quinta-feira, 9 de outubro de 2014

"Dou pra qualquer homem que saiba usar a crase"

Não conheço a autoria do texto, foi publicado no jornal Sensacionalista, de 7 de Outubro de 2014, e me fez rir. Partilho.


"Meu nome é P. e tenho 39 anos. Gostaria de estar casada, ter ao menos dois filhos e uma vida pacata. Mas nasci com um vício: tesão em homem que sabe usar a língua. A Língua Portuguesa. Desde pequena, na escola, eu deixava de lado os amigos bonitos e me esfregava nos colegas cheios de espinhas que sabiam conjugar corretamente os verbos irregulares. Meu primeiro orgasmo foi quando C., no primeiro ano do ensino médio, naquela época segundo grau, conjugou corretamente o mais-que-perfeito do verbo ser. Impecável. Irresistível.
O problema é que nunca coincidia de um rapaz que sabia Português gostar de mim. Acabei namorando F. por muito tempo. Ele ao menos falava direito. Mas, na hora de escrever, sempre esquecia o acento diferencial do têm e do vêm no plural. Isso me corroía por dentro. Acabei traindo F. que era um deus grego, com o magrelo e vesgo G., que jamais escrevia assistir, no sentido de ver, sem usar a preposição após o verbo. F. Descobriu e me deu um pé na bunda. Um pé na bunda sem hífen, vejam bem! Ele não era mesmo pra mim!
A mudança ortográfica mexeu com meu coração. Eu já não conseguia mais entender como funcionava o meu desejo. Não sabia se me sentia atraída por quem escrevia vôo ou voo. Tentei me controlar. Fui ao psicólogo. Mas saí porque ele falava “seje” e “resistro”. Como me tratar ali?
Há um ano, eu estava casada com A. Um homem bom, elegante, inteligente, que fazia tudo por mim. Eu estava muito feliz, pensando em ter filhos, mas um dia ele me escreveu uma carta, que começava assim: “Nos conhecemos a dois anos e eu…”. A grafia incorreta do verbo haver me deixou frígida por algum tempo até que conheci Z, um colega novo da repartição. Já na primeira semana, pegou um recado pra mim quando eu estava no banheiro. No papel, estava escrito: “Tua mãe telefonou e pediu que tu leves o documento à loja de tua tia”. Diante da perfeição da concordância da segunda pessoa do singular e, principalmente, da crase bem colocada, me apaixonei perdidamente por ele e larguei A.
Mas, infelizmente, Z. não gosta de mim. Está noivo da recepcionista do segundo andar, que tem longas pernas, seios enormes e diz “a gente almoçamos”.
Que destino cruel o meu!”
Fonte: Sensacionalista: Um jornal isento de verdade.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Bombom de uva

O sabor da uva envolvida no doce é qualquer coisa de sublime. Garanto. E fica lindo. 

Segue a receita do bombom de uva que já é esperado nas nossas festinhas de aniversário. Muito simples e fácil de fazer, é preciso só alguma paciência para enrolar as uvas.

Ingredientes  

1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de manteiga
3 gemas
Corante verde

Modo de fazer

1. Misturar todos os ingredientes e levar ao lume, mexendo sempre. 2. Aos poucos, acrescentar o corante até ficar no tom desejado (verde claro, mais ou menos da cor da uva verde). 3. Continuar a mexer até dar o ponto de brigadeiro, isto é: quando começar a soltar da panela está em ponto de enrolar. 3. Espalhar num prato e deixar arrefecer. 4. Com uma colher de sopa, pôr uma quantidade da massa na mão, abrir a massa e pôr uma uva verde no meio. 5. Envolver a uva na massa, enrolando-a de modo a ficar coberta. 6. Por fim, passar no açúcar fino ou cristal.


   

domingo, 5 de outubro de 2014

A estrela Su, que brilha, brilha...


