quarta-feira, 11 de maio de 2016

DIVÓRCIO, por Arnaldo Jabor

Como advogada fiz alguns divórcios, uns tantos de amigas. Uma delas, amiga pra caramba, casou sem meu consentimento e depois fiz-lhe o divórcio, contrariada. Avisei-a! Ela voltou a casar umas três vezes mais com o ex-marido. Meu trabalhinho perdido! Daí entendi que o bom mesmo é casar. Eu vou no meu terceiro ou quarto casamento. Com o mesmo homem. Não desisto dele, mesmo quando estou a rasquinha! Para quê? A gente já conhece nossos probleminhas. No fim das contas, mudam-se só os parceiros. A história pelo meio é sempre mais ou menos igual: o tempo, a vida, os filhos, o dinheiro, o sofá... Eu cá aviso-lhe: "É preciso abrandar, temos filhas pequenas para criar." E casamos de novo. Bom mesmo é casar!

Que texto maravilhoso do Jabor! Das coisas escritas que a gente deve ler e guardar, vezes sem conta...

Meus amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue: 
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher. 
Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu. O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher. 
O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. 
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? 
Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção? 
Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 kg em um único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? 
Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a frequentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge. 
Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. 
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos. 
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento. 
Mas se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior. 
Não existe essa tal “estabilidade do casamento” nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. 
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no inicio do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família? 
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Portanto descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo interessante par. Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário se casar de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par. 
Como vê, NÃO EXISTE MÁGICA – EXISTE COMPROMISSO, COMPROMETIMENTO E TRABALHO – é isso que salva casamentos e famílias.”
(Arnaldo Jabor)

terça-feira, 19 de abril de 2016

Bastidores de um fim de semana de pais dos melhores atletas do mundo




Levantar da cama às 6h, vestir-se, a seguir levantar as crianças. E ser cabeleireira, maquiadora, incentivadora... 

Não, começou antes disso.

Passar a semana entre o trabalho e a ler e-mails, imprimir os horários e o programa, trocar mensagens com os pais... 

Ser costureira, cenógrafo, treinador, transportador, patrocinador oficial...

Preparar mochila com roupas, comidas e remédios...

Ah! Fazer um bolinho para animar a torcida e a equipa! Comemorar o aniversário na arquibancada, juntamente com a família que aumentou de tamanho. 

Ser mãe e fotógrafa, pai e ídolo, ser irmã mais nova e paciente, ir de arrastão, aprender a integrar-se. Ser irmão mais velho e competir por outro Clube. Dividir as atenções.

Gerir a ansiedade, o cansaço, os nervos, o medo... ser psicóloga.

E quando corre mal, engolir a desilusão e dizer: "Não faz mal!" Mas ao mesmo tempo, ser honesta, apontar as falhas. Lembrar que há que ser divertido mas não a brincar. Afinal, estamos todos envolvidos nisso, já somos muitos, desde o mano mais novo aos avós... Recordar que, se não houver empenho, por vezes a maior prova da vida é saber desistir.

Mas quando corre bem, mesmo que não signifique o melhor resultado, entre lágrimas escondidas, de alegria, e peito inchado de orgulho, sente-se uma felicidade incrível que vem da felicidade daqueles gigantes... campeões!!! 

E naquele instante, há um pódio que não cabe de tão pequeno para tanta gente que nele sobe.


P.S.: Dedicado à Equipa de Atletas, Treinadores e aos Pais do Clube de Ginástica Acrobática do Colégio Integrado Monte Maior. 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Não desista do amor


Pode ser que sejas feliz,
Outros dias nem tanto,
Outros dias recanto,
Outros dias encanto...

Pode ser amor,
Pode até não ser,
Mas não desistas se for...
Não desistas se for...

E se for? 
Não desistas...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Os Sequilhos com Goiabada, por Jonathan Araújo

Uma amiga do coração partilhou este texto comigo. Avessa a redes sociais, discreta e atenciosa, envia-me coisas por e-mail ou mais recentemente pelo Wathsupp, que não consigo segurar. Passo a frente. O que é bom é mesmo para circular. 

