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terça-feira, 19 de abril de 2016

Bastidores de um fim de semana de pais dos melhores atletas do mundo




Levantar da cama às 6h, vestir-se, a seguir levantar as crianças. E ser cabeleireira, maquiadora, incentivadora... 

Não, começou antes disso.

Passar a semana entre o trabalho e a ler e-mails, imprimir os horários e o programa, trocar mensagens com os pais... 

Ser costureira, cenógrafo, treinador, transportador, patrocinador oficial...

Preparar mochila com roupas, comidas e remédios...

Ah! Fazer um bolinho para animar a torcida e a equipa! Comemorar o aniversário na arquibancada, juntamente com a família que aumentou de tamanho. 

Ser mãe e fotógrafa, pai e ídolo, ser irmã mais nova e paciente, ir de arrastão, aprender a integrar-se. Ser irmão mais velho e competir por outro Clube. Dividir as atenções.

Gerir a ansiedade, o cansaço, os nervos, o medo... ser psicóloga.

E quando corre mal, engolir a desilusão e dizer: "Não faz mal!" Mas ao mesmo tempo, ser honesta, apontar as falhas. Lembrar que há que ser divertido mas não a brincar. Afinal, estamos todos envolvidos nisso, já somos muitos, desde o mano mais novo aos avós... Recordar que, se não houver empenho, por vezes a maior prova da vida é saber desistir.

Mas quando corre bem, mesmo que não signifique o melhor resultado, entre lágrimas escondidas, de alegria, e peito inchado de orgulho, sente-se uma felicidade incrível que vem da felicidade daqueles gigantes... campeões!!! 

E naquele instante, há um pódio que não cabe de tão pequeno para tanta gente que nele sobe.


P.S.: Dedicado à Equipa de Atletas, Treinadores e aos Pais do Clube de Ginástica Acrobática do Colégio Integrado Monte Maior. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

No domingo vou correr...

No domingo vou correr a minha primeira Meia Maratona. Tomei gosto pela coisa e vou ver como me saio, mesmo assim, apesar do meu jeito desordenado de treinar. Vou correr à minha conquista de ter elegido um desporto depois dos 40, prático como tornou-se a minha vida: elásticos para os cabelos, tênis para os pés.

No domingo vou correr os meus primeiros 21.095 metros. Vou de pulmão aberto, mente livre e cheia de esperança em cumprir a meta dentro do tempo limite de 3 horas. Não tenho muita pressa, mas quero chegar.  

No domingo vou correr porque mereço, porque existo, porque decidi que vou conseguir. Vou correr por mim, por ti, por nós...

No domingo, prometo que vou, com um nervoso miudinho. Deseja-me sorte?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Correr e amar, é só começar (Atenção: este post não é só sobre mulheres e corrida)

Sou uma pessoa angustiada com os ponteiros do relógio. Adorava saber desenhar, ilustrava-me com um relógio como uma arma apontado à cabeça. É o que nesse momento melhor me descreveria, mas a verdade é que essa sensação é mais comum do que possamos imaginar. A sobrecarga de tarefas que nos impomos deixa-nos de rastos. 

Não à toa esse sentimento que algumas mulheres experienciam como stress, outras como incapacidade de progredir na carreira profissional e educacional, vem sendo motivo de preocupação dos países nos diversos encontros internacionais. Apenas como uma referência importante, em 1994, na Conferência do Cairo, falou-se em plena participação e parceria entre mulheres e homens como necessários à vida produtiva e reprodutiva, inclusive com a divisão de responsabilidades no cuidado e alimentação dos filhos e na manutenção da família. E mais se disse:
"Em todo o mundo, a mulher vê em perigo sua vida, sua saúde e seu bem-estar porque está sobrecarregada de trabalho e carece de poder e de influência. Na maior parte do mundo, as mulheres recebem menos educação formal que os homens e, ao mesmo tempo, não se reconhecem seus conhecimentos, aptidões e mecanismos de luta frente a vida. As relações de poder que impedem a mulher de alcançar uma vida sadia e plena se faz sentir em muitos níveis da sociedade, desde os mais pessoais até os mais públicos" (Cap. IV, par. 4.1, Relatório da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, Plataforma de Cairo). 
Passados mais de 20 anos desde a Conferência do Cairo, continuamos a discutir como um assunto atualíssimo a necessidade premente de empoderamento da mulher, de igualdade e equidade dos sexos e de desenvolvimento sustentável. Portanto, o tempo de uma mulher não é coisa que se resolva e se explique com um relógio apontado à cabeça, isto sim uma arma branca. 

Mas sexismos à parte, nada disso anula a possibilidade real de muitos homens, pais solteiros ou não, divorciados ou não, assumirem o papel tradicionalmente desempenhado pela mulher na família e na sociedade. É importante que se diga que, no caso das mulheres, a situação é agravada pela falta ou desequilíbrio no apoio, sobretudo, por parte do Estado e da sociedade. 

E foi por isso que, sem tempo para muito, de forma quase irônica comecei a correr. Hoje corro porque é quando mais me sinto livre de mim e da rotina; corro porque, durante aquela horinha de relógio, apodero-me do tempo. Corro sozinha, de fones no ouvido, música alta e todo o resto esquecido. 

Assim como eu, qualquer um, a princípio, pode começar e amar correr. Bastam uns bons tênis, uma roupa apropriada para o frio ou o calor e a boa disposição que se ganha pelo caminho. 

A propósito, recomendo a quem queira começar ou está a retomar os treinos, a leitura de um livro fabuloso, dirigido às meninas, mas que vale para os machos também: Correr (não) é Para Meninas, da autora Alexandra Heminsley, edição em português da Ed. Asa. A sinopse diz tudo:
"Alexandra Heminsley queria ter a cintura de uma supermodelo, as pernas de uma bailarina, a rapidez de uma gazela. Durante anos, debateu-se com estas expectativas e a realidade dos implacáveis ginásios da moda e de exercícios que a entediavam de morte. Ela queria sentir-se bem mas ver resultados rápidos. Queria ar livre e liberdade. Um dia, decidiu correr. A sua primeira corrida não acabou bem. Atualmente, já correu cinco maratonas. Como? Tudo mudou no dia em que percebeu que correr é não só um exercício físico. É também um exercício mental. É uma atitude. Por isso, embora este livro seja sobre corrida, não é apenas sobre corrida. É também sobre determinação (sim, sair da cama numa manhã chuvosa de domingo é um desafio), relações pessoais (enfrentar os intimidantes veteranos do desporto também conta), e o nosso próprio corpo (não, a gravidade não tem de interferir no nosso desempenho). Mais, é sobre cada uma de nós (e nós conseguimos chegar mais longe do que pensamos… mesmo!)."
Boa corrida! ;)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Dia Mundial de Combate ao Cancro/Câncer

Fonte: Hypeness
Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Cancro/Câncer, uma data que tem por objetivo chamar a atenção para o crescente índice da doença no mundo (OMS). O cancro não é uma doença contagiosa e pode ser definida como "um grupo de mais de 100 doenças que se caracterizam pelo crescimento descontrolado de células anormais, chamadas de malignas". Ocupa o segundo ou terceiro lugar na lista das doenças que mais mata pessoas no mundo mas poderá ter cura desde que diagnosticada precocemente. 

