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quarta-feira, 11 de maio de 2016

DIVÓRCIO, por Arnaldo Jabor

Como advogada fiz alguns divórcios, uns tantos de amigas. Uma delas, amiga pra caramba, casou sem meu consentimento e depois fiz-lhe o divórcio, contrariada. Avisei-a! Ela voltou a casar umas três vezes mais com o ex-marido. Meu trabalhinho perdido! Daí entendi que o bom mesmo é casar. Eu vou no meu terceiro ou quarto casamento. Com o mesmo homem. Não desisto dele, mesmo quando estou a rasquinha! Para quê? A gente já conhece nossos probleminhas. No fim das contas, mudam-se só os parceiros. A história pelo meio é sempre mais ou menos igual: o tempo, a vida, os filhos, o dinheiro, o sofá... Eu cá aviso-lhe: "É preciso abrandar, temos filhas pequenas para criar." E casamos de novo. Bom mesmo é casar!

Que texto maravilhoso do Jabor! Das coisas escritas que a gente deve ler e guardar, vezes sem conta...

Meus amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue: 
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher. 
Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu. O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher. 
O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. 
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? 
Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção? 
Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 kg em um único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? 
Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a frequentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge. 
Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. 
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos. 
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento. 
Mas se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior. 
Não existe essa tal “estabilidade do casamento” nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. 
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no inicio do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família? 
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Portanto descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo interessante par. Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário se casar de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par. 
Como vê, NÃO EXISTE MÁGICA – EXISTE COMPROMISSO, COMPROMETIMENTO E TRABALHO – é isso que salva casamentos e famílias.”
(Arnaldo Jabor)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ninguém disse que iria ser fácil

Fonte: Internet

Acordei no domingo estava o dia ainda a dormir e, apesar da meteorologia prever um dilúvio, vesti-me para cumprir o meu desafio: correr a Meia Maratona. No telemóvel, a mensagem do meu companheiro de corrida: "Cheguei. Traz fato de surf."

Mas como dizem que principiantes contam com a sorte do seu lado, a chuva não apareceu. Fez-se bem, os 21.095km, em aproximadamente 2h18m, na calma. Mais fácil do que previa.

Hoje, já refeita das pernas, voltei à minha prova de fogo, a que exige concentração e silêncio, uma dose de solidão. Esta, mais difícil do que previa. 

A verdade é que nem tudo é como imaginamos. Quantas vezes o controlo escorrega-nos pelos dedos? A indecisão pega-nos na curva, joga-nos contra a parede e nos vira tudo do avesso. Custa muito, muito mesmo, lutar pelos nossos sonhos quando a vida parece nos sugerir soluções mais fáceis - mais cómodas, talvez! 

É sempre mais fácil desistir do que esforçar-se por merecer. 

É sempre mais fácil dormir mais um pouco do que levantar-se e fazer-se à vida.

É sempre mais fácil deitar fora do que reparar os estragos.

É sempre mais fácil acusar do que admitir os próprios erros.

É sempre mais fácil adiar uma decisão do que focar-se nos objetivos.

Ninguém disse que iria ser fácil e se te disserem o contrário, duvides. Confesso: também eu tropeço, também eu titubeio, cambaleio em sonhos. Agora, sê grande, põe-te firme, não te deixes corromper. Tu e eu. Que a vida, esta deusa sedutora, tanto nos dá como nos tira.    

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Convocatória: Educar para a igualdade e a não violência. Nosso silêncio nos faz cúmplices.

Está a decorrer em Lisboa, hoje e amanhã, a Conferência Internacional A Convenção de Istambul e os Crimes Sexuais, promovida pela APMJ - Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, no âmbito da celebração do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher (25 de Novembro).

Acabei de ouvir: 

"A prostituição não é a profissão mais antiga do mundo. A prostituição é a forma de violência sobre as mulheres mais antiga do mundo." (Dep. José Mendes Bota, Conselho da Europa)
"Se a nossa linguagem é masculina, a nossa imaginação é masculina." (Dra. Teresa Féria, Juíza Desembargadora)

E entre outras coisas importantes, falou-se sobre a nossa passividade diante da violência doméstica. Mesmo sem sermos agressores, saber que a violência vitima a nossa família, o nosso bairro ou a nossa casa vizinha, e nada fazer, também é uma forma de perpetuá-la. Falou-se sobre a importância de discutirmos o assunto, que deveria ser matéria imposta nos planos curriculares do ensino básico e secundário, tal como prevê a Convenção de Istambul, vinculativa para os Estados-membros signatários, inclusive Portugal. 