Fonte: Internet
"Criei o costume de toda semana comprar sequilho com goiabada na padaria perto daqui de casa. Comê-lo bebendo um café sem açúcar tornou-se, sem exagero, um dos momentos mais deliciosos da semana (tirando o dia da coxinha com café). Mas a goiabada me incomodava. Não necessariamente ela, mas sua pouca quantidade. Era um pingo no meio do sequilho. Reclamei na padaria, chamei o padeiro de casquinha e tudo mais. Outro dia, voltando do estágio, passei pela padaria e, pra minha sorte, disseram que havia um sequilho especial pra mim. Lá estava, o meu sonho num sequilho de um real. Quase que completamente coberto de goiabada. Chegando em casa, preparado o café e toda a ritualística necessária para consumir o apetecível sequilho, ocorreu que não comi nem a metade. Enjoei na segunda mordida. Doce demais, chegava a dar náuseas. Dia seguinte, cheguei na padaria e lá estava: outro sequilho coberto de goiabada. Me ofereceram e, por vergonha de dizer que odiei o do dia anterior, comprei. Em casa, raspei a goiabada e comi. O problema, o inferno, não era a goiabada nem o padeiro, era eu. Fui eu quem, amando o que amava, queria do meu jeito, sem entender que eu gostava era do jeito que era, porque se do meu jeito fosse, eu rejeitaria, enjoaria e até tentaria fazê-lo voltar a ser como era. Assim fazemos com as pessoas também. No início as amamos como são, depois que estão conosco começamos a criticar, tentamos mudá-las, tentamos "colocar do nosso jeito", sem saber que nosso jeito são nossas projeções, pessoas que não existem, e que se existissem, enjoaríamos delas. Transformamos para descartar, porque quando aquela pessoa muda, muito provavelmente quem gostávamos não está mais lá. Essa semana voltei a padaria, pedi o sequilho sem goiabada e mandei avisar ao padeiro que o próximo texto quem escreve é ele, provavelmente virá algo de bom, ainda que não seja doce."
(Jonathan Araújo) 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Silêncio!!!

Fonte: Internet

Estava a tentar ouvir o silêncio, mas quando fechava os olhos, via uma casa cheia de vazio. Era a mesma casa de antes, embora agora parecesse estranha demais. Via tudo indo embora: a cama do casal, as roupas do roupeiro, o quarto dos miúdos, os livros, o pó, o cheiro... Só ficava o silêncio que, dizia ela, apertava-lhe o peito e sufocava as palavras que ainda ressoavam no ar. As palavras do silêncio: "Não ajudas"; "És desorganizada"; "Não transas"; "Sentes-te gorda, é por isso"; "Não pagas as contas"; "Não gostas das pessoas"; "Estas sempre de má cara"; "Vives para as crianças"; "Pareces uma dondoca"; "Não tens noção do dinheiro"; "Devias acordar mais cedo"; "Não tens espírito de sacrifício"; "Não sabes gerir"; "Não tens jeito..." Eram as palavras que não queriam se calar as que mais lhe doía, as que lhe roubava a esperança e lhe enchia de medo. Sabia o que tinha de fazer, não sabia como... passou-se demasiado tempo e já não sabia como ser outra pessoa que não aquela (essa) que agora julgava ser. Fizera-lhe acreditar nisso. Como seria ser feliz? Parecia tão simples, parecia uma pintura em tela, um retrato na parede onde todos estavam a sorrir. Alguém, outro dia, disse-lhe que ser feliz dava trabalho... mas parecia tudo tão perfeito! Quando foi que deixou de ser? Será que foi quando um deles sentiu a urgência da vida? Será que foi quando um deles, sobrecarregado dos dois, encolheu-se? Será que foi desde as primeiras contas; desde que se notou as desigualdades; desde que se calaram; desde que gritaram; desde que um continuou e o outro ficou a ver; desde que um ocupou o lugar de dois... Será que foi desde sempre? 

Ela contava-me isso mas dizia que estava bem, eu percebi que era importante para ela e acreditei. Dizia que meditava e que fazia terapia, que logo faria uma viagem sozinha e que haveria de terminar tudo o que começou. Depois... depois que fechasse aquele negócio, seria tudo diferente, dizia. Dizia, ainda assim, que sentia-se em paz. Eu não. Eu não compreendia. Parecia-me silêncio a mais.    