Vamos aproveitar para recordar os cuidados que devemos ter com a nossa saúde: Alguns tipos de cancro podem ter influência genética, outros ainda tem suas causas desconhecidas mas segundo as pesquisas 90% dos casos "estão relacionados a fatores ambientais, como cigarro (câncer de pulmão), excesso de sol (câncer de pele), alguns tipos de vírus (leucemia), hábitos alimentares (câncer de mama, câncer de próstata, câncer de esôfago, câncer de estômago, câncer no intestino grosso), alcoolismo (câncer de esôfago, câncer da cavidade bucal), hábitos sexuais (câncer de colo uterino), medicamentos (câncer de bexiga, leucemias, câncer de endométrio), cânceres provocados por exposições ocupacionais, etc.". 

Com efeito, é importante desenvolver hábitos alimentares saudável (ricos em frutas, legumes e cereais), a prática de atividade física, o consumo moderado de bebidas alcoólicas e a possível restrição ao tabagismo e outras drogas. Mas também é importante lembrar que o tipo de cancro que mais mata é o de pele, por isso o cuidado redobrado com a exposição solar. 

São mudanças simples e que podem compensar por nossa própria saúde e daqueles que amamos. Esta data vale sobretudo para falarmos sobre o assunto com a nossa família, dedicar alguns minutos e rever formas de buscar uma vida com qualidade. É uma campanha que muitos abraçam; contudo, somente poderá dar certo se for começada individualmente, dentro de nossa própria casa. Vamos a isto! 

segunda-feira, 24 de março de 2014

E a moda dos Detox?

Não se fala em outra coisa e até já rendeu boas risadas com o Ricardo Araújo Pereira na rubrica mixórdia de temáticas da Rádio Comercial. A dieta detox ou dieta desintoxicante jura limpar e reequilibar o organismo, eliminar toxinas e excesso de peso. Não ponho isto em causa mas convenhamos que a base de sumos e sopas, isto é, basicamente de uma dieta líquida, é impossível não perder peso! Seja como for, se quer mesmo perder peso ou "desintoxicar" o organismo, o mais recomendável é começar por procurar a ajuda de um nutricionista ou dietista e escolher o programa ideal de acordo com os hábitos e necessidades de cada um. Foi o que fiz há cerca de 1 ano e desde então tenho conseguido, com hábitos saudáveis e a prática regular de atividade física, manter o meu peso próximo dos 50Kg. Escolhi a Dieta 3 Passos e consegui eliminar 6 ou 7 quilos que teimavam em subsistir da minha segunda gravidez. O mais importante - penso eu -, é que aprendi a escolher melhor os alimentos e a combina-los. Hoje convivo bem com a regra da compensação (se exagero num dia, no outro tento compensar) comendo praticamente de tudo (com algum cuidado com os carboidratos e açúcares). No entanto, uma alimentação equilibrada, pobre em gorduras e açúcares, conjugada com o exercício físico, deve ser encarada como uma questão de saúde e bem-estar, não como uma exigência de aceitação ou martírio em prol do culto da beleza; deve - ou deveria -  integrar os programas de nutrição como recomendação de todo e qualquer governo seriamente comprometido com a saúde da população. E individualmente, alimentar-se adequadamente tem de ser visto e aceito como um estilo de vida, a incorporação de hábitos permanentes e contínuos; jamais como ataques de consciência em modo "desespero", que normalmente vêm com toda a força quando se aproxima o verão.

Dietas à parte, o clima quente favorece e convida ao consumo de frutas e sumos. É muito fácil conseguir combinações perfeitas somente com o uso da imaginação. Como venho de um país de clima tropical, cresci ao sabor de sumos e batidos deliciosos, tais como: cenoura e laranja; beterraba e laranja; beterraba, cenoura e laranja; banana e maçã; banana, maçã e farinha láctea; banana, leite e chocolate em pó; maça-verde e beterraba; melancia e maçã; pêra, maça, banana e leite; abacate e leite; abacaxi e hortelã; água de côco e carne do côco; limonada da casca do limão... tudo muito nutritivo, valendo como uma alternativa fresquinha aos cereais matinais das crianças.

Na onda dos detox, partilho abaixo duas receitas que enviou-me uma amiga. Disse-me que são de autoria da personal training de nome Cláudia (Solinca). Ainda não lhe perguntei se experimentou nem o que achou do resultado mas acabei por constatar que a minha querida mãezinha, sem saber, preparou-me verdadeiros DETOX!  

Sumo verde:
1 fatia de abacaxi ou melão
100g de folhas de couve
1 colher de folhas de salsa
1 colher de folhas de hortelã
1 limão
1 copo de água

(tomar em jejum durante 15 dias)

Sumo vermelho:
3 cenouras
1/2 maçã
1/2 beterraba
1 laranja
1 pedaço de gengibre

(tomar durante 30 dias em jejum, a seguir ao sumo verde)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Por que os bebés africanos não choram?

Este texto veio parar em minhas mãos e eu identifiquei-me prontamente com a história dessa mãe queniana. Nisto, tenho de concordar que, culturalmente, e em muitos aspetos, o Brasil está muito próximo da África, o que é percetível em termos históricos. Como já contei, aqui, a minha primeira filha foi uma bebé muito "difícil", chorava muito, não dormia, foi muito exigente para uma mãe de primeira viagem como eu. Sem exageros, só conseguia cala-la enquanto dava-lhe de mamar; da mesma forma adormece-la, de modo que podem imaginar o meu cansaço e compreender como era difícil para mim fazer diferente! A dada altura deixei de lutar e resolvi seguir o conselho do pediatra que nos indicaram em Salvador (Bahia, Brasil), onde a minha filha nasceu. Precisava desesperadamente de apoio e, ao contrário da fórmula mágica que tinha ido a procura, o Dr. Plínio (não me recordo o apelido!), um experiente e conceituado médico perto dos 70 anos ou mais, foi peremtório: devia amamenta-la sempre que ela pedia - era esta a natureza, era para isto que nós, mulheres, tínhamos mama... nós é que desvirtuamos tudo (!?). E não tinha que me preocupar com mais nada, a não ser em amamentá-la exclusivamente até o sexto mês de vida. Depois percebi que, no Brasil, as latas de leite artificial ou suplemento alimentar para recém-nascidos vinham com a recomendação do Ministério da Saúde do aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses e continuado até os 2 anos de vida do bebé. Percebo que há questões sociais ligadas a esta recomendação mas foi o que eu fiz, voluntariamente ou não, até a minha filha completar 20 meses.