Por isso, se pelo menos as nossas escolas não abordam o assunto de forma obrigatória, como deveria, pensei que uma forma de minimizar a lacuna é discuti-lo em nossas casas, em prol de todos nós. Decidi que hoje, depois do jantar, vou reunir minha família para falarmos sobre a igualdade entre homens e mulheres, meninos e meninas, e a não violência entre nós. Convoco-os a fazerem o mesmo em casa: uma tertúlia sobre a igualdade e a paz. Terminamos com um desenho sobre aquilo que sentimos e partilhamos na nossa página do Facebook, o que acham?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Violência contra as Mulheres? Basta!

25 de Novembro é assinalado como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Um dia para lembrar que:

  • 7 em cada 10 mulheres no mundo já foram ou serão violentadas em algum momento da vida (ONU);
  • O feminicídio é o assassinato intencional de mulheres apenas por serem mulheres (OMS);
  • Mais de 35% dos assassinatos de mulheres no mundo são cometidos por um parceiro íntimo (OMS e Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres).
  • Mais de 5 mil mulheres no mundo são mortas por ano por crime de honra (ONU);
  • 25 mil mulheres recém-casadas são mortas ou mutiladas a cada ano em razão de violência relacionada ao dote;
  • Mais de 100 milhões de meninas poderão ser vítimas de casamentos forçados nas próximas décadas (UNICEF);
  • Cerca de 6 mil mulheres por dia sofrem mutilação genital (ONU).

Basta de violência!

Fonte: Terra.  


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

"Aqui ninguém toca" - Como falar sobre abuso sexual com as crianças

Aconteceu comigo. Há uns dias a minha filha de 6 anos disse-me que um menino mais velho aborreceu-lhe, nas suas palavras "gozou com ela", e que tocou-lhe só para chateá-la "um pouco abaixo do umbigo". A situação estava dentro da normalidade e controlo mas aquilo me deixou em alerta. Pensei: "Está na hora de falarmos sobre um assunto sério e delicado: quais as partes do corpo que não devem ser tocadas e o que fazer caso isso aconteça". 

Foi assim que descobri a regra "Aqui ninguém toca", criada pelo Conselho da Europa para ajudar pais e educadores a falar sobre abuso sexual de crianças, explicando aos mais pequenos como reagir se isso acontecer e onde procurar ajuda.

A regra consiste em não deixar tocar nas partes do corpo "normalmente cobertas pela roupa interior" assim como não o fazer aos outros. Possui 5 princípios importantes:
1. O teu corpo é só teu.
2. Há contato físico bom e contato físico mau.
3. Há segredos bons e segredos maus.
4. Existem adultos que podem ajudar e que são responsáveis (círculo de confiança). Conte-lhes.
5. Há agressores conhecidos e agressores desconhecidos.   
Todas as informações sobre como ensinar a regra "Aqui ninguém toca" podem ser consultadas, aqui. Para explicar às crianças de forma simples, utilize um livrinho com a divertida história de Kiko e a mão. O livro pode ser descarregado, aqui. 

Mais informações no site, aqui.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Férias. Primeira parte: Estamos a voar

Férias. Estamos de férias do trabalho, da escola, da nossa casa; apesar de que, para mim, viajar para o Brasil não signifique propriamente "ir de férias". Mesmo assim, aproveitamos e matamos saudades, mais que tudo. Perguntam-me como consigo viajar sozinha com duas crianças, uma com 2 e outra com 6 anos, mantendo-as a colaborar desde as 8 horas de vôo - que, no nosso caso, aumentaram para 11 horas devido a dificuldades de pouso em Salvador face ao mal tempo. Voltamos para Recife, abastecemos, esperamos e lá se foram mais 3 horas de vôo. As meninas foram impecáveis! O segredo? Começo a doutrina-las um mês antes de viajar: que precisam ajudar a mama; que a mais velha deve ajudar com a mana; que quem não tem paciência não pode viajar; que devem esperar ao lado do carrinho enquanto a mama apanha as malas... e compreenderam tudo muito bem. A verdade é que são umas queridas!

A propósito das malas: O primeiro desafio é viajar com o menos possível. Consegui reduzir tudo, para um mês de viagem, em três malas pequenas; uma mochila com computador, máquina fotográfica e documentos e outra mais pequena ainda, partilhada pelas meninas, com um pequeno lanche para o caso de não gostarem da comida do avião, uma peça de roupas e fraldas para uma emergência - que por sinal foram necessárias, já que a mais pequena anda no processo de largar definitivamente as fraldas. Nessas ocasiões, é melhor não arriscar.

É a minha primeira dica de viagem: organização, disciplina e muita diversão. 