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

"Vocabulário Feminino", por Leila Ferreira

Hoje o dia amanheceu sob o Signo de Eva. O problema foi que encontrou-me cansada. O resto do dia passou por refletir numa forma mais eficiente de DESCOMPLICAR e eliminar o EXCESSO DE PESO DA BAGAGEM. Como pode o raio de uma menina de 4 anos fazer uma birra do tamanho de uma estação de comboio? Por falar nisso, bateu saudades. Saudades das amigas de sempre, das amigas que ouvem, que riem às gargalhadas e que são mulheres reais, como a gente...

Daí lembrei-me do texto "Vocabulário Feminino", abaixo, que por acaso me foi enviado por uma dessas amigas. É da jornalista Leila Ferreira. A imagem é minha. A amiga do coração, também.  

"Se eu tivesse que escolher uma palavra - apenas uma - para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho. Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter. Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes - isso, sim, faz bem para a pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar. E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e silêncio. Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia - não importa - e a ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso. Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir. Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada - faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida. Quanto à palavra dieta, cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista. Nas mesas de restaurantes, nem pensar. Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde, sozinha. Uma sugestão? Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia. E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar. Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere... Sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma. E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição. O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil. Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam e bumbum que encara qualquer biquíni. Mulheres reais são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a buscada perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível."

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Família



Trecho do livro "O Arroz de Palma", de Francisco Azevedo, para saborearmos nesse Natal.

Feliz Natal, com o melhor que temos!

"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema - principalmente no Natal e no Ano-Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida - azeitona verde no palito - sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano - quem diria? - solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este, o mais gordo e generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente. E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero ou do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e a cebola. Não se envergonhe se chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, essas especiarias - que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar - tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe "Família à Oswaldo Aranha", "Família à Rossini", "Família à Belle Meunière" ou "Família ao Molho Pardo" - em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é "À Moda da Casa". E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras, apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada - seriam assim um tipo de "Família Diet", que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. Há famílias, por exemplo, que levam muito tempo para serem preparadas. Fica aquela receita cheia de recomendações de se fazer assim ou assado - uma chatice! Outras, ao contrário, se fazem de repente, de uma hora para outra, por atração física incontrolável - quase sempre de noite. Você acorda de manhã, feliz da vida, e quando vai ver já está com a família feita. Por isso é bom saber a hora certa de abaixar o fogo. Já vi famílias inteiras abortadas por causa de fogo alto. Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia-a-dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente, na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O português que me traiu

Fonte: Internet
Sou incorrigível. Esforço-me mas não aprendo e a verdade é que todos os dias sou traída. Traída pela língua. Depois... depois fico com essa cara de incompreendida que não passa por nada! 

Dizem, as boas ou más línguas, que a melancolia é lusitana. Se calhar tem razão! Mas de facto é a língua que faz um povo e eu cá estou, inserida. Completei uma década de português, de Portugal, tempo suficiente para aprender que:

  • açougue é talho; 
  • apostila é sebenta; 
  • bala é rebuçado; 
  • banheiro é casa de banho; 
  • calcinha é cueca; 
  • celular é telemóvel; 
  • conversível é descapotável; 
  • geladeira é frigorífico; 
  • grampeador é agrafador; 
  • injeção é pica; 
  • cafezinho é bica; 
  • ônibus é autocarro; 
  • meias são peúgas; 
  • pedestre é peão; 
  • ponto de ônibus é paragem; 
  • sanduíche é sandes; 
  • suco é sumo; 
  • trem é comboio;
  • vitrine é montra;
  • xícara é chávena...

Mas ao contrário, ainda escorrega-me os pronomes de tratamento no meu modo brasileiro de falar português, o meu português tupiniquim, que exalta a criatividade linguística e a brejeira identidade nacional de um povo refletida no seu idioma.