Com a segunda, porque era sem dúvida uma bebé diferente da primeira e, se calhar, porque tinha a mãe mais "europeizada", consegui manter o aleitamento materno até o seu quinto mês de vida mas já não de forma exclusiva.

A verdade é que tenho duas filhas saudáveis, amorosas e emocionalmente ligadas a mim. Fundamentalismos à parte, tenho duas filhas diferentes e tive desde o início de saber lidar com elas de formas diferentes, descobrindo aqui e ali maneiras de conforta-las e estarmos bem. Ainda assim, gostaria que o texto que partilho abaixo pudesse ser um ponto de reflexão, sobretudo, para as recém-mamãs que o lerem. De tudo, se puder numa única frase resumi-lo e exprimir aquilo que penso, diria, tal como a sábia avó africana: Decifrem os seus bebés, eles não vêm com cronómetro. 
"Eu nasci e cresci no Quénia e na Cote d'Ivoire. A partir dos quinze anos fui viver no Reino Unido. No entanto, eu sempre soube que eu queria criar os meus filhos (quando os tivesse) em casa, no Quénia. E sim, eu achava que iria tê-los. Eu sou uma mulher moderna Africana, com dois graus universitários, e uma mulher de quarta geração de trabalho, mas quando se trata de crianças, sou tipicamente Africana. A ideia é que não estamos completas sem elas, as crianças são uma bênção que seria uma loucura evitá-las. Na verdade é que esta questão nem sequer surgiu. 
Eu comecei a minha gravidez no Reino Unido. O desejo de regressar a casa era tão forte que eu vendi a minha prática, abri um novo negócio e mudei de casa e de país nos primeiros cinco meses após descobrir que estava grávida. Eu fiz o que muitas mães grávidas no Reino Unido fazem, ler vorazmente: Our Babies, Ourselves, Unconditional Parenting, tudo da Sears, a lista continua. (Minha avó comentou mais tarde que os bebés não lêem livros e realmente tudo que eu precisava fazer era "ler" o meu bebé). Tudo o que li, disse que os bebés africanos choram menos do que os bebés europeus. Fiquei intrigada com isso.
Quando cheguei em casa pude observar. Olhei para mães e bebés e eles estavam por toda parte, embora muito jovens os africanos, com menos de seis semanas, estavam em casa. A primeira coisa que notei é que apesar de sua omnipresença, é realmente muito difícil "ver" um bebé queniano. Normalmente são incrivelmente bem embrulhados, antes de serem transportados, ou amarrados pela sua mãe (às vezes pelo pai). Mesmo os bebés mais velhos são amarrados a toda a volta e são protegidos do meio ambiente por um grande cobertor. Seria a sorte alguém conseguir ver algo, fosse um olho ou o nariz. O embrulho é uma réplica semelhante ao útero. Os bebés ficam literalmente num casulo face às tensões do mundo exterior em que eles estão a entrar.

A minha segunda observação foi uma questão cultural. No Reino Unido, entende-se que os bebés choram. No Quénia, era completamente o oposto. O entendimento é que os bebés não choram. Se o fizerem, algo está terrivelmente errado e deve ser feito para corrigi-lo imediatamente. A minha cunhada inglesa resumiu bem. "As pessoas aqui", disse ela, "realmente não gostam que os bebés chorem, não é?"

