, de José Luís Peixoto

Tenho um pacto comigo. Durante as férias tento ler um livro ou dois fora de todo e qualquer assunto relativo a trabalho. Para relaxar, tanto faz ser um romance, ficção ou não, um livro de auto-ajuda, um livro oferecido e que ficou guardado a espera de mim. Desta vez li Livro, romance do José Luís Peixoto, jovem autor e dramaturgo português já consagrado na literatura nacional e internacional. Foi prenda de anos de uma querida amiga que já suspeitava que eu iria gostar mas a verdade é que surpreendeu-me, o livro é delicioso não só pelo enredo como também pela escrita magistral, sonora e pelas referências despretensiosas que faz a escritores da literatura clássica, a emigração portuguesa em França e à história do próprio país. 

Recomendo a leitura, a não perder. 

Sinopse: Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura. Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.

Em tempo: Hoje José Luís Peixoto celebra 40 anos de vida. Está de parabéns, pela vida e pela obra.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Feliz por partilhar "Direito Desportivo e Conexões com o Direito Penal"

O Abril tem passado a correr e ainda com feriados pelo meio não tem sido fácil manter o blog colorido, divertido e atual. Sei que entendem, sei também que sentem falta e sei que perdoam a minha ausência despropositada.

Mas já agora, preciso contar-vos uma novidade que me deixou muito feliz. Há algum tempo estava a espera desta publicação e finalmente saiu, com uma capa linda e um conteúdo riquíssimo, às vésperas do Mundial do Brasil que era como se previa. É uma obra coletiva que versa sobre os temas mais atuais ligados ao Direito do Desporto sob os seus aspetos penais e que conta com a colaboração de renomados autores do Brasil, Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, dentre outros. Tive a honra de ser convidada a escrever um artigo em conjunto com o Professor José Manuel Meirim, uma referência na área não somente em Portugal como também a nível internacional. Tratamos do tema "A Criminalização no âmbito do combate à violência no desporto. A última solução?".

Hoje, Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, é com muito gosto que partilho a obra "Direito Desportivo e Conexões com o Direito Penal", lançada no Brasil pela Editora Juruá e a venda para todo o mundo através do site da Editora, aqui. O livro é já uma referência, por ter conseguido reunir os mais importantes especialistas na matéria e pela qualidade dos trabalhos publicados. Penso que é de leitura obrigatória para aqueles que se interessam ou trabalham nesta área.


       

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Leitura para o Dia Internacional do Livro Infantil

Hoje celebra-se o Dia Internacional do Livro Infantil em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, autor dos livros O Patinho Feio, A Pequena Sereia e O Soldadinho de Chumbo. É muito importante desenvolvermos nas crianças o hábito da leitura desde cedo, como forma de incentivar o aprendizado, a imaginação e a interpretação de textos. 

Como tinha prendas de aniversário por comprar, passei na Livraria Bertrand e descobri O Meu Livrinho do Coração, um livro que me pareceu divertido, com desenhos para colorir e leitura fácil para as crianças em início de aprendizagem da leitura (6 a 10 anos). É escrito em pequenos versos com as letras do alfabeto mas acima de tudo o livro é muito educativo, trazendo conselhos úteis sobre alimentação e saúde das crianças. Levei três, um deles vai ficar lá em casa. 

Para o fim de semana e ao longo do mês algumas lojas da Fnac estão promovendo o Fórum Miúdos, com oficinas criativas, teatros e contos de histórias para as crianças. Também, a Rede de Bibliotecas Municipais da Câmara Municipal de Lisboa e a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros estão desenvolvendo o programa Ler em Todo Lado. É uma questão de ficarem atentos e irem acompanhando a programação nos sites!