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Perder, Ganhar, Viver (Drummond, por nós, 32 anos depois)

Foto: Pedro Bolle / USP Imagens
Em tempos de futebol e goleadas, ocorreu-me uma crónica do inesquecível poeta Carlos Drummond de Andrade, publicada em 7 de Julho de 1982, no Jornal do Brasil. Drummond era aficionado por futebol e escreveu inspirado na eliminação da seleção brasileira do Mundial de 82, depois de sofrer uma derrota por 3 a 2 para a Itália. O povo estava inconformado, um sentimento de frustração coletiva que só se viu antes com a perda do Mundial de 50 por 2 a 1 para o Uruguai. Nada, entretanto, comparável a recente eliminação da seleção brasileira do Mundial que decorre, por 7 a 1 para a Alemanha. Na verdade, Drummond, com a sua sensibilidade, chamava o povo à realidade, lembrava a todos que há vida para além do futebol... e que é preciso continuar. Lendo o texto do Drummond, não pude deixar de notar, 32 anos depois, que hoje passa-se exatamente o que Drummond viu em 82. Mas, sobretudo, vi nesta crónica,  claramente, a perceção de Drummond daquilo que suplanta o futebol. Mais do que de futebol, Drummond fala de perdas, de derrotas, de aprendizagens e de recomeços. Fala de vida, da vida que segue em frente e que realmente importa.   

Vamos, então, recordar Drummond, já que, ao que tudo parece, a história sempre se repete.
Perder, Ganhar, Viver
Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubada um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas...
Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade autuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.
Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.
Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.
E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade? 
Fonte: Blog Bola e Arte 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Mundial do Brasil, Mundial dos Brasis!


Foto: Estúdios J.A.Santos
Começa hoje o Mundial do Brasil. Quero dizer: Mundial dos Brasis. Na verdade, temos muitos Brasis, de muitas partes do mundo, dentro de um Brasil só!  Temos Brasis que sorriem e Brasis que sofrem; Brasis que festejam e Brasis vencidos; Brasis que partem e Brasis que ficam. Temos, ainda, Brasis que regressam e Brasis que acolhem. Temos Brasis de muitas cores e de cor nenhuma; um Brasil que, de tanta diversidade, tornou-se único. Temos Brasis que mandam e Brasis que acatam; Brasis de favelas e também de Copacabanas. Temos um Brasil gigante com sonho de ser equânime. E que sonho! 

Foi sobre isto que estive a pensar. Estive, até hoje, a acompanhar daqui de longe todas as manifestações populares, notícias e comentários, uns mais otimistas e entusiasmados, outros mais inflamados. Mas não cheguei a perceber muito bem de que novidade se falava. E senti, por vezes, uma pontada de tristeza! Vi a minha pátria tão cheia de contrastes, tão cheia de pessoas tão desiguais, de índoles e ídolos tão diferentes! Vi um Brasil dividido.

Achei que não devia comentar, apesar de ter a minha opinião. Mas hoje é diferente. Hoje veio ao de cima uma alegria genuína, certa de que tudo vai correr lindamente e vai ser um grande Mundial. Porque é assim que somos. No final das contas, resta-nos um povo unido, acolhedor e festivo, como numa grande família de pessoas sempre às turras mas que se querem bem. 

E é com este espírito que quero sentir daqui de Portugal o Mundial do Brasil. Vou torcer para que seja um Mundial de todas as nações, unidas à volta de uma única e gigante nação: uma nação de muitas bandas, muitas línguas, mas sobretudo, uma nação mais fraterna, mais humana e mais justa. Vamos todos juntos torcer por isto.   

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Discriminação, racismo, xenofobia e brasileiras em Portugal

Assistindo ao programa Prós e Contras sobre o "Racismo" (Episódio 14), da RTP1, de 19 de Maio de 2014, fiquei a saber que o maior problema atualmente enfrentado em especial pelas mulheres brasileiras casadas ou vivendo em união estável com companheiros portugueses é a violência doméstica. A informação foi prestada pelo Dr. Ruy Casaes, Cônsul-Geral do Brasil em Lisboa. Sem anular o problema de forma generalizada, talvez a explicação relativamente a violência sofrida pelas mulheres brasileiras deva-se ao estigma ou origem social que dificulta a sua adaptação. E o problema é agravado, tendo em conta que essas mulheres muitas vezes são reféns da própria situação, dada a existência de filhos do casal e a não autorização para deixarem o país ou, ainda, a dependência económica e do visto de residência. Mas o enfoque dado às brasileiras deve-se apenas ao facto de representarem a maior comunidade de imigrantes em Portugal.