Tudo fazia muito mais sentido quando eu finalmente cheguei e a minha avó veio da aldeia para me visitar. Quando isso aconteceu, minha filha teve um grande bocado a chorar. Desesperada e cansada, eu esqueci-me de tudo que eu já tinha lido e, por momentos, juntei-me ao choro. No entanto, para minha avó era simples, "Nyonyo (amamenta a tua filha)!" Foi a sua resposta.
Houve momentos em que era uma fralda molhada, ou porque eu a tinha colocado para baixo, ou porque ela precisava de arrotar, mas, principalmente, ela só queria estar no peito, não importa se estava a ser alimentada ou apenas a ser um conforto do momento. Eu usufruía mais da sua companhia e praticava co-sleeping (partilha de cama) com ela, eu estava a fazer uma extensão natural para o que era correto. 
De repente eu aprendi o segredo, não tão difícil, do silêncio alegre de bebés africanos. Foi uma simbiose simples, vi que exigia uma mudança total de ideias sobre o que deveria acontecer e um abraçar do que realmente estava acontecer naquele momento. O resultado foi que o meu bebé começou a ser alimentado muito muito mais do que eu já tinha lido, pelo menos  mais cinco vezes do que alguns dos horários mais rigorosos de alimentação que eu tinha visto.  
À cerca de quatro meses, quando algumas mães da zona urbana começar a introduzir sólidos, segundo diretrizes que lhes haviam recomendado, a minha filha voltou ao estilo de amamentação de um recém-nascido, ou seja de hora a hora e foi um choque total. Lentamente, nos últimos quatro meses, o tempo entre as mamadas começou a aumentar. (...) 
A maioria das mães do grupo da minha mãe e do meu bebé tinham começado a introduzir o arroz ao bebé (para esticar os alimentos) e todos os profissionais envolvidos na vida das nossas crianças, pediatras, mesmo doulas, disseram que esta atitude foi correta. As mães também precisavam de descanso e que tínhamos feito algo surpreendente ao chegarmos aos quatro meses de amamentação em exclusivo, e eles garantiram-nos que para os nossos bebés seria ótimo. Houve uma coisa que não me pareceu muito verdadeira, quando eu tentei, sem grande entusiasmo, misturar um pouco de mamão (o alimento tradicional para o desmame no Quénia) com leite materno que retirei e ofereci-o à minha filha, ela rejeitou-o.
Então eu liguei para minha avó. Ela riu-se e perguntou se eu andava novamente a ler os livros. Ela explicou-me cuidadosamente que na amamentação nada é linear. "Ela vai dizer-te quando estará pronta para o alimento - e seu corpo também." 
"O que vou fazer até lá?" Eu estava ansiosa para saber. "Tu fazes o que fizeste antes, amamentas regularmente." Então, a minha vida abrandou para o que parecia ser um impasse novamente. Enquanto muitos de meus contemporâneos, maravilhados com a forma como seus filhos começaram a dormir mais, depois de terem introduzido o arroz e mesmo de se aventurarem em outros alimentos, eu estava a acordar de hora em hora ou a cada duas horas com minha filha e digo aos meus pacientes que o retorno ao trabalho não fora bem como eu havia planeado. 
Logo descobri que, sem querer, eu estava a transformar-me num serviço de apoio informal para outras mães da zona urbana. O meu número de telefone estava a faz as rondas e muitas vezes enquanto eu alimentava a minha bebé eu começava a ouvir-me a pronunciar as palavras: "Sim, basta manter a alimentação dele/dela. Sim, mesmo que você tenha acabado de os alimentar. Sim, você pode até não conseguir tirar o seu pijama hoje. Sim, você ainda precisa de comer e beber como um cavalo. Não, agora não pode ser a hora de considerar o retorno ao trabalho, você não se pode dar a esse luxo." E, finalmente, eu assegurei mães, "Vai ficar mais fácil." Eu tive que confiar apenas neste último conselho, pois não estava a ser mais fácil para mim. 
Uma semana antes da minha filha fazer cinco meses, viajei ao Reino Unido para um casamento e para ela conhecer a família e amigos. Como eu tinha poucos compromissos, facilmente mantive a rotina da sua amamentação. Apesar dos olhares desconcertados de muitos estranho em vários locais públicos (a maioria das salas de amamentação foram designadas em casas de banho que eu simplesmente não conseguia usar) por eu amamentar a minha filha, nós continuamos.
Num casamento, as pessoas que estavam na mesma mesa que nós, comentaram: "É um bebé muito fácil embora não se alimente muito bem", uma outra senhora respondeu: "Embora eu tenha lido em algum lugar que os bebés africanos não choram muito." Eu não pude deixar de rir.
Sabedoria suave da minha avó:
1. Ofereça o peito a cada momento que a sua bebé estiver chateada - mesmo que tenha acabado de lhe dar mama.
2. Co-sleeping. Muitas vezes podes amamentar o teu bebé antes de estar completamente acordada, o que lhes permitirá voltar a dormir mais facilmente e descansar mais.
3. Leva sempre uma garrafa de água quente para a cama contigo à noite para mantê-lo hidratado e o leite fluir.

4. Amamenta a pedido do bebé (especialmente durante os picos de crescimento) e tenta obter o máximo de ajuda de quem estiver perto de ti. Poucas são as coisas que não podem esperar.
Lê o teu bebé e não os livros. A amamentação não é linear, ele vai para cima e para baixo e também em círculos. Tu és o especialista das necessidades do teu bebé."
Fonte: Blog «O Mundo é das Crianças».
Artigo original: Why African Babies Dont't Cry.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O que são pessoas tóxicas?

Li um artigo muito interessante e que me trouxe um novo conceito sobre pessoa. No meu dia-a-dia, estudo à fundo o que se define como "pessoa": pessoa jurídica, pessoa natural, pessoa humana, pessoa com personalidade jurídica, mas nunca até então tinha ouvido falar em "pessoa tóxica". Não que me fosse de todo estranha a existência de pessoas tóxicas mas, intuitivamente, sempre soube identifica-las e afastar-me delas. Um qualquer sentido próprio de defesa ou sobrevivência emocional que, assim que as acusa, dispara um alarme sonoro ininterrupto que me empurra (ou as empurra!) para bem longe! Não falha. Era tão mais fácil se trouxessem sinalizado em letras vermelhas e garrafais: «Perigo: Risco de intoxicação»! Mas como não, temos de ser nós a identificar estas personas non gratas, pondo em ação todos os alertas. Leiam o texto abaixo, postado por José Batista de Carvalho. É fabuloso!

"De fato estamos cercados de pessoas tóxicas.
Pessoas que são egocêntricas, manipuladoras, interesseiras, arrogantes, rancorosas, amarguradas, mal amadas, invejosas ou fracassadas, que não conseguem ver o sucesso ou a felicidade alheia. Enfim, pessoas sombrias que minam os relacionamentos e amizades com intrigas, críticas excessivas, falta de consideração e respeito pelo outro e abusos verbais ou físicos. Pessoas muito perigosas de se conviver.
Essas pessoas tóxicas acabam, de alguma forma, nos envenenando. Direta ou indiretamente, acabamos agindo por influência delas, seja com atitudes ou omissões. Muitas vezes acabamos agindo por impulso para evitar essas pessoas, ou, na pior das hipóteses, acabamos agindo da mesma forma. São pessoas nocivas, intoxicando nosso comportamento e nos levando a agir e a tomar decisões que, em outras circunstâncias poderiam ser completamente diferentes.
São tóxicas, porque conseguem despertar o que há de pior dentro de nós, não apenas no sentido de maldade ou crueldade, mas no sentido de perdermos a identidade, a autonomia, a energia, a iniciativa e o poder de decisão. Ficamos estagnados, hipnotizados, paralisados. São verdadeiros vampiros, sem Luz própria, que consomem nossa energia vital, que exploram e manipulam pessoas de acordo com os seus interesses e vivem às custas da energia dos outros para se sustentarem. 
Tóxicas são aquelas pessoas que sabem tudo a respeito da vida das outras pessoas, mas não conseguem administrar a própria vida. Sabem dar conselhos como ninguém tem um discurso lindíssimo para o mundo lá fora, mas que, na vida pessoal, nos bastidores, na vida íntima, são pessoas frustradas, isoladas, verdadeiras ilhas no meio da sociedade, que não tomam para si os próprios conselhos. 
Sabem olhar de fora, apontar defeitos, problemas, erros. Mas não sabem participar, não conseguem enxergar os próprios problemas ou defeitos. Apontam os erros alheios para, de certa forma, esconder os seus próprios. São os “sabe-tudo” e só a sua forma de pensar é que está certa. Não suportam ser contrariados e confrontados. Quando o são, perseguem a pessoa até “livrarem-se” dela ou então se vingam. Seu ego é superlativo para compensar a sua extrema falta de Amor-Próprio. Usam as pessoas conforme seus interesses e, quando estas discordam de suas ideias, são descartadas e eliminadas, sem a menor consideração. 
A toxicidade reside exatamente no fato de não nos darmos conta de que estamos sendo manipulados ou influenciados. Ficamos hipnotizados, fascinados, imersos numa imensa ilusão, até o dia em que despertamos e tomamos consciência de que estamos muito mal, morrendo por dentro, e que algo urgente necessita ser feito. Um corte para a nossa libertação, para resgatar a nossa sanidade, saúde, alegria de viver. 
Em nossa busca pela felicidade, por tudo aquilo que nos traz bem-estar e alegria, o grande segredo é não se deixar influenciar, se afastar e evitar a convivência com esses tipos. Isso não significa alimentar sentimentos negativos dentro de si com relação a eles, mas de preferência visualizá-los felizes e agradecidos em sua vida, emanando energias e vibrações positivas. 
Reflita, você convive intimamente com alguma pessoa tóxica, seja na família, no trabalho, ou nas “amizades”? 
Tenha cuidado, afaste-se, fique longe o quanto antes dessas pessoas. 
Cuide-se, preserve-se, seja você mesmo, seja pleno e feliz. 
E acima de tudo sempre perdoe essas pessoas, muitas vezes, elas não tem consciência de seus próprios malefícios".
Fonte do texto: <http://universonatural.wordpress.com/2013/05/24/voce-convive-intimamente-com-alguma-pessoa-toxica/>.      