Fica, portanto, como dica de leitura para homenagear o Dia Internacional do Livro Infantil: O Meu Livrinho do Coração. Tenho certeza que todos em casa vão adorar.
"Sinopse: O meu livrinho do coração pretende informar as crianças sobre a prevenção das doenças e a adopção de um estilo de vida saudável, através de uma série de ternurentas quadras - uma para cada letra do alfabeto - da Profª Luciana Graça, investigadora no Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores da Universidade de Aveiro. Os versos são acompanhados por conselhos úteis do Prof. Fernando de Pádua, cardiologista conhecido pela sua dedicação em aproximar a Medicina dos cidadãos, e 26 desenhos criativos para pintar". 
Editor: Âncora Editora. 
Preço: € 10,00

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Pedro Chagas Freitas

Conheci há pouco tempo um pouco da obra de Pedro Chagas Freitas e fiquei tão fascinada que inscrevi-me no seu curso on line de escrita criativa. Adoro a irreverência, o arrebatamento dos seus textos, muitas vezes de cortar a respiração. E prende-me o seu estilo, a forma como desmistifica a pontuação (acerca do Ilusionismo Linguístico de Chagas), como passeia pelo universo das letras. É fabuloso! 

***


"amo-te tanto mas hoje tenho de levar o carro ao mecânico, as rodas fazem um barulho estranho, não deve ser nada mas é melhor prevenir, amanhã prometo que vamos ver que tal se come naquele restaurante novo junto à rotunda, e depois levo-te ao cinema, ai não que não levo, 
amo-te tanto mas hoje tenho de ver o treino do miúdo, o treinador ligou e disse-me que temos craque, o nosso menino a jogar como gente grande, vê lá tu, quando chegar com ele vê se tens prontinha aquela comida que ele adora, o puto merece, ai não que não merece, 
amo-te tanto mas hoje tenho de ficar até tarde no escritório, há aquele projecto do estrangeiro para fechar, está aqui tudo perdido de nervos, não sei se aguento, daqui a pouco ligo-te para saber como vai tudo, o miúdo e as coisas aí em casa, agora tenho de ir mostrar a esta gente toda como se trabalha, ai não que não tenho, 
amo-te tanto mas hoje tenho de me deitar cedo, amanhã é aquela reunião importante de que te falei, se conseguir o cliente vamos ser tão felizes, aquela casa, o carro novo, quem sabe?, só tenho de o conseguir convencer, tenho tudo prontinho na minha cabeça e nada pode falhar, vamos ser ricos, é o que é, ai não que não vamos, 
amo-te tanto mas hoje não estás, cheguei à hora combinada para te levar a jantar e tu não estás, o miúdo também não, deve estar no treino, deixa-me cá ligar, ninguém atende, nem tu nem ele, provavelmente deves estar a preparar alguma, sempre foste tão assim, cheia de surpresas, daqui a nada entras pela porta e dizes que me amas, ai não que não dizes, 
amo-te tanto mas hoje tenho de assinar este papel, olho-te e peço-te perdão, prometo-te que não vai haver mais mecânicos nem treinos nem clientes estrangeiros nem reuniões entre nós, garanto-te que te quero acima de tudo, olho-te mais uma vez nos olhos e procuro acalmar o que te dói, mas tu só dizes para eu assinar e eu assino, as mãos tremem e até já uma lágrima caiu sobre elas, o nosso filho quando souber vai chorar como um menino pequeno outra vez, o nosso craque, podias ficar pelo menos pelo nosso craque, ou pelo menos por mim, para me manteres vivo, Deus me salve de não te ter comigo, sou uma impossibilidade se não te tiver para gostar, ai não que não sou, 
amo-te tanto mas hoje não tenho nada para fazer, a casa escura, um silêncio vazio e nada para fazer, apenas esperar que te esqueças de mim e me voltes a amar, e eu amo-te tanto, ai não que não amo".

Pedro Chagas Freitas, in: "O Livro dos Loucos".

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Simone de Beauvoir (1908 - 1986)

"Não se nasce mulher: torna-se".