É um tema que cada vez mais vem preocupando a comunidade internacional e que atinge homens e mulheres de todas as nacionalidades, classe social, nível económico ou educacional. A violência doméstica é só uma vertente de um problema maior: a discriminação, sob a forma de racismo ou xenofobia. Especificamente neste caso, importa recordar que o fenómeno somente pode ser debelado através da denúncia às autoridades competentes e, ademais, há a possibilidade de requerer ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) um visto autónomo para permanência no país. Há solução, portanto. 

Ultimamente tem-se falado mais sobre o racismo, notadamente no desporto, em razão de casos midiáticos que ganharam a imprensa e as redes sociais. No entanto, o racismo sempre existiu, é grave, é crime; a violência igualmente.

O link para assistir ao programa encontra-se aqui. É obrigatório para quem queira saber mais sobre o assunto ou utilizar as informações como objeto de pesquisa. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

O Império dos Filhos


Todos os pais sabem o quanto pode ser difícil dizer um "não" ou não ceder a um apelo berrante de um filho, quanto mais não seja para fazê-lo calar e nos deixar construir uma frase... ou responder a um e-mail... ou assistir o noticiário... ou mesmo descansar depois de um dia de trabalho exaustivo. O problema é que, por cansaço ou por preguiça, podemos estar a contribuir para a construção de um lar - tomado em proporções maiores, de um mundo - onde os filhos desta geração, crianças ou jovens, sentem-se soberanos. Sem nos aperceber, passamos de um extremo a outro: de uma educação autoritária comandada por pais e educadores tiranos à uma espécie de anarquia doméstica, um reino encantado de príncipes e princesas, fadas celestiais e gênios da lâmpada mágica. Os filhos da nossa geração de pais quase que não podem ter os seus desejos frustrados; desejos estes que vão seguindo a tendência dos outros. É tudo altamente massificado, formatado, uniformizado até atingir o ponto da "normalidade". Por outro lado, se queremos ter filhos criativos, filhos com alguma responsabilidade social, filhos que possivelmente serão adultos produtivos, temos de contrariá-los. Mas o que vemos hoje são jovens, sobretudo, sem espírito de sacrifício. A verdade é que os bancos das escolas e o mercado de trabalho estão abarrotados de desistentes: pseudo-adultos sem preparo para derrotas e insucessos da vida, não programados para enfrentar dificuldades. Falando com propriedade de mãe, penso que é importante, desde cedo, incutir pequenas responsabilidades nas crianças, como por exemplo o cuidado com os materiais e uniformes escolares, os alimentos, as brincadeiras a seguir aos trabalhos de casa. E mesmo que possamos, mesmo que todos na escola já tenham terminado aquela caderneta de cromos, é importante fazê-los sentir que "todos" não é o nosso caso e tanto ou mais importante do que "ter" é "conseguir" ou "merecer". A ideia de "escolhas" é algo de grande valor, isto é: fazê-los entender que poder escolher entre determinadas opções já é uma grande sorte, pois não se pode ter tudo. Há quem não possa ter nada. Os nossos filhos precisam reconhecer a autoridade (o que difere de autoritarismo) dos pais e educadores, assim como nós reconhecemos a autoridade dos nossos superiores em tantas outras esferas da vida. E que mal há nisto? 

Estes dias isso tem-me consumido. Aborrece-me a preguiça, o cansaço por tão pouco esforço, a frustração por descobrir já tarde que, aliás, não se é tão especial quanto se julga. E, se calhar, nós pais desta geração temos a nossa parcela de culpa: estamos a criar um Império onde os filhos é que mandam. Preocupa-me o mundo - o mundo deles - governado por pessoas assim.         

terça-feira, 8 de abril de 2014

Dia Mundial de Combate ao Cancro/Câncer

Fonte: Hypeness
Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Cancro/Câncer, uma data que tem por objetivo chamar a atenção para o crescente índice da doença no mundo (OMS). O cancro não é uma doença contagiosa e pode ser definida como "um grupo de mais de 100 doenças que se caracterizam pelo crescimento descontrolado de células anormais, chamadas de malignas". Ocupa o segundo ou terceiro lugar na lista das doenças que mais mata pessoas no mundo mas poderá ter cura desde que diagnosticada precocemente. 

Vamos aproveitar para recordar os cuidados que devemos ter com a nossa saúde: Alguns tipos de cancro podem ter influência genética, outros ainda tem suas causas desconhecidas mas segundo as pesquisas 90% dos casos "estão relacionados a fatores ambientais, como cigarro (câncer de pulmão), excesso de sol (câncer de pele), alguns tipos de vírus (leucemia), hábitos alimentares (câncer de mama, câncer de próstata, câncer de esôfago, câncer de estômago, câncer no intestino grosso), alcoolismo (câncer de esôfago, câncer da cavidade bucal), hábitos sexuais (câncer de colo uterino), medicamentos (câncer de bexiga, leucemias, câncer de endométrio), cânceres provocados por exposições ocupacionais, etc.". 