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Afinal, não há roedores na Coca-Cola!

Lembram do post «Eu bebo sim, e estou vivendo», sobre o caso de um rato encontrado numa garrafa de Coca-Cola e que teria intoxicado um consumidor brasileiro? Pois é, o processo foi julgado e o pedido de indemnização considerado improcedente, por falta de prova e de nexo causal entre a condição física e psicológica do autor e a ingestão do refrigerante. As conclusões dos peritos foram no sentido de que "não é possível a aparição de um corpo estranho do tipo observado visualmente na garrafa lacrada... sem que tenha ocorrido ruptura do lacre". Ademais, os médicos atestaram que o autor é portador de transtornos de personalidade e de comportamento, sem relação com os factos.

Portanto, os apreciadores da Coca-Cola, pelo menos no que diz respeito aos roedores, podem continuar sem receios!

A decisão pode ser consultada, aqui.  

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Novembro Azul, é só para homens!

Fonte: Imagem retirada da Internet
Depois do Outubro Rosa, dedicado à consciencialização da população sobre o cancro (câncer) da mama, agora é a vez do Novembro Azul, que visa lançar o alerta aos homens para os riscos do cancro da próstata e outras doenças masculinas, como o diabetes mellitus. Segundo as pesquisas, este é o sexto tipo de cancro mais comum no mundo e o mais comum nos homens. E a razão para esta alta incidência está no preconceito que gira em torno do exame que deteta a doença, chamado de toque retal. Além deste exame, a dosagem do PSA no sangue são de suma importância para a saúde masculina e é recomendado para todos os homens a partir dos 45 anos. O cancro de próstata é tipicamente associado ao envelhecimento, tendo o seu ponto alto de ocorrência a partir dos 60 anos. Os sintomas mais comuns são dificuldade de urinar, frequência urinária alterada ou diminuição do jato da urina. Os fatores de risco incluem idade acima dos 50 anos, histórico familiar, fatores hormonais e ambientais, dieta alimentar rica em gorduras e açúcares, sedentarismo e excesso de peso. 

Mas a boa notícia é que, quando precocemente diagnosticado e tratado, os riscos de mortalidade são reduzidíssimos! Portanto, homem que é homem, enfrenta o medo e a vergonha e faz os seus exames. Toquem a ir ao médico!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Tatoos Rosa

Fonte: Imagem retirada da Internet
Está chegando ao fim o Outubro Rosa, mês dedicado à consciencialização de toda a sociedade, sobretudo das mulheres, para a importância de se prevenir e diagnosticar precocemente o cancro (câncer) de mama. A campanha começou em 1990, nos Estados Unidos, e desde então é realizado em locais variados por todo o mundo.

Para sinalizar este mês, mostrei, aqui, o ensaio fotográfico realizado por Bzerzinski-Coley, uma paciente oncológica que quis deixar a todas as pessoas uma mensagem positiva, como forma de dizer-lhes que, apesar da doença, é possível sentir-se bonita e sensual. Reconhecidamente, um dos maiores problemas para as mulheres quando se deparam com o diagnóstico é aceitar a mutilação, conviver com as cicatrizes permanentes deixadas pela mastectomia. E, neste aspecto, trago hoje um belíssimo trabalho desenvolvido por tatuadores em mulheres que conseguem superar a doença, ajudando-as no processo de recuperação da autoestima. O projeto chama-se P.INK (Tatuagem Pessoal), surgiu nos Estados Unidos e tem como precursora Molly Ortwein. Vejam abaixo o emocionante documentário com a história contada pela própria Molly: 

     

terça-feira, 8 de outubro de 2013

As imagens de Jill dão cor ao Outubro Rosa

Jill Bzerzinski-Coley tem 35 anos e vive no Kentucky (EUA). Um dia antes de completar 32 anos, foi-lhe diagnosticado um cancro (câncer) de mama. Jill passou por uma mastectomia dupla, 16 sessões de quimioterapia, 31 de radioterapia e duas cirurgias reconstrutivas, mas, infelizmente, um novo exame detectou metástase nos ossos, retirando-lhe qualquer esperança de vida.

Todos devem conhecer uma história semelhante! Eu perdi para o cancro, pelo menos, uma grande amiga aos 32 anos de idade. A minha amiga ambicionava ser magistrada, era jovem, estudiosa e cheia de sonhos. Ser confrontada com uma realidade como esta é um golpe duro para quem tem vinte e poucos anos. Para a família da minha amiga foi desespero, desalento e dor. Diz-se que esta doença, de fato, é muito mais agressiva quando acontece antes dos 40 anos (com mais probabilidade de reincidência) e foi o que lhe aconteceu.

A minha amiga não teve tempo de deixar sua história escrita, lutou até o fim, tarde se apercebeu que a morte lhe havia vencido! Ao contrário, Jill já aceitou o seu destino, mas antes, quer que a sua história inspire outras pessoas, homens e mulheres do mundo inteiro, para que se sintam confiantes com o seu próprio corpo. Hoje, sua maior luta é alertar sobretudo as mulheres jovens para o cancro de mama. Assim, Jill contactou sua amiga fotógrafa Nikki Closer, que por sua vez convidou a fotógrafa de retratos Sue Brycer, e se deixou fotografar ao estilo de uma princesa, cujo ensaio, realizado em Paris, tem circulado o mundo através da Internet. A mensagem que se pretende transmitir, principalmente para as pessoas que vivem com a doença, é a de que, apesar disto, podem se sentir bonitas e sensuais.