É óbvio que as regras gramaticais não revelam se sou muito ou pouco culta, nem se é ser simplista ou pejorativo deixar escapar um "querida", seguido da interjeição "olá", como forma de expressar um cumprimento positivo ou saudar uma pessoa apressadamente incluída num contexto, digamos, mais informal.

Era simpático, de minha parte. Todavia, sendo "querida", ipsis litteris, expressão para alguns quase ofensiva, desconcertante talvez, respeitarei o português. Da próxima haverei de corrigir-me e pôr os axiônimos nos devidos sujeitos. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

La Vie Dans Une Année

Foto: Tamara Rangel
Foi outro dia, ainda me lembro de tê-la ao colo. Nasceu pequenina, filha da minha prima-mãe, também ela havia me embalado e acompanhado na minha tortuosa viagem de descobertas até transformar-me, enfim, na mulher que sou. Um engraçado labirinto onde se cruzam as mulheres fortes da minha família que, a todas as evidências, originou-se nordestina e ganhou o mundo... e as letras, as que os nossos pais e avós escreveram não com lápis e cadernos, mas com foices e muito suor. Quiseram eles que nós, da terceira geração em diante, fossemos "Doutores", de preferência, mas sobretudo de bom caráter. Esse exemplo, passado de geração para geração, salvou-nos uns tantos.

E não é que a priminha, ao modo humilde dos inteligentes, ontem apresenta-me um blog que escreve e que logo percebi que era para diminuir a solidão e a distância do novo velho mundo e do seu intercâmbio? Hoje, repassando as vistas com mais calma, me vieram lágrimas aos olhos. Que escrita linda e que bela mulher que se forma, cuja genética não nega a força e a sensibilidade apurada ao longo dos anos desde avó, mãe e Tam.

Apresento-te, para não deixar de acompanhar, o primo desses Alfarrábios, La Vie Dans Une Année, da doce viajante Tamara Rangel. Assim que li:

"Essas folhas alaranjadas, amareladas e roxeadas caindo por aí são mais bonitas e melancólicas do que eu imaginava. Também muitas outras coisas que imaginei daqui são bem mais e algumas nem tanto. É bom sentir o gostinho das coisas como elas são depois de desenhá-las na cabeça, algo que eu faço bem até demais numa boa noite de sono não dormida. As vezes não passa de uma expectativa gostosa, outras vezes é uma tormenta de ansiedade. Acho que sou assim desde que passava a madrugada inteira arrumando a mochila pro primeiro dia de aula na escola! Mas sei que é preciso aprender a dosar, porque é um risco na causa de decepções e de medos desnecessários que me impedem de fazer determinada coisa. Isso me aconteceu aqui no primeiro dia de aula do curso de francês e no da Universidade, em ambos eu passei a madrugada com insônia por causa da ansiedade, cochilei forte por um segundo e perdi a hora de levantar, deixando tudo fora do planejado. Quase me prejudiquei duas vezes (e outras tantas na vida toda) e quando não é saudável dessa forma é bom cuidar."

Isto tudo soou-me tão familiar! Logo entendi porque dizem que a gente se parece tanto... A vida é mesmo uma história que se conta e se re-conta. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ninguém disse que iria ser fácil

Fonte: Internet

Acordei no domingo estava o dia ainda a dormir e, apesar da meteorologia prever um dilúvio, vesti-me para cumprir o meu desafio: correr a Meia Maratona. No telemóvel, a mensagem do meu companheiro de corrida: "Cheguei. Traz fato de surf."

Mas como dizem que principiantes contam com a sorte do seu lado, a chuva não apareceu. Fez-se bem, os 21.095km, em aproximadamente 2h18m, na calma. Mais fácil do que previa.

Hoje, já refeita das pernas, voltei à minha prova de fogo, a que exige concentração e silêncio, uma dose de solidão. Esta, mais difícil do que previa. 

A verdade é que nem tudo é como imaginamos. Quantas vezes o controlo escorrega-nos pelos dedos? A indecisão pega-nos na curva, joga-nos contra a parede e nos vira tudo do avesso. Custa muito, muito mesmo, lutar pelos nossos sonhos quando a vida parece nos sugerir soluções mais fáceis - mais cómodas, talvez! 