Se estivesse viva, hoje Simone de Beauvoir faria 104 anos. Feminista convicta, Simone de Beauvoir rompeu, através da educação e dos estudos, com o destino das mulheres do seu tempo: casar e ser mãe ou entrar para o convento. Foi a mais velha de duas filhas nascidas numa família da burguesia francesa, que entretanto faliu e que, por falta de dotes, viram nos estudos a única forma de fugir à pobreza. Formou-se em filosofia na Universidade de Paris (Sorbonne) e tornou-se numa das escritoras francesas mais lidas no mundo. Foi a companheira de Jean-Paul Sartre.

E para sinalizar o seu aniversário, o clássico O Segundo Sexo, publicado em 1949, é leitura obrigatória! Pode-se fazer o download em formato PDF, aqui.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O correr da vida embrulha tudo...

 
"O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente
aprendendo a ser capaz
de ficar alegre a mais,
no meio da alegria,
e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!
A vida inventa!
A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.
O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor".
 
(João Guimarães Rosa, «Grande Sertão: Veredas», 1956).


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O encontro com a escritora Victória F. e a leitora Dália Antunes (como é bom conhecer pessoas interessantes!)

Para homenagear a língua portuguesa, no Dia de Camões (10 de Junho) os alfarrábios lançou um passatempo com a Editora Aped e dois escritores, Achel Tinoco e Cláudia Fernandes, de pseudónimo Victória F. A ideia foi presentear aqueles que gostam de ler com um livro entregue pelo próprio autor. Hoje foi o dia da Dália Antunes receber o exemplar autografado de Caronte à Espera, durante uma conversa muito agradável com a Victória F. Ficamos a conhecer e saber mais sobre essa jovem e discreta escritora portuguesa, cujo segundo romance foi lançado no Brasil e que, entre outras coisas, confessou-nos necessitar isolar-se para fazer o que mais gosta: escrever.
 
Faço votos para que a Victória F. encontre o tempo e o silêncio necessário para continuar a sua trajetória pela escrita e que siga em frente, até onde a sua imaginação alcançar: muito longe!
 
Obrigada, Victória F. Obrigada Dália Antunes. Fico muito feliz por este blogue servir e proporcionar encontros tão interessantes!
 

 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

"A Confissão da Leoa", de Mia Couto: um olhar sobre nós

Nunca tinha lido um livro do Mia Couto, só pequenos fragmentos e poemas que ia apanhando. Mas convencida da sua importância para a literatura contemporânea portuguesa, distinguido em face dos diversos prémios que vem angariando tal como o Prémio Camões deste ano e a mais recente indicação para a Bienal Internacional de Literatura Neustadt, escolhi A Confissão da Leoa como o meu livro de férias. E adorei!
 
Mia Couto começou como jornalista e professor universitário e atualmente é Biólogo e o escritor Moçambicano mais traduzido.  A sua obra A Confissão da Leoa chamou a minha atenção por ser inspirada em fatos e acontecimentos reais. Tem uma mulher como narradora, a qual, junto com outro personagem, retrata a guerra, a fome, a superstição e a cultura africana de segregação. Conta a história de pessoas mortas por ataques de leões numa aldeia do Norte de Moçambique e de sofrimento das vítimas da própria condição de mulher africana. Passagens como: «Foi a vida que lhe roubou humanidade: tanto a trataram como um bicho que você se pensou um animal», «Tristeza não é chorar. Tristeza é não ter para quem chorar» e «Não é a morte que confere ausência. O morto está ainda presente: todo o passado lhe pertence. O único modo de deixarmos de existir é a loucura. Só o louco fica ausente», revelam a sensibilidade do Autor e a dura verdade que exsurge das entrelinhas desse seu romance.  
 