"Mãe, quer fazer cocó.
Mãe, abaixa-te.
Mãe, fecha os olhos.
Mãããeee, és minha amiga?
Mãe, eu quer me portar beeeem...
Mãe, eu já sou crescida como a mana.
Mãe, eu quer ser bebééé...
Mãe, quer leitinho chocolate no libão.
Mãe, quer dar um abraaaaço. 
Mãe, deita na minha cama.
Mãe, conta uma estória da ovelha."

Su, bebé da mãe, que alegria trouxeste à nossa casa! Hoje o dia foi teu, fizeste 3 anos! Está cada dia mais crescida, bebé da mãe! A minha estrela pequenina, que brilha, brilha...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Parabéns, Filha! Hoje é teu dia...


Ela faz birras, esquece-se de tudo em 5 minutos. Não gosta de couves e teima em deixar sempre um resto de comida no prato. 

Ela adora a Violetta, adora a acrobática, adora o Brasil, adora a escola, adora a família. Ela, quando gosta, gosta com muita intensidade.

Chora. Chora por coisas pequenas. Às vezes irrita-me, faz queixinhas! Depois, se me ver triste ou a chorar, faz-me desenhos e cartas coloridas. 

Ela tem um coração enorme... precisa sentir-se amada. Preocupa-me!

Mas ela tem qualquer coisa de luz, de estrela cintilante. Ela trouxe-nos brilho. 

Há 7 anos é assim e é impossível imaginar o mundo sem ela...  

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Mais da Luluzinha

Já temos água e sumo para o aniversário que pretende ser uma festa divertidíssima e só para meninas... :)

Saiba como, aqui.



sábado, 27 de setembro de 2014

Receita da Mousse de Maracujá top lá de casa

Tão fácil, tão fácil e tão bom, que nem vou comentar. Deixo para vocês tirarem as próprias conclusões.

Receita da Mousse de Maracujá top cá de casa:  

Ingredientes:
1 lata de leite condensado
1 lata (mesma medida) de natas fresca (ou creme de leite)
1 lata de polpa de maracujá
1 pacote de gelatina neutra em pó

Modo de fazer:
1. Dissolver a gelatina em um pouco de água e reservar. 2. Reservar um pouco da polpa de maracujá com os caroços para decorar no final. 3. Misturar todos os ingredientes (leite condensado; natas fresca, polpa de maracujá e gelatina) numa liquidificadora até ficar cremoso. 4. Distribuir em taças, cobrir com película e levar ao frigorífico. 5. Na hora de servir, decorar com uma colher de chá de polpa de maracujá. 

Esta receita é a base para mousses de diversos sabores. É só substituir a polpa de maracujá, por exemplo, por polpa de manga, a mesma medida de sumo de lima (limão) ou morango. 



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Como decorar uma festa de forma fácil e barata

A maternidade despertou em mim um lado desenrascado e criativo que eu não conhecia. Isso deve acontecer com todas as mães e, comigo, veio à lume quando aproximou-se o 1º aniversário da Maluzinha. Coisa de mãe de primeira filha que guarda até a pulseirinha da maternidade, do género que emoldura o teste do pezinho, "faz-de-tudo-para-não-perder-um-lance". Cá, em terra onde seria inimaginável (€€€€€) contratar uma dessas pessoas prendadas que montam a festa toda e a gente vai linda e descansada só comemorar, a opção era: "Ou fazes tu ou fazes tu mesmo". Pronto, lá fui eu pela primeira vez numa incursão pelas mil maneiras de preparar uma festa infantil: Convites, mesa decorada, lembrancinhas, língua-de-sogra, saquinho surpresa, tudo ao estilo dos aniversários de minha memória. Viajei pela minha própria infância, fui buscar as receitas que mais gostava e passei três noites preparando coisas. Maluca! 