É sempre mais fácil desistir do que esforçar-se por merecer. 

É sempre mais fácil dormir mais um pouco do que levantar-se e fazer-se à vida.

É sempre mais fácil deitar fora do que reparar os estragos.

É sempre mais fácil acusar do que admitir os próprios erros.

É sempre mais fácil adiar uma decisão do que focar-se nos objetivos.

Ninguém disse que iria ser fácil e se te disserem o contrário, duvides. Confesso: também eu tropeço, também eu titubeio, cambaleio em sonhos. Agora, sê grande, põe-te firme, não te deixes corromper. Tu e eu. Que a vida, esta deusa sedutora, tanto nos dá como nos tira.    

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

No domingo vou correr...

No domingo vou correr a minha primeira Meia Maratona. Tomei gosto pela coisa e vou ver como me saio, mesmo assim, apesar do meu jeito desordenado de treinar. Vou correr à minha conquista de ter elegido um desporto depois dos 40, prático como tornou-se a minha vida: elásticos para os cabelos, tênis para os pés.

No domingo vou correr os meus primeiros 21.095 metros. Vou de pulmão aberto, mente livre e cheia de esperança em cumprir a meta dentro do tempo limite de 3 horas. Não tenho muita pressa, mas quero chegar.  

No domingo vou correr porque mereço, porque existo, porque decidi que vou conseguir. Vou correr por mim, por ti, por nós...

No domingo, prometo que vou, com um nervoso miudinho. Deseja-me sorte?

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Carta aos Alfarrábios (De mim para mim, com partes de nós)

Saudades de ti, Alfarrábios! Prometi que só voltava aqui quando a vida me permitisse um momento de descontração autoral, por causa daquela coisa assombrosa de mais ou menos 300 páginas que me tira o sono e que não vejo jeito de pôr um ponto final. É que a coisa não anda, ou melhor, anda, mas de gatinha!

Eu é que ando sem paciência. Tenho visto coisas horríveis a acontecer pelo mundo, parece que estamos a meio de um novo extermínio em massa e a gente não sabe para que lado há de se virar. Outro dia, vi colegas destratarem-se por causa de política. Essas coisas de intolerância me entristece, embora eu própria, como disse, ando sem paciência. 

Quando a curiosidade é maior do que eu, vou saber se afinal aquela amiga que estava a espera de bebé já o tem no colo; ou como anda a família da outra margem do infinito azul; ou quem é que está mais feliz do que eu... e então vejo o que fazemos nós para autopromover a nossa excentricidade... acho o mundo tão estranho! Insano. Não falo das coisas que nos alegra a alma de ver na expressão de amor do outro ou na saudade que diminuímos aos bocadinhos, inocente; falo das pessoas que julgam que o mundo cabe na circunferência do seu próprio umbigo. Às vezes pego-me a rir, desacreditada. 

Mas olha, ainda assim, fui de férias. Lembra que tenho duas rainhas lá em casa? Que me enche o coração de amor? Que culpa elas têm? Também ando sem paciência para elas, coitadinhas! Para ser sincera, ando meio histérica! Elas estão a crescer rápido demais, estão se enchendo de poder... eu não acompanho... e quando a noite cai, penso que fiz tudo mal e lamento. Mas ainda assim tento dar-lhes o melhor que tenho: dou-lhes o meu tempo, escasso mesmo assim, além do meu amor por vezes fragmentado.

Continuo a correr. Durante aquela horinha, corro, penso, extravaso e tiro conclusões. Conclusões boas e más. Esses dias conclui que a vida nem sempre é o que aparenta, que é mais difícil ser tristemente verdadeiro do que fingir alegria e que, de facto, qualquer problema torna-se menor quando se tem companhia.

Por falar nisso, lembra que fez 9 anos que casei-me com o amor da minha vida? É verdade, mudamos, desde então. Mas continuo a acreditar que apaixonei-me por um homem com um coração amoroso e tenho fé que ele não se esqueça... Nem eu, Alfarrábios! Nem eu!

É que a vida não é uma história que se escreve num dia. Tem gente tão estúpida, Alfarrábios! Deus nos livre de gente estúpida.