Mia Couto recria de forma magistral a língua portuguesa, com uma influência africana que lhe confere doçura e beleza. Recomendo-o, portanto.
 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

"Quem mexeu no meu queijo?", de Spencer Johnson, é imprescindível para adultos e crianças

Tenho um arquivo de coisas que me marcaram profundamente. Normalmente, quando por vezes procuro respostas, compro livros que pareçam querer dizer algo, atraída pelo título ou pela sinopse. Há quem faça terapia! 

Uma dessas coisas que tenho guardada com significado é o livro "Quem mexeu no meu queijo?", um best sellers do autor Spencer Johnson. Tem uma leitura muito simples e de fácil compreensão, de modo que é possível lê-lo em um dia e relê-lo vezes sem conta, tantas quantas forem precisas. Considero-o de leitura obrigatória e uma excelente escolha para quem vai de férias, para descomprimir com um livro menos denso. Mas é acima de tudo um livro motivador, muito utilizado inclusivamente no campo da gestão. 

Por acaso, descobri na Feira do Livro de Lisboa a mesma obra escrita numa versão para crianças, ilustrada e colorida, uma delícia! A ideia é ensinar os mais pequenos a lidarem desde cedo com as mudanças, através da história de quatro ratinhos em busca do queijo mágico, até que uma manhã descobrem que o queijo que parecia durar para sempre, desapareceu. Já está no meu arquivo.

Ambos podem ser adquiridos facilmente pela Internet ou nas livrarias. Confiram a sinopse, é a minha dica que refiro como imprescindível:
"Quem mexeu no meu queijo? é uma parábola que revela verdades profundas sobre mudanças. Dois ratinhos e dois homenzinhos vivem em um labirinto em busca de queijo - metáfora para o que se deseja ter na vida, de um bom emprego à paz espiritual. Um deles é bem-sucedido e escreve o que aprendeu com a sua experiência nos muros do labirinto. As palavras rabiscadas nas paredes  ensinam a lidar com as mudanças para viver com menos estresse e alcançar mais sucesso no trabalho e na vida pessoal. Quem mexeu no meu queijo? é uma leitura rápida, mas suas ideias permanecerão por toda a vida".   

segunda-feira, 10 de junho de 2013

No dia de Camões, nossa homenagem à língua portuguesa: Passatempo "Batalha de Mestre", do brasileiro Achel Tinoco, e "Caronte à Espera", da portuguesa Victória F.

No dia 10 de Junho comemora-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades  Portuguesas. O feriado nacional em honra de Luís Vaz de Camões, conhecido como o génio da pátria portuguesa, é alusivo à data da morte do autor de “Os Lusíadas”, em 1580.
 
Até hoje o poeta aventureiro propaga a língua portuguesa, a sétima mais falada no mundo, e dá nome ao prémio literário mais importante da língua portuguesa – o Prémio Camões – que na edição deste ano galardoou o escritor moçambicano Mia Couto.
 
Vejo a escrita como a forma mais bela de imortalizar as pessoas e suas ideias, por isto, aproveito a ocasião para homenagear não só o já imortal Camões, como também todos os escritores de língua portuguesa. Neste universo, ressalto uma escritora portuguesa ainda pouco conhecida, de pseudónimo Victória F., pela particularidade de editar e lançar o seu primeiro romance através de uma Editora brasileira, a Aped.
 
Caronte à Espera é de leitura agradável e surpreende pelo cuidado da Autora com a escrita do português, a forma melódica da narrativa, sendo na minha opinião uma excelente escolha para os mais exigentes com a precisão e correção da linguagem. É um livro sugestivo, por exemplo, para um trabalho de literatura portuguesa, principalmente por trazer em notas de rodapé esclarecimentos quanto à grafia de alguns vernáculos em português de Portugal e do Brasil.
 
Por isto, e para presentear os leitores destes alfarrábios pela passagem desta data tão significativa, criei um Passatempo que consiste em:
 
  1. Escrever uma frase contendo a palavra “alfarrábios”, nos comentários a este post na pagina do Blogue no Facebook;

  2. Identificar dois amigos nos mesmos comentários ao post, indicando-os para participarem do Passatempo;   

  3. Dar “gosto” nas páginas Nos meus alfarrábios e Editora Aped, ambas no Facebook;

  4. Partilhar este post na própria cronologia.
As duas frases mais criativas - escolhidas entre um participante do Brasil e outro de Portugal - receberão das mãos dos respetivos escritores os livros Batalha de Mestre, do brasileiro Achel Tinoco, e Caronte à Espera, da portuguesa Victória F. Os locais de entrega dos exemplares serão possivelmente num Café de uma Livraria de Salvador e outra de Lisboa, em data e local a combinar, após 15 dias do lançamento do Passatempo. Caso a entrega pessoal seja inviabilizada por questões geográficas, os exemplares serão autografados e enviados aos vencedores via Correios.
 
Já vos apresentei o livro Batalha de Mestre, no post de 07 de Maio, e recomendo que revisitem-no. Sobre Caronte à Espera, só posso dizer-vos que estou a lê-lo devagar, com atenção em cada palavra e frase bem colocada, na esperança de que a leitura se prolongue por mais tempo. É um livro intenso, que prende o leitor e que decifra muitos dos personagens que guardamos dentro de nós!
 
Confiram a sinopse e o Book Trailer de Caronte à Espera, de Victória F., e não percam por nada este Passatempo: 
 
Artur, um recém reformado aprisionado na rotina de uma vida sem surpresas, decide morrer. Então encontra um motivo para protelar esse gesto na forma de um rosto nunca antes notado numa velha fotografia. Este acontecimento leva-o a empreender uma viagem ao longo da qual passa a acreditar que esse homem impresso é o seu destinado salvador. Artur titubeia entre o desejo da morte e o de redenção quando conhece alguém, um confidente ou um mentor, que insiste em conduzi-lo pela mão até ao seu fim planejado. 
    

terça-feira, 7 de maio de 2013

"Batalha de Mestre", por Achel Tinoco

Nos meus alfarrábios há contos, crônicas, histórias, passatempos e receitas para todos os gostos. Há informação, esclarecimento e muita curiosidade. Há pessoas, amigos, família, parceiros, há sem dúvida de tudo um pouco, mas tudo que está nos meus alfarrábios passa antes pela minha verificação. E somente vai parar lá, porque é útil e importante para mim ou porque pode ser útil e importante para os leitores. Digamos que é como uma base-de-dados repleta de coisas boas!
 
Assim, nos meus alfarrábios também constam os livros de um grande amigo escritor, de uma típica família cacauicultora do interior da Bahia, que eu admirava por dar aos filhos os nomes mais parecidos com personagens de contos infantis do meu imaginário: Drayden, Yalu, Pagana, Achel… Uma família diferente, na concepção da pequena cidade rural de onde também eu vim!
 
E foi assim que, nesta família de emigrantes do Pará para o interior da Bahia, entre as roças de cacau e as personagens reais que povoavam aquelas terras de Ibirataia, Achel Tinoco foi retirando os contos que aos poucos deram alma às personagens fictícias que hoje habitam os seus romances e poemas.
 
Achel Tinoco merece todo o meu respeito, principalmente por ter ultrapassado as dificuldades que obrigavam os inquietos de espírito a abandonar suas casas e família, em busca dos sonhos somente concretizáveis para além das porteiras da Fazenda. Atualmente, Achel Tinoco vive exclusivamente da venda de seus livros e firmou-se definitivamente como mais um grande escritor brasileiro, declaradamente fã de José Saramago e Gabriel Garcia Marques.
 
Indico-vos a leitura de Batalha de Mestre, o mais recente romance do autor, inspirado na trajetória do seu irmão Yalu nos EUA, que particularmente tocou-me pelas semelhanças com a minha própria história e de outras pessoas que conheci em Coimbra - todas travando suas próprias batalhas pessoais! Sei, entretanto, que é irresistível a forma engraçada e provocante como Achel Tinoco nos seduz até a última linha, razão pela qual vocês vão adorar conhecê-lo!
 