Com efeito, é importante desenvolver hábitos alimentares saudável (ricos em frutas, legumes e cereais), a prática de atividade física, o consumo moderado de bebidas alcoólicas e a possível restrição ao tabagismo e outras drogas. Mas também é importante lembrar que o tipo de cancro que mais mata é o de pele, por isso o cuidado redobrado com a exposição solar. 

São mudanças simples e que podem compensar por nossa própria saúde e daqueles que amamos. Esta data vale sobretudo para falarmos sobre o assunto com a nossa família, dedicar alguns minutos e rever formas de buscar uma vida com qualidade. É uma campanha que muitos abraçam; contudo, somente poderá dar certo se for começada individualmente, dentro de nossa própria casa. Vamos a isto! 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Carta de um pai para a filha sobre o seu futuro marido

Temos duas meninas. Vivemos numa casa, digamos, muito feminina! E neste ambiente, o pai às vezes sente-se atormentado, às vezes lamenta o facto de achar que será emocionalmente muito difícil "lidar" com o casamento das filhas. O que é perfeitamente compreensivo, tendo em conta o sentimento de cuidado e proteção. Nessas alturas, dou uma de "modernosa" (coisa que nem sou tanto assim mas que é para contrabalançar) e lanço o meu alerta mais cruel: "- Nem sabemos se elas vão querer casar! Aliás, do jeito que são curiosas, provavelmente antes disso vão nos dizer 'adeus' e vão ali conhecer o mundo.". Não é, de todo, que eu esteja preparada para este dia mas é uma possibilidade real - e ainda bem! - de modo que é por isto tão importante criarmos alicerces seguros para onde possam sempre querer regressar; valores que levarão para onde quer que vão. É basicamente isto que tentamos transmitir.

E veio bem a calhar esta carta abaixo, escrita pelo psicólogo Kelly Flanagan para a sua filha, a respeito do seu futuro marido. Através do desabafo desse pai, todas as nossas preocupações são reveladas, quando se trata das "escolhas" das nossas filhas; mas mais do que isto, esta carta serve de reflexão para todos nós: mulheres e meninas, que nunca tiveram quem lhes explicasse isto tão bem; homens e meninos, para que nunca lhes assalte em pensamento a ideia de ser necessário mantê-los "interessados"!
«Querida Cutie pie,
Há uns dias eu e a mãe estávamos a fazer uma pesquisa na net, e enquanto escrevíamos no motor de busca, o Google mostrou uma lista das frases mais procuradas do mundo. Empoleirada no topo da lista estava “Como mantê-lo interessado?”.
Caiu-me a ficha. Comecei a desbravar inúmeros artigos sobre "como ser sexy e sexual", "quando levar-lhe uma cerveja versus uma sandwich", e "quais as maneiras de fazê-lo sentir-se inteligente e superior".
E fiquei irritado.
Minha querida, não é, nunca foi, e nunca será uma tarefa tua “mantê-lo interessado.”
Minha querida, a tua única tarefa é saberes no fundo da tua alma – nesse lugar inabalável que não é salpicado pela rejeição, perda, e ego inchado – que tu és digna de interesse. (Se te conseguires lembrar que todas as outras pessoas também são dignas de interesse, as batalhas na tua vida estarão praticamente ganhas. Mas isso dá pano para mangas para outra carta.)
Se confiares no teu valor, vais ser uma pessoa atraente no mais importante sentido da palavra: vais atrair um rapaz interessante e que vai querer passar a sua vida a investir no aumento do seu interesse por ti.
Minha querida, eu vou falar-te desse rapaz que nunca vais precisar de o "manter interessado", porque ele sabe que tu és interessante, e ele vai manter-se interessado:
  • Não importa que ponha os cotovelos na mesa – desde que ponha os olhos na forma como o teu nariz se enruga quando te ris. E que não consiga parar de admirar-te.
  • Não importa que não possa jogar golfe comigo – desde que brinque com os vossos futuros filhos, e que te reveja neles, quer nas suas saídas brilhantes quer nas suas frustrações.
  • Não importa que não seja muito ambicioso, desde que siga sempre o seu coração, e que o leve sempre de volta para ti.
  • Não importa que não seja um homem forte, desde que te dê espaço para usares a força do teu coração.
  • Não importa nada quais as suas convicções políticas, desde que todas as manhãs ao acordar te eleja para um lugar de honra em tua casa e no seu coração.
  • Não importa qual o tom de pele dele – desde que pinte a tela das vossas vidas com pincéis de paciência, sacrifício, vulnerabilidade e ternura.
  • Não importa se é católico, budista ou ateu – desde que tenha sido criado para valorizar o sagrado, e que como sagrado considere cada momento da vida que passa contigo, e que passam em família.
E por fim, minha querida, se conheceres um homem que reúna estas características, mas que não tenha nada em comum comigo, não te preocupes, pois teremos sempre a coisa mais importante do mundo a ligar-nos:
Temos-te a ti.
Porque no fim, minha querida, a única coisa que deves fazer para “mantê-lo interessado”, é seres tu própria.
Do teu, eternamente interessado em ti,
Pai.»