        

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Mulher, acorda!

Outro dia, em conversa com um amigo que não vejo há séculos, perguntei-lhe pela R., ao que ele respondeu-me: 

- Tranquila. É Mãe, como tu

Continuei sem entender, até que em fração de segundos sinais neuronais foram enviados. Pensei: 

- Oh, pá! Maneira insossa de reportar-se à mulher! 

Depois... 

- Buáááááá... A sério? Sou uma Mãe? É isso?

Fiquei a pensar naquilo, na verdade por detrás daquilo e no quanto não nos apercebemos do processo de transformação a que passamos desde que somos... Mães. Nascemos, crescemos, tiramos a maior onda, lá para as tantas tornamo-nos... Mães. 

Oh, céus! É tudo? É mesmo somente isto que sobra de uma mulher que procria? Bem, vamos lá esclarecer os factos:

Eu sei que ser Mãe é algo incomensurável. Nos toma por completo, por dentro e por fora, nos preenche e preenche tudo que se mantém de pé ao nosso redor. E por saber disto, eu e tu, vamos deixar de tretas e confessar abertamente que ser Mãe é algo tão intenso que por largos tempos esquecemo-nos mesmo que há vida para além daquele bebé. A amamentação, as trocas de fralda, as noites pequenininhas... A gente é Mãe vinte e quatro sobre vinte e quatro, não há tempo para ser mais nada. 

À medida que os nossos pequenos vão se tornando grandes, agiganta-se ainda mais o nosso amor. Tanto ou ainda mais que, sem notar, inundamos a nossa vida real e virtual de vídeos, imagens, textos, tudo sobre eles. Passamos a falar meio assim, ternuriiiiiiinho, e num instante já estamos a tratar o nosso homem como um... Filho. A verdade, a mais pura verdade, é que o cansaço, a falta de disponibilidade, as tarefas de que nos ocupamos para ver os pimpolhos repletos de felicidade, vão dando cabo de nós. Então, um dia, em modo de elogio, o nosso homem olha para nós e diz: 

- Gosto de ti. És uma boa... Mãe.

Mulher, pára tudo. Vamos admitir, também não somos as bambambãs do pedaço, não temos super poderes nem sustentamo-nos à base de amor maternal. Alguma coisa fica prejudicada em meio a tamanha experiência e, de facto, quanto mais lhes damos mais eles exigem de nós.

Mulher, a vida continua depois da maternidade. Faz bem comprar maquilhagem; voltar a trabalhar; lembrar que o saco do bebé não é a nossa mala de senhora; sentir que ser Mãe, por mais que nos transforme para sempre, não deve nos aniquilar enquanto mulher. Ser Mãe é uma das nossas inúmeras, digamos, competências e efetivamente deve ser considerado a nosso favor - a gente se vira nos trinta depois que é Mãe -, embora sem idealizações e sexismo. Pode ser sexy ser Mãe! Bem gerido, pode haver espaço para todas nós dentro do nosso papel de Mãe.

Sabia que os nossos filhos são os nossos maiores observadores? Vê como eles nos admira - ou não - quando nos arranjamos e ficam cheios de orgulho quando a Mãe, gira, vai buscá-los à escola? Sabia que os nossos filhos precisam de nós completamente felizes? Sabia que eles gostam de dizer que a Mãe é "isto" e "aquilo"? Foi-se o tempo em que reservava-se à mulher essencialmente a maternidade e digo isto também para nós.

Homem, nós não somos a vossa Mãe. Mulher, acorda!
                   

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Abraça-me

Chega perto, vem cá, com cuidado. Não diz nada, dá-me as mãos e olha. 

Vês? Já se passaram tantos anos, nem lembro-me quanto! Lembro-me que sorrias quase sempre com ternura e tinhas um cheiro bom. Cercava-me e eu adormecia em teu colo; cercava-me e eu sentia que já podia ir, recarregada de afeto. 

Vês? Eu não esqueci-me. É impossível esquecer! Mesmo quando o mundo gira, mesmo quando já somos crescidas, mesmo quando nos sentimos menos importantes, é impossível esquecer...