Batalha de Mestre, Editora Europa, está a venda nas principais livrarias do Brasil e através da Internet, ao preço sugerido de R$ 29,90 (moeda brasileira).
 
Confiram a sinopse:
 
“A batalha descrita nas páginas deste livro é a mais bela que um ser humano pode travar: a superação pessoal em busca do conhecimento. O leitor vai se rir e vai se emocionar ao se deparar com a luta do jovem Kaloã para realizar o sonho de fazer um mestrado nos Estados Unidos. Formado em Engenharia Agronômica, vê-se diante de um dilema: frequentar o serviço público ou administrar a fazenda do pai? Decide ir para os Estados Unidos sem conhecer a língua, sem emprego acertado, somente com a cara e a coragem. Lá, encontra um mundo completamente diferente do que imaginara: hipócrita, egoísta, hostil. Nesse meio, começa sua luta para trabalhar, estudar, sobreviver: será lavador de carros, entregador de pizzas, pintor de paredes, garçom, ao tempo em que planeja o mestrado em Comércio Internacional. Anos de angústia, decepções, incertezas até receber o diploma de uma conceituada Universidade americana. O autor narra, de forma descontraída e emocionante, a história desse brasileiro idealista que saiu do interior da Bahia para ‘ganhar o mundo’, não importando quão teria de persistir. Kaloã partiu para ‘conquistar a América’. Batalha de Mestre muito deve inspirar quem ainda tem dúvidas se vale a pena correr atrás da realização de um sonho, por mais distante que ele possa parecer”.

 

terça-feira, 16 de abril de 2013

"Gosto de ti assim", por Marta Gautier

Imaginem uma sala acolhedora, cercada de estantes repletas de livros e uma grande mesa ao centro, onde nos dispomos a conversar enquanto bebericamos um delicioso chá com biscoitos. Ou então, imaginem um lindo jardim de relva fresquinha, com espaço suficiente para as crianças brincarem enquanto preparamos um piquenique e aquecemos ao sol os nossos pensamentos. Agora, imaginem tudo isso, também quando estamos sós ou na companhia de um bom livro. Sendo o caso, sugiro a leitura da psicóloga Marta Gautier, «Gosto de ti assim», Lisboa: Editora Objectiva, 2011, que descobri no verão passado e, sinceramente, me ajudou a ser mais paciente comigo, a exigir menos de mim e a me desculpar quando não sou aquilo que esperam. É um livro que se classifica como de autoajuda, de leitura fácil e cativante, desses que lemos de uma só vez.
 
Pode ser adquirido pela Internet, mas também está a venda mais ou menos nos locais habituais, ao preço médio de € 15,00. Confiram a sinopse:
 
Sinopse: "Estas páginas encerram o diário de uma mulher. São 30 dias na vida de uma mulher tão especial e tão comum como todas as outras. Espreitamos aqui a sua intimidade e vemo-la jurar que nunca mais grita, e a gritar no minuto seguinte. A ser vencida pelo stress do dia-a-dia, e a enfrentar serenamente provações triviais. A debater-se com a culpa, com a dificuldade de se entregar e de gostar de si. A renunciar à personalidade e à vontade própria para agradar aos outros, e a fazer só que lhe apetece, porque a sua vontade está em primeiro lugar. A desesperar com a complexidade da sua relação com o marido e os filhos, e a aprender a gostar de si e dos outros assim mesmo. A confrontar os fantasmas do passado, e a contemplar a possibilidade de um futuro feliz. E percebemos então que é possível que aquilo que gostaríamos de ser, seja muito menos e não chegue sequer aos calcanhares do que somos realmente. O segredo descobre-se quando paramos de tentar ser uma pessoa diferente. O que somos, exatamente o que somos é sempre melhor do que julgamos. E chega perfeitamente".