Fonte da tradução em português: Up To Lisbon Kids

A imagem (fofinha) é da Evinha com 10 dias sobre o pai todo feliz!
Estúdios J.A.Santos
      

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Rui Pedro e a Filomena que há em nós


Tal como muitas pessoas que hoje partilham esse vídeo, não conheci de perto o Rui Pedro, nem a Filomena, nem a sua família. Mas assim como tantos outros, é-me de todo impossível ficar indiferente ao sofrimento dessa mãe e de sua família. Não há, ao menos em Portugal, ninguém que nunca tenha ouvido falar no Rui Pedro ou que não se comova ao ver o rosto, cansado e triste, morto-vivo, da Filomena Teixeira. A Filomena procura pelo seu filho há 16 anos. Não sabe ao certo o que lhe aconteceu; mas não desiste. Eu também não desistiria.

Estava grávida da Malu quando acompanhei pela imprensa a história mediática do desaparecimento da Madeleine McCann. Aquilo mexeu comigo! Lia tudo o que encontrava sobre o caso, desde recortes de jornais a revistas e livros. E sinceramente, não acredito que os pais possam estar por trás do seu sumiço. Seja como for, a Kate McCann não desiste de encontrar a sua filha. Eu também não desistiria.

Desde que sou mãe, que pus cá para esse mundo cruel e colorido uma extensão de mim, sou perseguida pelo medo, o pavor, de tirarem-me uma de minhas filhas. Vigio-as nos supermercados, nos centros comerciais, nos parques infantis, nas praias... nunca, nunca as perco de vista. Mesmo em casa, mantenho a porta trancada a chave, com receio de que alguma desça pelo elevador e desapareça. É uma fobia! Mas sou da geração de Filomenas e Kates e, vendo-as vaguear entre tribunais e suplícios, imagino a dor de não saber de um filho, de vê-lo acordar e já não dormir com ele. 

É por isso que hoje, no 27º aniversário do Rui Pedro, partilho igualmente a dor da Filomena e o seu apelo. Vejo-me nela e, nesta condição, sinto que hoje a Filomena é um pouco de todos nós e o Rui Pedro um pouco filho de todos nós. Partilho-o, porque eu também não desistiria. Não. Enquanto vivesse, enquanto não o encontrasse, enquanto não soubesse o que verdadeiramente lhe aconteceu, eu não desistiria.

O vídeo tem cerca de 1 minuto. Partilhem-no. É o melhor presente que hoje podemos oferecer ao Rui Pedro. E à Filomena. E ao Rui Pedro e à Filomena que há em nós.            

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O que são pessoas tóxicas?

Li um artigo muito interessante e que me trouxe um novo conceito sobre pessoa. No meu dia-a-dia, estudo à fundo o que se define como "pessoa": pessoa jurídica, pessoa natural, pessoa humana, pessoa com personalidade jurídica, mas nunca até então tinha ouvido falar em "pessoa tóxica". Não que me fosse de todo estranha a existência de pessoas tóxicas mas, intuitivamente, sempre soube identifica-las e afastar-me delas. Um qualquer sentido próprio de defesa ou sobrevivência emocional que, assim que as acusa, dispara um alarme sonoro ininterrupto que me empurra (ou as empurra!) para bem longe! Não falha. Era tão mais fácil se trouxessem sinalizado em letras vermelhas e garrafais: «Perigo: Risco de intoxicação»! Mas como não, temos de ser nós a identificar estas personas non gratas, pondo em ação todos os alertas. Leiam o texto abaixo, postado por José Batista de Carvalho. É fabuloso!