E é assim que eu gostaria de reportar o Outubro Rosa, mês mundialmente dedicado à consciencialização popular sobre a importância do diagnóstico precoce e tratamento do cancro de mama, doença que mais mata mulheres em todo o mundo. Vamos deixar que as imagens de Jill falem por si, que nos alerte para o quão real é o cancro de mama, mas que ao mesmo tempo nos toque profundamente e nos motive, notadamente neste mês de Outubro, a dedicar algum tempo a nos examinar e fazer os nossos exames de rotina, assim como a repassar esta mensagem a todas as nossas amigas e mulheres de nossa família.

As imagens do ensaio fotográfico de Jill Bzerzinski-Colley podem ser vistas aqui. Jill também inspirou o documentário "The light that shines", que pode ser visto aqui.

Por fim, sugiro uma visita ao blog Minha Vida Comigo, escrito pela jornalista Vânia Castanheira, que se diferencia pela forma positiva como Vânia fala sobre a doença, o seu tratamento, sexualidade, nutrição, espiritualidade e aquilo que chama de "câncer da alma".

Quanto à nós, vamos combinar que levaremos o mês Rosa, literalmente, à peito, para o nosso bem e de todos aqueles que amamos.

(Em memória de Ivana Queiroz)
 
      

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Na clandestinidade

O Sábado passado, dia 28 de Setembro, foi marcado como o Dia Latino-Americano de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto. Sobre isto, vou falar de forma direta: 

Como mulher (neste caso, também como brasileira) e como mãe, não posso estar de acordo com a realização do aborto como algo naturalmente aconselhável, como um método contraceptivo; mas também não o vejo, como entendem alguns, como o simples ato de "matar criancinhas". Como jurista (neste caso, também como mulher), luto pelo cumprimento dos direitos consagrados internacional e constitucionalmente, sou contra toda a forma de discriminação, sou a favor da liberdade e prego a total separação entre Estado e moral. É neste terreno, movediço, que se situa o problema do aborto. Problema que cresce de tamanho quando fixados os olhos nos dados de uma pesquisa realizada em 2010, no Brasil, onde se verifica:
  1. 1 em cada 5 das mulheres entrevistadas, já realizaram aborto ao completar 40 anos;
  2. 1 milhão de abortamentos clandestinos e 250 mil internações por complicações é realizado anualmente no Brasil;
  3. 1 brasileira morre a cada 2 dias em consequência de abortamento inseguro;
  4. Em 2012, mais de 197 mil curetagens foram realizadas pela rede pública hospitalar, em decorrência de abortamentos provocados e espontâneos;
  5. A incidência de abortos entre mulheres de diferentes religiões é praticamente igual.
É muito importante ter em mente que aborto clandestino é diferente de aborto inseguro. Na verdade, a clandestinidade tem a ver com a proibição legal. Mas na impossibilidade, a mulher decidida a abortar, se tem recursos financeiros, desloca-se a uma clínica privada e desembolsa cerca de 2 mil dólares para a realização do procedimento de forma segura; caso contrário, recorre a métodos caseiros, sem nenhum cuidado com higiene ou assepsia, correndo risco de vida. Daí que, o grande problema do abortamento clandestino, e que se combate, é a desigualdade social.

A proibição legal não impede e nem faz diminuir o número de abortamentos. Basta dizer que, no Uruguai, desde a descriminalização do aborto ocorrida em Outubro de 2012, notou-se uma queda vertiginosa tanto no número de mortes maternas quanto no de abortos realizados, que passou de 33 mil por ano para apenas 4 mil. A experiência brasileira é ainda mais desastrosa, quando considerada a falta de uma política de planeamento familiar eficiente.

Por tudo isto, longe de minhas concepções pessoais, longe de ser bom, longe de ser recomendável, a legalização do aborto sob determinadas condições é sentida como uma necessidade de saúde pública. O aborto, na grande maioria das vezes, vem na sequência do abandono, do desemprego, do desespero. Julgar e condenar essas mulheres, lança-las na fogueira da opinião popular, é talvez uma crueldade maior do que a dor que já sentem. Portanto, a questão se resume em dar a elas o direito de decidirem de acordo com a sua própria consciência e medida.


Fonte: Pública

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Em busca de um coração feliz

Não sou terapeuta nem cardiologista, portanto, não é com propriedade que falo. Mas cada vez mais, tenho dado importância a tudo o que possa contribuir para a definição, deveras abstrata, daquilo que se possa considerar "qualidade de vida". Tenho um historial familiar repleto de diabetes, infarto do miocárdio e problemas renais, de modo que, muito cedo, não somente por uma questão minha quase esquizofrénica - admito! - pela manutenção do "peso ideal", aprendi a controlar aquilo que ingiro, afasto-me o mais que posso do sal e do açúcar - e posso muito medianamente! -, recuso-me perentoriamente a ceder a todas as possíveis tentações dos vícios e me obrigo a exercitar o corpo, este oráculo da mente, cerca de três vezes por semana, a bem das minhas fortes dores lombares. 
Fonte: Imagem retirada da Internet

O marido partilha de minhas preocupações, mas nesta fase dos 40 a sua tensão maior está em "viver a vida" abundantemente. E às vezes dou por mim a observá-lo, quase adormecida, a referir-se a ela como sendo um grande parque de diversões aquático, com tobogãs gigantes, situado numa estância balneária nos arredores de Marrocos ou Egito, que é para conjugar com windsurf, trilhas e viagens sem fim pelos areais dos desertos! Mas eu o entendo, compreendo que, até para mim, que cheguei nesta fase convencida de que o melhor da vida é a regularidade daquilo que esforçamo-nos para construir, a vida por vezes é claustrofóbica. No entanto, quando vejo ao meu redor a vida escapar por entre os dedos de quem, já agora, contenta-se apenas em mante-la aprisionada num corpo que desfalece, percebo, aliviada, que o melhor da vida é tão somente a vida, saudável e linear.

Por isto, hoje venho aqui, recordada de um texto que li outro dia escrito por um médico cardiologista de nome Ernesto Artur, que achei precioso e que me parece importante partilhar. Traz-nos conselhos sobre como ter um coração saudável, longe do infarto. O que mais me surpreendeu é que são atitudes simples de adotar, mas que, maioritariamente, praticamos de forma inversa. Mantive a fidedignidade do conteúdo do texto, mas fiz algumas pequenas alterações (literais) de forma a melhor adapta-lo ao contexto deste blogue. Vejamos:
  1. Não ponha o trabalho à frente de tudo. As necessidades pessoais e familiares são prioridades.
  2. Não trabalhe aos sábados o dia inteiro e, de maneira nenhuma, trabalhe aos domingos.
  3. Não permaneça no local de trabalho após o expediente e não leve trabalho para casa ou trabalhe até tarde.
  4. Ao invés de dizer "sim" a tudo que solicitarem, aprenda a dizer "não".
  5. Não procure fazer parte de todas as comissões, comités, diretorias, conselhos e nem aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios, etc.
  6. Tome o café da manhã (pequeno almoço) ou uma refeição, de forma tranquila. Não aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou realizar reuniões importantes.
  7. Pratique atividade física, tal como ginástica, natação, caminhada, pesca, futebol, etc.
  8. Saia de férias. Ninguém é de ferro!
  9. Não centralize o trabalho, aprenda a delegar.
  10. Se se sentir cansado, sem energia ou desestimulado, não tome qualquer medicação sem antes procurar um médico.
  11. Não tome calmantes ou sedativos, seja de qual tipo for. O uso contínuo dessas substâncias, faz mal à saúde.
  12. Por fim, o mais importante: Permita-se ter momentos de oração, meditação, audição de boa música e reflexão sobre a vida. Isto não é só para crédulos e tolos sensíveis; faz bem à vida e à saúde.
À todos, vida longa!
 
      

sábado, 21 de setembro de 2013

"Eu bebo sim, e estou vivendo"

Eu até tentei, esforcei-me, não queria comentar! Primeiro, porque o único refrigerante que bebo é a Coca-Cola Zero (e ainda mantenho todos os meus movimentos!); depois, porque há um processo judicial em busca da verdade material pendente de julgamento (está em fase de razões ou alegações finais, em seguida irá concluso para sentença). Mas é tanto o alarde, é tanto que se fala, que o meu lado sarcástico não se conteve calado, foi mais forte do que eu.
 
Sabem ao que me refiro. Ao tal rato encontrado numa garrafa de Coca-Cola que alegadamente intoxicou o consumidor brasileiro Wilson Batista de Rezende, provocando-lhe sequelas  graves e irreversíveis. Wilson requer danos morais (e não percebi porque não haveria de pedir também os materiais!) à fabricante do refrigerante no Brasil, no valor de R$ 10.000,00, soma que considero bastante reduzida tendo em conta não somente os danos que alega, como também o poder económico da Ré. O processo realmente existe e pode ser consultado, aqui.
 
Assisti atenta ao vídeo que circula com a reportagem feita por uma rede televisiva e que pode ser visto aqui, o que, parece-me, foi o que espoletou o caso para o conhecimento público. Num primeiro instante, fiquei chocada. Mas depois, com a sagacidade que se adquire quando se está de um dos lados da lide, refiz-me.  Passado uns dias, a Coca-Cola manifestou-se sobre o episódio em sua página oficial, esclarecendo que "é praticamente nula a possibilidade de haver a entrada de roedores em [sua] área de fabricação, que é controlada por rígidas normas de controle de qualidade e higiene".
 
Bem, de fato, transcorridos 13 anos desde a data do acontecimento, é pouco provável que o animal mantenha-se intacto embebido em substância aquosa possivelmente ácida e venenosa, corrosiva, tal como alegado pelo consumidor! Penso que os exames periciais serão decisivos, mas até o trânsito em julgado, há muito o que se diga.
 
No entanto, uma outra questão muito importante veio à tona, que é o fato da Coca-Cola fabricada no Brasil ter cerca de 60 vezes mais o corante Caramelo IV (4-metilimidazol), cuja quantidade foi obrigatoriamente reduzida nos Estados Unidos após estudos comprovarem que a substância é potencialmente cancerígena. A Coca-Cola defende-se sob o argumento de que o uso do Caramelo IV segue critérios definidos pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e não indica riscos à saúde. De todo modo, ao meu ver, se o Tio Sam diminuiu a quantidade da substância de sua Coca-Cola,  os critérios da ANVISA passam a ser no mínimo duvidosos!
 
Por fim, neste quadro horrendo e cheio de ambivalências, o que verdadeiramente sobressai é o humor característico do povo brasileiro que, beirando a crueldade, não deixou escapar a oportunidade de criar o novo logotipo da Coca-Cola. Enquanto isto, Coca-Cola a mais ou a menos, a verdade é que não se fala em outra coisa. Bom para quem, ainda não se sabe, mas decerto não há como não achar piada - e digo, mesmo com todo o respeito às pessoas que sofrem! De minha parte, vou continuar a beber a minha "Cola" Zero, que se não me mata, também não me engorda. Mas avisem-me caso encontrem roedores em conserva!  

 
 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Vamos salvar o Renato!

Não conheço o Renato. Não sei quem ele é, o que ele faz, onde vive, com quem mora, do que ele gosta, por onde ele anda. Não sei nada sobre o Renato, mas isso deixou de ter importância. O que sei é que o Renato tem amigos, tem família, tem um sorriso bem bonito e, por azar, tem uma doença oncológica. O Renato precisa de ajuda. Sabendo disto, os amigos do Renato mobilizaram as redes sociais e lançaram um grande pedido de socorro. Querem, desesperadamente, salvar o Renato. E talvez seja possível, através de um tratamento de células dentríticas, realizado na Alemanha, cujo valor total gira em torno de €50.000,00. Alguns poderão pensar que há muitos "Renatos" por aí afora! Mas digo-lhes, que se pudermos fazer algo por um que seja, já faremos uma grande diferença. Assim, penso que também é importante dar a conhecer a Associação Projeto Safira, a qual tem apoiado e intermediado a ida do Renato para a clínica alemã, dando-lhe o suporte necessário na preparação da viagem e esclarecimentos sobre o funcionamento da terapia. Esta Associação, dentre outras missões, pode ajudar doentes oncológicos a encontrar alternativas aos tratamentos convencionais. 

No caso do Renato que vos falo, caso possam e queiram ajudar, partilho abaixo os dados da conta para o envio de donativos, na Caixa Geral de Depósitos (Portugal), titular Renato Rodrigues:
 
 
Para mais esclarecimentos, consultem a página Vamos salvar o Renato, no Facebook. Uma grande forma de ajudar também é partilhando esta informação, fazendo-a chegar ao maior número possível de pessoas, sobretudo àquelas que, como o Renato, precisam de esperança e de saber mais sobre a doença e sobre alternativas de tratamento.  