Braço a braço, um amplexo, abraça-me. 

Faria-nos bem, um abraço!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

No Santuário de Fátima...


Independente de crença ou religião, há lugares que toca-nos profundamente, que transporta-nos numa corrente de energia, sensibiliza-nos, faz-nos sentir em paz. 

Há lugares onde as palavras se calam, só o coração fala. E fala de coisas guardadas lá dentro; fala de perdão, de amor e compaixão; fala de acolhimento.

O Santuário de Fátima, situado em Fátima, norte de Lisboa, é um desses lugares. 

Não é a primeira vez que vou a Fátima. Passaram-se 10 anos, voltei com a minha família e amigos, mais madura e mais serena. Fui, no entanto, arrebatada pela mesma gratidão que só é possível sentir ao ver a dor e a fé do outro.

O Santuário de Fátima, comove-nos. 



segunda-feira, 27 de abril de 2015

Homens pagam mais, segundo o princípio "a quem mais for dado, mais será cobrado"

Aproveitando a discussão sobre desigualdade de género, que recentemente ganhou fôlego com o discurso da atriz Patricia Arquette na entrega do Óscar 2015, um restaurante em São Paulo resolveu acrescer 30% aos preços dos seus cardápios sempre que quem fizesse o pedido fosse um homem. 

No Brasil, à semelhança de outros países do mundo, as mulheres recebem cerca de menos 30% de ordenados para desempenhar as mesmas funções que os homens e, diante da tentativa de paridade pelo menos nesse setor da restauração, as reações masculinas foram acirradas. 

Depois, à vista de um folheto explicativo esclarecendo que aquele "menu injusto" tentava apenas demonstrar "quão ultrajante é a diferença salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho", melhor ainda foram as reações dos clientes, dignas de aplausos. Sem dúvida uma campanha publicitária provocadora e inteligente que dá gosto partilhar.

Fonte:B9.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

O que é feito de mim? (O que é feito de ti?)

Faz tempo que não dou notícias mas continuo por aqui. De minha parte, fazendo mais ou menos as mesmas coisas... 

Não escrevo tanto mais por punição, a ver se obrigo-me a acabar o trabalho - todo o tempo de escrita deve ser canalizado. 

Uma parte do dia ocupo-me do jantar, das meninas, das tarefas rotineiras... vez por outra recebo notícias que deixam-me feliz, outras nem por isso... alguns dias estou um caco, em outros sinto-me extraordinária. Não é assim com todos?

Sinto-me, ainda, perseguida por um pensamento atroz: o medo e a incerteza quanto a um futuro próximo. Resolvi viver um dia de cada vez, terminar passo a passo uma caminhada que já vem de longe. Mas tenho medo.

Há noites em que não durmo. Tenho tanta coisa por fazer e quero tanto fazer tantas coisas! A noite tornou-se a minha maior crítica.

Ainda assim tiro férias. Sim, a minha família não tem culpa da minha desorientação; além do mais, sou responsável pela felicidade de duas crianças.   

Mas há dias em que corro, por uma questão de sanidade e prazer. Agora faço treinos com desafios e adoro sentir-me forte; sentir que, nesse aspeto, os meus limites sou eu quem me imponho. A corrida é o meu Reset.

Recordei-me de sentimentos bons que andavam esquecidos, guardados no fundo de um coração com espaço demasiado ocupado com quezilas sem importância.

E tento, por tudo, ter tempo para mim; ter uma vida produtiva o mais que possa e seguir em frente, descobrindo, todos os dias, maneiras de ser feliz.

E tu? O que é feito de ti? Precisava saber que estás aí, precisava saber que continuas a gostar de estar aqui... e que não vamos desistir, pois não?

quinta-feira, 26 de março de 2015

Hoje é Dia do Cacau, o alimento dos deuses

Hoje é Dia do Cacau, esse fruto delicioso que conheço tão bem e que faz parte da minha história e de minha família. Sou do Sul da Bahia, foi lá que cresci e estudei, o cacau ajudou-me nesse crescimento. Poderia ficar horas contando casos, anedotas e acontecimentos reais que presenciei ou de amigos e conhecidos, tendo como tema o cacau, que de tão fértil até rendeu assunto para duas telenovelas da Rede Globo: Gabriela e Renascer. É conversa para muitos dias! E é por isso que hoje presto a minha homenagem ao Dia do Cacau, trazendo algumas curiosidades sobre esse alimento dos deuses.