"De fato estamos cercados de pessoas tóxicas.
Pessoas que são egocêntricas, manipuladoras, interesseiras, arrogantes, rancorosas, amarguradas, mal amadas, invejosas ou fracassadas, que não conseguem ver o sucesso ou a felicidade alheia. Enfim, pessoas sombrias que minam os relacionamentos e amizades com intrigas, críticas excessivas, falta de consideração e respeito pelo outro e abusos verbais ou físicos. Pessoas muito perigosas de se conviver.
Essas pessoas tóxicas acabam, de alguma forma, nos envenenando. Direta ou indiretamente, acabamos agindo por influência delas, seja com atitudes ou omissões. Muitas vezes acabamos agindo por impulso para evitar essas pessoas, ou, na pior das hipóteses, acabamos agindo da mesma forma. São pessoas nocivas, intoxicando nosso comportamento e nos levando a agir e a tomar decisões que, em outras circunstâncias poderiam ser completamente diferentes.
São tóxicas, porque conseguem despertar o que há de pior dentro de nós, não apenas no sentido de maldade ou crueldade, mas no sentido de perdermos a identidade, a autonomia, a energia, a iniciativa e o poder de decisão. Ficamos estagnados, hipnotizados, paralisados. São verdadeiros vampiros, sem Luz própria, que consomem nossa energia vital, que exploram e manipulam pessoas de acordo com os seus interesses e vivem às custas da energia dos outros para se sustentarem. 
Tóxicas são aquelas pessoas que sabem tudo a respeito da vida das outras pessoas, mas não conseguem administrar a própria vida. Sabem dar conselhos como ninguém tem um discurso lindíssimo para o mundo lá fora, mas que, na vida pessoal, nos bastidores, na vida íntima, são pessoas frustradas, isoladas, verdadeiras ilhas no meio da sociedade, que não tomam para si os próprios conselhos. 
Sabem olhar de fora, apontar defeitos, problemas, erros. Mas não sabem participar, não conseguem enxergar os próprios problemas ou defeitos. Apontam os erros alheios para, de certa forma, esconder os seus próprios. São os “sabe-tudo” e só a sua forma de pensar é que está certa. Não suportam ser contrariados e confrontados. Quando o são, perseguem a pessoa até “livrarem-se” dela ou então se vingam. Seu ego é superlativo para compensar a sua extrema falta de Amor-Próprio. Usam as pessoas conforme seus interesses e, quando estas discordam de suas ideias, são descartadas e eliminadas, sem a menor consideração. 
A toxicidade reside exatamente no fato de não nos darmos conta de que estamos sendo manipulados ou influenciados. Ficamos hipnotizados, fascinados, imersos numa imensa ilusão, até o dia em que despertamos e tomamos consciência de que estamos muito mal, morrendo por dentro, e que algo urgente necessita ser feito. Um corte para a nossa libertação, para resgatar a nossa sanidade, saúde, alegria de viver. 
Em nossa busca pela felicidade, por tudo aquilo que nos traz bem-estar e alegria, o grande segredo é não se deixar influenciar, se afastar e evitar a convivência com esses tipos. Isso não significa alimentar sentimentos negativos dentro de si com relação a eles, mas de preferência visualizá-los felizes e agradecidos em sua vida, emanando energias e vibrações positivas. 
Reflita, você convive intimamente com alguma pessoa tóxica, seja na família, no trabalho, ou nas “amizades”? 
Tenha cuidado, afaste-se, fique longe o quanto antes dessas pessoas. 
Cuide-se, preserve-se, seja você mesmo, seja pleno e feliz. 
E acima de tudo sempre perdoe essas pessoas, muitas vezes, elas não tem consciência de seus próprios malefícios".
Fonte do texto: <http://universonatural.wordpress.com/2013/05/24/voce-convive-intimamente-com-alguma-pessoa-toxica/>.      

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ano Novo, Código da Estrada Novo!

Vamos reabrir o ciclo de nossas conversas apontando um assunto sério e importante. Em Portugal o ano começou com a vigência do Novo Código da Estrada, que traz mais controlo no abuso do álcool (principalmente para os encartados a menos de 3 anos e os condutores profissionais, cujo limite é de 0,19 gr/l) e mais liberdade para os ciclistas; é mais detalhado quanto às regras de circulação nas rotundas e só permite a utilização de telemóveis pelos condutores dotados de um único auricular, cuja multa em caso de transgressão foi acrescida, podendo variar de 120 a 600 euros.

O Novo Código de Estrada é, ainda, menos restritivo no transporte de crianças: as que tenham menos de 12 anos e mais de 135cm podem deixar de utilizar o banco elevatório e viajar apenas com o cinto de segurança, deixando de prevalecer a regra dos 150cm.