Um grande viva ao Renato!
 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O Estatuto do Nascituro deixa-me triste e desiludida!

Confesso que não acreditava, mas aconteceu! No passado dia 05, o Estatuto do Nascituro, de que falei aqui, foi aprovado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, no Brasil, e segue desenfreado para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a última desta Casa. É parte da vitória da estupidez sobre a razão!
 
Não sei o que pensar! Quero continuar confiando na Ciência e nos seus Operadores acima dos dogmas e da moral; quero acreditar que o esforço para a construção de um país verdadeiramente democrático, pautado numa Constituição que tem a dignidade humana como motor, não seja em vão.
 
Mas se isto prosseguir, caso uma mulher, ou mesmo uma menor, seja vítima de violência sexual e engravide em decorrência desse crime contra a sua liberdade, terá de deixar nascer o filho do violador. E se uma mulher estiver em risco de vida e a interrupção da gravidez for o único meio de salva-la, terá de morrer. 
 
Vejo a história andar para trás. E de cá do outro lado do Atlântico, assisto triste e paralisada. Vejo as mulheres voltarem às ruas para protestarem, de Constituição em riste, pelo cumprimento dos seus direitos constitucionais. E isto me toca, me assusta, também me ofende!  

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A dermatite atópica, vista pelo Pediatra José Carlos Ferreira Guimarães

Quem leu o post «Onde dorme um português, dormem dois ou três», sabe da verdadeira confiança e admiração que tenho pelo Dr. José Carlos Ferreira Guimarães, Pediatra de minhas filhas. É claro que eu tenho a sorte de ter duas filhas saudáveis, mas o Dr. Guimarães também tem o poder de, com sua calma natural, desmistificar todas as minhas paranoias de mãe. Tem sempre uma palavra acertada, que eu imagino que só é possível devido a sua larga experiência na Medicina, e não raramente eu saio do seu Consultório pesando menos 10kg só de peso na consciência! Por isso, não me canso de recomendar o Dr. Guimarães a todos que me solicitam a indicação de um Pediatra.
 
Assim, na semana passada, virose vai, virose vem, fomos ter com o Dr. Guimarães, aproveitando também para a consulta de rotina das meninas. Com relação à Eva, a única coisa que me preocupa é a sua dermatite atópica. Desde que nasceu, volta e meia aparece-lhe uma manchinha vermelha no pescoço, que eu trato invariavelmente com creme hidratante e outro com corticoide nas ocasiões mais intensas. Mas aborrece-me que isto não ceda definitivamente! Então, o Dr. Guimarães entregou-me este texto que agora vos partilho e que responde a todas as dúvidas!
 
Antes, deixo-lhes os contatos do Pediatra que tem as minhas melhores indicações: 
 
José Carlos Ferreira Guimarães
Rua D. João V, 4 - 1º Esq. - 1250-090 Lisboa
Tel. 21 385 33 08
 
“A dermatite atópica ou eczema atópico é uma inflamação crónica da pele, que afeta até 10% das crianças e 1-3% dos adultos.
Não tem causa específica mas existe uma predisposição para a doença que é hereditária.
A atopia é uma tendência para reagir exageradamente produzindo anticorpos contra alergénios que não desencadeiam nenhuma reação nos não atópicos. Estes alergénios podem ser do ambiente (pólen, pó da casa, pelo de animais), alimentos (leite de vaca, ovo, etc), vestuário (lã, materiais sintéticos), infeções da pele (vírus, bactérias, fungos) ou psicológicos (stress, nervosismo).
A atopia pode afetar sobretudo o aparelho respiratório (asma), as vias aéreas superiores (rinite), os olhos (conjuntivite), o aparelho digestivo (alergia alimentar) ou a pele (dermatite atópica).
Sintomas
Os primeiros sintomas são pele seca, desidratada, surgindo uma erupção com manchas vermelhas, algumas crostas e exsudado, que se acompanham de intensa comichão. A comichão é pior à noite, após o banho e nas situações de stress.
Estes sintomas não são permanentes podendo durar alguns dias ou prolongar-se várias semanas.
A comichão origina coceira, danificando a pele que fica seca, com crostas, com exsudado e vermelha, libertando-se várias substâncias entre elas a histamina, o que agrava a comichão num ciclo vicioso.
Nos primeiros anos de vida, as crianças além de se coçarem podem dormir mal, choram continuamente com grande irritabilidade. Nesta idade a face, bochechas, pescoço e ancas são as zonas mais afetadas. Os braços e pernas também podem ser afetados, mas a zona das fraldas geralmente é poupada. Estas lesões tendem a melhorar depois dos 2 anos.
Nos mais velhos em idade escolar, as pregas cutâneas (cotovelos, pulsos e parte detrás dos joelhos), são as zonas mais afetadas, mas a região palpebral, em volta da boca, no pescoço, palmas e plantas das mãos e pés também podem ser afetadas.
Na adolescência, a dermatite atópica pode persistir por períodos prolongados, nas mãos e pregas cutâneas, mas em áreas mais reduzidas e muitas vezes desaparecendo com a idade adulta.

Tratamento
Evitar os fatores desencadeantes ou agravantes, nomeadamente o pó da casa, bonecos de peluche, polens, pelos de animais, certos alimentos, perfumes e os climas frios e secos.
É fundamental usar regularmente creme hidratante (emoliente) que protege a pele da secura e dos alergénios e germes, aplicando 2 vezes/dia nas zonas afetadas. Os cremes devem manter-se em local fresco para, ao aplicar, arrefecerem a pele aliviando a comichão.
Os banhos de óleo são úteis hidratando e protegendo a pele. Não devem prolongar-se (preferir duche rápido) e a água não deve estar muito quente. A pele deve enxugar-se com toalha macia e sem esfregar.
Coçar a pele agrava a inflamação. É preferível massajar ou dar pancadinhas nas zonas afetadas para aliviar a comichão. Manter as unhas curtas.
Usar roupas macias, de preferência de algodão, linho, seda ou microfibras, evitando tecidos ásperos, lã, nylon ou poliamida.
Para além de tratar a pele com hidratantes, na fase aguda pode ser necessário aplicar anti-inflamatórios (corticoides) em cremes ou pomadas, que inibem a inflamação reduzindo a comichão.
Nalgumas situações moderadas a graves, em crianças com mais de 2 anos, podem usar-se cremes sem corticoides (inibidores da calcineurina) que afetam o sistema imunitário da pele, controlando a inflamação”.