1. Cacaueiro, ou theobroma cacao, significa alimento dos deuses.

2. O fruto, originário da região tropical da América Central, é alongado e cheio de sulco por fora; possui uma polpa branca por dentro, viscosa e com muitas amêndoas, que são as sementes do cacau.

3. É através da moagem das amêndoas secas do cacau que se faz o chocolate.

4. O cacau existia no Brasil na região Amazônia, em estado natural, mas foi cultivado pela primeira vez no Pará, e depois em Ilhéus e Itabuna (Sul da Bahia), contribuindo para o desenvolvimento econômico dessa região e servindo de inspiração para as obras de Jorge Amado.

5. Na metade do século XIX, o Brasil já era o maior exportador de cacau do mundo, chegando a mandar para o exterior mais de 70 mil toneladas. Em 2005 ocupou o 5º lugar como maior produtor mundial (sua capacidade produtiva foi reduzida com o advento da vassoura de bruxa).

7. Atualmente, o maior produtor de cacau do mundo é a Costa do Marfim.

Fontes: WikipédiaYahoo Mulher.





quarta-feira, 11 de março de 2015

O mundo, segundo o dicionário das crianças

Numa edição da Feira Internacional do Livro de Bogotá, que decorreu em Abril de 2013, um livro chamado Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças teve um grande destaque. Nele, o autor e professor Javier Naranjo reuniu mais de 500 definições para 133 palavras, de A a Z, segundo o significado que lhes dão as crianças. A ideia surgiu quando, em uma comemoração do Dia da Criança, pediu aos alunos para definirem a palavra "criança" e uma delas chamou-lhe a atenção: "uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir cedo." A partir daí surgiram novas definições, que o  autor foi compilando durante dez anos em diferentes escolas. 

Mais essas preciosidades:

"Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma." (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos) 
"Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo." (Maryluz Arbeláez, 9 anos) 
"Água: Transparência que se pode tomar." (Tatiana Ramírez, 7 anos) 
"Branco: O branco é uma cor que não pinta." (Jonathan Ramírez, 11 anos) 
"Camponês: Um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos." (Luis Alberto Ortiz, 8 anos) 
"Céu: De onde sai o dia." (Duván Arnulfo Arango, 8 anos) 
"Colômbia: É uma partida de futebol." (Diego Giraldo, 8 anos) 
"Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos." (Ana María Noreña, 12 anos) 
"Deus: É o amor com cabelo grande e poderes." (Ana Milena Hurtado, 5 anos) 
"Escuridão: É como o frescor da noite." (Ana Cristina Henao, 8 anos) 
"Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz." (Juan Carlos Mejía, 11 anos) 
"Inveja: Atirar pedras nos amigos." (Alejandro Tobón, 7 anos) 
"Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus." (Natalia Bueno, 7 anos) 
"Lua: É o que nos dá a noite." (Leidy Johanna García, 8 anos) 
"Mãe: Mãe entende e depois vai dormir." (Juan Alzate, 6 anos) 
"Paz: Quando a pessoa se perdoa." (Juan Camilo Hurtado, 8 anos) 
"Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra." (Luisa Pates, 8 anos) 
"Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes." (Iván Darío López, 10 anos) 
"Tempo: Coisa que passa para lembrar." (Jorge Armando, 8 anos) 
"Universo: Casa das estrelas." (Carlos Gómez, 12 anos) 
"Violência: Parte ruim da paz." (Sara Martínez, 7 anos)
Fontes:Repertório CriativoCatraca Livre.


Imagem do Professor com alguns de seus alunos. Fonte: Catraca Livre

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Paciência

"Mesmo com toda libertação feminina essa grande 'paciência' que nos caracteriza não deve nunca acabar. É uma riqueza de infinitos alcances que aumenta os poderes de paz do Universo."
(Simone de Beauvoir)