E para ficarem a saber mais, é bastante elucidativo este resumo publicado no Público, edição de 31-12-2013, transcrito na íntegra:


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Quem conta um conto: «O Guardião do Castelo»

"Certo dia, num mosteiro budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou todos os discípulos para poder determinar quem seria o novo sentinela. Então, com muita tranquilidade, falou:
- Assumirá o posto o monge que primeiro conseguir resolver o problema que vou apresentar.
Colocou uma magnífica mesa no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, sobre ela, um vaso de porcelana muito raro, de valor inestimável, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo. E disse:
- Aqui está o problema!
Todos ficaram admirando aquela cena! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?
Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou para todos, dirigiu-se ao centro da sala e... ZAPT... destruiu tudo com um só golpe. Depois retornou ao seu lugar. O mestre sentenciou:
- Você será o nome Guardião do Castelo. Não importa que o problema seja algo belíssimo! Se for um problema, precisa ser eliminado.
Moral da história: Um problema é um problema, mesmo que se trate de algo ou alguém sensacional ou de um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja, ou tenha sido, se não fizer mais sentido, tem de ser suprimido. Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que atualmente só ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes. Espaço este indispensável para recriar a vida. Existe um provérbio oriental que diz mais ou menos assim: "Para poder beber vinho numa taça cheia de chá, é preciso antes jogar o chá fora". 
Ou seja, limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido... O passado serve como lição, como experiência, como referência. Serve para ser lembrado e não revivido. Use as experiências do passado no presente, para construir o seu futuro. Necessariamente nessa ordem!".

E assim, aproximando-se o final do ano, quem sabe este não seja um exercício importante para se fazer? Conto este conto porque, há tempos atrás, depois de lê-lo resolvi fazer uma faxina a sério, joguei imensas coisas fora, coisas que só ocupavam espaço desnecessário, e abri o coração para o que veio de novo e bom. Sempre, todos os anos, por volta desta época natalícia releio-o e refaço a limpeza das gavetas, armários e da vida. O desapego é uma coisa que ainda me custa, mas depois constato que, de facto, não há espaço para tudo.
 
Pensem nisto, neste fim de semana! 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

Estes dias li um texto muito interessante, publicado por Cris Leão, cujo título é uma pergunta: «Seu filho precisa mesmo ser tão feliz?». O texto pode (e acho que deve!) ser consultado, aqui. E ao lê-lo, percebi que também cometo erros grosseiros, como mãe. De modo que ontem ao jantar, quando a Malu exclamou: "- Mamãe, nasceste para ser mãe!", eu fiquei surpresa e verdadeiramente feliz! Agradeci-lhe muito, com muitos beijinhos, e confessei-lhe: "-Às vezes acho que não sou boa mãe, perco a paciência, fico cansada! Por que você diz isso?". E ela respondeu-me: "-Porque cuidas muito bem de nós!". A Malu volta e meia me deixa sem palavras, ela acabou de completar 6 anos, mas emocionalmente parece que tem muito mais! Desta vez, eu senti que era verdade, que nós somos muito melhores para os nossos filhos do que aquilo que imaginamos... e que não é preciso fazer assim, tanto! Tal como o texto sugere!

Mas esse texto me levou a outro, que por sua vez se refere a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 70 e a metade da década de 90, ou seja, entre os 20 e os 40 anos de idade. Neste último, explica-se, em pormenores, porque os jovens desta geração se sentem tão frustrados e infelizes! Claro que, atrás desses jovens infelizes, vêem os pais - o que me fez lembrar de uma frase do Casusa (que eu na verdade nunca entendi muito bem!): "Só as mães são felizes!". Não conseguiria, sem prejuízo, transmitir a essência do texto, por isso transcrevo-o literalmente. Leiam abaixo, é fabuloso! E depois de constatarmos isto tudo, nunca mais seremos os mesmos.

***      

Esta é a Ana.


Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.
“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. - Wikipedia
Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante. Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando: Ana está meio infeliz. Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:


É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz. Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:


Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.


Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que as deles próprios. Algo assim:


Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.


Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.


Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes. Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.


Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs: GYPSYs são ferozmente ambiciosos.

President1

O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho. Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.


Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito. Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:


Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs: GYPSYs vivem uma ilusão. Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor: Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.


Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:

es-pe-ci-al | adjetivo
melhor, maior, ou de algum modo
diferente do que é comum
De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada. Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema. Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:


Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos. Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente. Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”. Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”. E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se econtra aqui:


A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo. E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração: GYPSYs estão sendo atormentados. Obviamente, alguns colegas de classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas. A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook. As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível à todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expôe mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.


Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada. Aqui vão meus conselhos para Ana:

1) Continue ferozmente ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.

2) Pare de pensar que você é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo.

3) Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros.