segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Correr e amar, é só começar (Atenção: este post não é só sobre mulheres e corrida)

Sou uma pessoa angustiada com os ponteiros do relógio. Adorava saber desenhar, ilustrava-me com um relógio como uma arma apontado à cabeça. É o que nesse momento melhor me descreveria, mas a verdade é que essa sensação é mais comum do que possamos imaginar. A sobrecarga de tarefas que nos impomos deixa-nos de rastos. 

Não à toa esse sentimento que algumas mulheres experienciam como stress, outras como incapacidade de progredir na carreira profissional e educacional, vem sendo motivo de preocupação dos países nos diversos encontros internacionais. Apenas como uma referência importante, em 1994, na Conferência do Cairo, falou-se em plena participação e parceria entre mulheres e homens como necessários à vida produtiva e reprodutiva, inclusive com a divisão de responsabilidades no cuidado e alimentação dos filhos e na manutenção da família. E mais se disse:
"Em todo o mundo, a mulher vê em perigo sua vida, sua saúde e seu bem-estar porque está sobrecarregada de trabalho e carece de poder e de influência. Na maior parte do mundo, as mulheres recebem menos educação formal que os homens e, ao mesmo tempo, não se reconhecem seus conhecimentos, aptidões e mecanismos de luta frente a vida. As relações de poder que impedem a mulher de alcançar uma vida sadia e plena se faz sentir em muitos níveis da sociedade, desde os mais pessoais até os mais públicos" (Cap. IV, par. 4.1, Relatório da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, Plataforma de Cairo). 
Passados mais de 20 anos desde a Conferência do Cairo, continuamos a discutir como um assunto atualíssimo a necessidade premente de empoderamento da mulher, de igualdade e equidade dos sexos e de desenvolvimento sustentável. Portanto, o tempo de uma mulher não é coisa que se resolva e se explique com um relógio apontado à cabeça, isto sim uma arma branca. 

Mas sexismos à parte, nada disso anula a possibilidade real de muitos homens, pais solteiros ou não, divorciados ou não, assumirem o papel tradicionalmente desempenhado pela mulher na família e na sociedade. É importante que se diga que, no caso das mulheres, a situação é agravada pela falta ou desequilíbrio no apoio, sobretudo, por parte do Estado e da sociedade. 

E foi por isso que, sem tempo para muito, de forma quase irônica comecei a correr. Hoje corro porque é quando mais me sinto livre de mim e da rotina; corro porque, durante aquela horinha de relógio, apodero-me do tempo. Corro sozinha, de fones no ouvido, música alta e todo o resto esquecido. 

Assim como eu, qualquer um, a princípio, pode começar e amar correr. Bastam uns bons tênis, uma roupa apropriada para o frio ou o calor e a boa disposição que se ganha pelo caminho. 

A propósito, recomendo a quem queira começar ou está a retomar os treinos, a leitura de um livro fabuloso, dirigido às meninas, mas que vale para os machos também: Correr (não) é Para Meninas, da autora Alexandra Heminsley, edição em português da Ed. Asa. A sinopse diz tudo:
"Alexandra Heminsley queria ter a cintura de uma supermodelo, as pernas de uma bailarina, a rapidez de uma gazela. Durante anos, debateu-se com estas expectativas e a realidade dos implacáveis ginásios da moda e de exercícios que a entediavam de morte. Ela queria sentir-se bem mas ver resultados rápidos. Queria ar livre e liberdade. Um dia, decidiu correr. A sua primeira corrida não acabou bem. Atualmente, já correu cinco maratonas. Como? Tudo mudou no dia em que percebeu que correr é não só um exercício físico. É também um exercício mental. É uma atitude. Por isso, embora este livro seja sobre corrida, não é apenas sobre corrida. É também sobre determinação (sim, sair da cama numa manhã chuvosa de domingo é um desafio), relações pessoais (enfrentar os intimidantes veteranos do desporto também conta), e o nosso próprio corpo (não, a gravidade não tem de interferir no nosso desempenho). Mais, é sobre cada uma de nós (e nós conseguimos chegar mais longe do que pensamos… mesmo!)."
Boa corrida! ;)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Não te apaixones...


O texto é da autora dominicana Martha Rivera-Garrido. Explica porque um contingente de mulheres interessantes continuam sós, por opção ou falta dela. Responde a outras tantas perguntas. Achei fabuloso! Alguém, por acaso, se identifica?
"Não te apaixones por uma mulher que lê, por uma mulher que tem sentimentos, por uma mulher que escreve. Não te apaixones por uma mulher culta, maga, delirante, louca. Não te apaixones por uma mulher que pensa, que sabe o que sabe e também sabe voar, uma mulher confiante em si mesma.
Não te apaixones por uma mulher que ri ou chora quando faz amor, que sabe transformar a carne em espírito; e muito menos te apaixones por uma mulher que ama poesia (estas são as mais perigosas), ou que fica meia hora contemplando uma pintura e não é capaz de viver sem música.
Não te apaixones por uma mulher que está interessada em política, que é rebelde e sente um enorme horror pelas injustiças. Não te apaixones por uma mulher que não goste de assistir televisão.
Não te apaixones por uma mulher intensa, brincalhona e irreverente. 
Não queiras te apaixonar por uma mulher assim. Porque quando te apaixonares por uma mulher como esta, se ela vai ficar contigo ou não, se ela te ama ou não, de uma mulher assim, jamais conseguirás ficar livre."
Fonte: Cortina de Retina

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Promessas revogadas para 2015


Ahhhh... este ano que vem... vai ser "o Ano"! 

Este novo ano, prometo, vou dedicar-me a mim, mas também vou lembrar de cuidar de "nós". Andamos tão perdidos e solitários! Bem, vou trabalhar menos e melhor e, juro, vou passar mais tempo bom com a família. 

Resolverei meus problemas financeiros, sinto isso! 

No ano que vem é certinho que viajo mais. Vou andar mais leve, reduzir a carga e, importantíssimo, não vou esquecer-me de respirar enquanto olhar o pôr do sol. Sim, olharei mais sois, mais luas, olharei mais para o céu.

Este ano novo, quando for verão, andarei com os pés descalços - algumas vezes sozinha, mas não muitas - e terminarei tudo que ficou pendente. Vou dar mais abraços, mais beijos, mais risadas, farei mais visitas. Só me conterei em demonstrar que pareço tão forte. Assumirei que não sou e pronto: exigirei ajuda, por amor. 

Para o próximo ano a meta é escrever, no mínimo, uma página por dia e correr 100 dias ao longo do ano. Haverei de conseguir!

E não farei promessas, nenhuma. Que isto de promessas, quando acaba o ano, é só para deixar uma pessoa confusa com o que andou a fazer! Portanto, se as fizer, por negligência, revogo-as todas desde já. Tal como ficam revogadas todas as disposições em contrário. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A história do Natal, pela Vovó Ana

Estar longe e receber um e-mail com uma cartinha assim, dirigida às meninas, é mais uma prova do seu amor e a confirmação de que a distância não afasta as pessoas que se amam.

Partilhem com vossos filhos! 


"Oi Lu e Evinha, saudades de vocês! Olha hoje quero falar com vocês sobre o Natal. No dia de natal ganhamos muitos presentes e fazemos uma grande festa, mas vou contar a vocês o motivo de tanta comemoração:
O natal é comemorado no dia 25 de dezembro, mas a festa sempre começa um dia antes, durante a ceia de natal! É quando a mamãe prepara aquela mesa cheia de coisas gostosas para comer. A tradição da ceia vem da "Santa Ceia", quando Cristo reuniu seus Apóstolos e instituiu o Santíssimo Sacramento.
No dia de Natal é celebrado o nascimento de Jesus e, sendo o aniversário dele, nada mais importante do que comemorarmos este dia. Ele nasceu em Belém, em uma gruta, e durante sua vida espalhou pelo mundo lições de amor ao próximo.
A história nos conta que no dia do nascimento de Jesus, uma grande estrela, guiou os três Reis Magos: Belchior, Baltasar e Gaspar, até o local onde nasceu Jesus, uma pequena manjedoura (um pequeno curral). Os três Reis Magos levaram presentes para Ele. Um levou ouro, o outro incenso e o outro mirra.
O ouro que representa a realeza (que Jesus é rei), o incenso que representa a divindade (que ele é o divino, filho de Deus) e a mirra que representa a imortalidade (Jesus ressuscitou).
A visita dos Reis Magos a Jesus está representada nos presépios, que até hoje são montados durante a espera do Natal. Sabe como isto começou? Quem primeiro montou presépio foi São Francisco de Assis, em 1224. Todos ficaram tão encantados de como ele contava a história do nascimento de Jesus, que a partir daí, a tradição de montar o presépio ganhou o mundo.
Outro símbolo muito importante no natal são as árvores enfeitadas. Para nossa religião a árvore de natal, toda verde, é sinal de vida, enquanto as bolas nela penduradas significam os bons frutos oferecidos por Jesus à Humanidade. Já as velas que usamos no Natal representam a presença de Cristo como Luz.
Ah! E o Papai Noel. Diz a lenda que ele vive no Pólo Norte e tem uma fábrica de brinquedos, onde trabalham seus ajudantes, os duendes. Na noite de natal, ele pega seu trenó, puxado por renas voadoras, enche seu saco vermelho de presentes e sai para presentear todas as crianças que se comportaram bem durante o ano. A figura do bom velhinho de barbas brancas foi inspirada no bispo São Nicolau. "Atribuíram-se a ele vários milagres, mas o que marcou definitivamente foi sua bondade e a prática de distribuir presentes entre as crianças".
Outra coisa importante no Natal é ajudar quem mais precisa. É um gesto muito bonito, pois mais importante do que receber, é dar. Por isto é importante tirar aquelas roupinhas e brinquedos que não usamos mais para doar a uma criança que precisa. Podemos também pedir a mamãe para comprar um brinquedo para crianças, que os papais não podem comprar presentes para eles ou mesmo comprar comidas e guloseimas e entregar em orfanatos e fazer a noite de Natal destas crianças uma alegria. 
Feliz Natal para vocês minhas meninas amadas. 
Da dinda vó Ana" 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Ciranda da Bailarina


"Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho 
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem

Procurando bem
Todo mundo tem..."

(Chico Buarque)