Mas agora, já no 7º ano, posso dizer que sei fazer uma festinha com pouco trabalho e dinheiro. Ano a ano, constato que o que as crianças mesmo não dispensam é diversão; vou cortando o que sobra e eliminando o desnecessário. O lanche é o mais habitual possível: Umas sandes de queijo e fiambre, cachorro quente, pipocas, gelatina, brigadeiro, alguns doces porque é dia de aniversário e, claro, tudo bem bonito porque elas deliram com a mesa decorada. Simplifiquei (graças a Deus!) e reduzi tudo a muita diversão, um bolo (que encomendo com o tema da festa) e pouco mais, decorado de modo a que, quem vê de fora, pensa que eu sou o génio da lâmpada. E como Deus é meu amigo, só preciso fazer uma festa por ano porque as meninas fazem aniversário na mesma semana.

Já que cheguei até aqui, vou contar-vos meu segredo: Estão vendo o site Fazendo a nossa Festa? Vou lá, decido-me por um tema (ou antes, analiso as sugestões das meninas e numa noite de insónia componho a festa toda), faço gratuitamente o download dos artigos que pretendo, salvo as imagens e depois é só personalizar e imprimir. Para poupar tempo e assegurar que os moldes ficam na medida certa, no papel adequado e com boa qualidade, prefiro mandar imprimir num Centro de Cópias (recomendo este, seguramente ficam ótimos e lindos, claro!). Assim, reservo-me apenas o trabalho com alguma bricolagem, montagem dos kits e decoração da festa com balões, etc., de modo que tenho lá o meu crédito, por isso não dispenso os elogios. A propósito, este ano o convite da festa que todos comentam, inspirado no Almanaque da Luluzinha (Banda Desenhada), foi invenção minha. ;) 

Pois bem, se tem por aí alguém a fazer aniversário, batizado e até mesmo prestes a se casar, não tem mais desculpas. Toca a escolher os convites e os kits, salvar, mandar imprimir e mãos a obra!

Abaixo, exemplo de marmitas que fiz para o aniversário das meninas. São compradas em qualquer supermercado ou loja chinesa (cerca de 1,50€ a embalagem com 8 unidades); a imagem da tampa é impressa e colada (cerca de 0,60€ a impressão por folha com 2 imagens). Serve para distribuir os lanches, poupando tempo, trabalho e dinheiro, sem contar que às vezes não encontra-se no mercado pratos descartáveis com o tema da festa e, além disso, as marmitas deixam a mesa bem mais bonita. Confiram:  




sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Preparando o aniversário das meninas...

Elas passam o ano a espera, eu tento não decepcionar. Todos os anos penso num tema e faço uma festinha com direito a insufláveis, animação, tudo para ver o sorriso orgulhoso no rostinho delas. De 3 anos para cá, a animação passou a ser em dose dupla, já que ambas comemoram o aniversário na mesma semana (2 e 5 de Outubro). Lá por casa já passaram muitos personagens animados: Hello Kitty, Pucca, Princesas Disney, até um Circo com mágico de verdade e um piquenique num parque de aventuras. Este ano, como estão ficando crescidas e passam o fim de semana a brincar de manicure, de maquilhar as bonecas, encher os cabelos de ganchos e laçarotes, cantar e dançar ao som da Violleta... eis que me surgiu a ideia de proporcionar-lhes um dia só para meninas, com isto tudo mas a sério: workshop de maquilhagem e manicure, muitas plumas pelo meio e, para registar para sempre esse dia colorido, o pai vai realizar um ensaio fotográfico com toda a turma. O convite não poderia ser mais original: criei-o ao estilo Banda Desenhada, inspirado no Clube da Luluzinha (Little Lulu, personagem norte-americana criada em 1935 por Marjorie Henderson Buell).

Elas já estão a vibrar! Confesso que eu também! :)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Nós, os fronteiriços

Internet
Ainda nas primeiras lições de Penal aprendi uma expressão que parece ter caído em desuso mas que adorávamos repetir, como se nos imprimisse um certo respeito diante do conhecimento específico que diferenciava-nos, os criminalistas ou criminologistas, dos outros aspirantes a qualquer coisa. Tratava-se da expressão "fronteiriços" ou "criminosos fronteiriços": indivíduos que vivem no limiar entre a doença mental e a normalidade e que cometem delitos com intenso grau de violência devido a distúrbios de personalidade, p. ex.: os psicopatas, obsessivos compulsivos, pessoas que sofrem de transtornos sexuais, etc.

De um modo geral, fronteiriços são pessoas que vivem na fronteira, no limite de qualquer coisa, que não se sentem enquadrados numa definição ou posição unilateral. Eu, a propósito, considero-me uma fronteiriça. Sou um ser difuso, um perfil social que transporta-me e liga-me a amigos e familiares enquanto há quase uma década recrio-me em outro país... como uma lula cujos tentáculos gigantes lança desordenadamente de modo a agarrar-se a qualquer ponto da superfície. 

Quase diariamente atualizo-me. Vejo passar casamentos, batizados, aniversários, encontros em que deveria estar... vejo crescer as crianças e os adultos envelhecerem aos poucos... mato saudades, rio e por vezes regozijo-me de minha condição. Mas muitas vezes sinto-me esquecida. Não por culpa que possa ser atribuída, prefiro acreditar que a distância pode provocar o esquecimento. Faz parte desta condição.

Se perguntarem-me o que considero mais difícil, direi que é a escolha de um dos lados. Passado um tempo, acostumamo-nos e torna-se quase confortável viver na fronteira. E assim vamos adiando a decisão, porque se calhar já não nos adaptamos; porque entretanto vieram os filhos e as escolas; porque constituímos família, outros amigos, ocupações e a vida rolou, já não somos uma só pessoa. Contudo, falta a nossa identidade; falta a história que ficou para trás e que nos pertence; falta mais do que festejar, falta chorar junto com os nossos a nossa dor, a dor que somente compreende o núcleo que a sente. 

Neste fim de semana, mais uma vez senti bem fundo o duro golpe de ser fronteiriça. Morreu uma tia. Estivemos juntas há pouco mais de um mês e não nos despedimos, estava fora de nossas expectativas. A minha família estava desolada e uniram-se em torno de um doloroso abraço. Eu, ao contrário, fechei a minha janela virtual - a mesma por onde soube a triste notícia - e daqui do lugar mais sombrio de minha fronteira, destrocei-me sozinha: chorei, lamentei e fiz o meu luto privado. 

Hoje acordei e senti, já mais restaurada, que a vida iria seguir implacável para todos nós, de longe e de perto. Só que, no meu caso, com a agravante do medo ainda maior das más notícias, essa angústia cruel que persegue aqueles que, como eu, não estão propriamente em lado nenhum.      

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

"Aqui ninguém toca" - Como falar sobre abuso sexual com as crianças

Aconteceu comigo. Há uns dias a minha filha de 6 anos disse-me que um menino mais velho aborreceu-lhe, nas suas palavras "gozou com ela", e que tocou-lhe só para chateá-la "um pouco abaixo do umbigo". A situação estava dentro da normalidade e controlo mas aquilo me deixou em alerta. Pensei: "Está na hora de falarmos sobre um assunto sério e delicado: quais as partes do corpo que não devem ser tocadas e o que fazer caso isso aconteça". 

Foi assim que descobri a regra "Aqui ninguém toca", criada pelo Conselho da Europa para ajudar pais e educadores a falar sobre abuso sexual de crianças, explicando aos mais pequenos como reagir se isso acontecer e onde procurar ajuda.

A regra consiste em não deixar tocar nas partes do corpo "normalmente cobertas pela roupa interior" assim como não o fazer aos outros. Possui 5 princípios importantes:
1. O teu corpo é só teu.
2. Há contato físico bom e contato físico mau.
3. Há segredos bons e segredos maus.
4. Existem adultos que podem ajudar e que são responsáveis (círculo de confiança). Conte-lhes.
5. Há agressores conhecidos e agressores desconhecidos.   
Todas as informações sobre como ensinar a regra "Aqui ninguém toca" podem ser consultadas, aqui. Para explicar às crianças de forma simples, utilize um livrinho com a divertida história de Kiko e a mão. O livro pode ser descarregado, aqui. 

Mais informações no site, aqui.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Cabeçudos, uma livraria com arte

Ontem fomos a Cabeçudos, uma livraria diferente, envolvente, voltada à literatura infanto-juvenil. Um lugar onde os mais pequenos são convidados à leitura e estimulados a viajarem pelas histórias dos livros fascinantes. Para além das sugestões de leitura indicada às diversas idades e também aos educadores, aos domingos a livraria desenvolve a atividade Conta-me histórias..., dinamizada por um contador de histórias, promovendo uma experiência divertida e agradável para toda a família. Preço: 5€ criança ou 10€ família.
  
A livraria fica na Rua António Lopes Ribeiro, 7A, junto da Quinta das Conchas e da estação de Metro do Lumiar, Lisboa. Mas há ainda a Livraria com Rodas - Cabeçudos Itinerante, cujo objetivo é levar livros e leitura às crianças e educadores de todo o país.

Partilho abaixo algumas imagens da nossa visita à Cabeçudos. Confiram vocês também!







  

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Livro, de José Luís Peixoto

Tenho um pacto comigo. Durante as férias tento ler um livro ou dois fora de todo e qualquer assunto relativo a trabalho. Para relaxar, tanto faz ser um romance, ficção ou não, um livro de auto-ajuda, um livro oferecido e que ficou guardado a espera de mim. Desta vez li Livro, romance do José Luís Peixoto, jovem autor e dramaturgo português já consagrado na literatura nacional e internacional. Foi prenda de anos de uma querida amiga que já suspeitava que eu iria gostar mas a verdade é que surpreendeu-me, o livro é delicioso não só pelo enredo como também pela escrita magistral, sonora e pelas referências despretensiosas que faz a escritores da literatura clássica, a emigração portuguesa em França e à história do próprio país. 

Recomendo a leitura, a não perder. 

Sinopse: Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura. Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.

Em tempo: Hoje José Luís Peixoto celebra 40 anos de vida. Está de parabéns, pela vida e pela obra.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

É da natureza do pássaro voar...

Durante as férias no Brasil aprendi muito com uma pequena fêmea de pardal que resolveu habitar e fazer seu ninho na varanda do nosso apartamento em Salvador. Fiquei uma semana a observá-la, quietinha, a cuidar dos seus dois rebentos, mimá-los e vezes sem conta sair em busca do que alimentá-los. Até que um dia, sentindo-se preparados, os filhotes voaram. Deixaram todos aquela casinha improvisada, que eu julgava ser um lar, e nunca mais voltaram. 

Fiquei a pensar se teríamos nós, eu e as crianças, culpa por termos travado uma tentativa de aproximação nem que fosse ocular. Senti-me, de certo modo, estúpida. Depois, pensei: É da natureza do pássaro voar. A beleza do pássaro está no voar, ir longe, ser livre, cantar onde bem lhe provém. Por acaso não somos nós parecidos com os pássaros? O que pode haver de mais triste senão as tentativas de sufocarem o que somos, transformarem-nos a fórceps, pretenderem-nos outro, quase de outra espécie? Não passamos nós a vida a cuidar, amar e alimentar os nossos filhos para que um dia eles alcem orgulhosos o voo mais alto que puderem? 

Sejamos íntegros. Toda a tentativa de mudar a natureza, seja do que for, é vil e vã. Contemplar, mesmo que de longe, o que nos difere do outro, é o gesto mais puro de respeito e amor.




domingo, 24 de agosto de 2014

De volta

Voltei e encontrei a casa limpa, arrumada, o carro lavado, o frigorífico completo, comida pronta, tudo no lugar, como se nunca tivesse ido. Voltei esperada. Voltei de coração mais leve, com a cabeça refeita e os pensamentos mais organizados. Voltei segura, amada e feliz. Voltei mais certa do que nunca de que há coisas que não valem mesmo a pena e pessoas que estão onde realmente deveriam. Voltei com pos doctor na observação e análise da lei do menor esforço. Voltei porque eu não costumo "entregar os pontos". Voltei porque qualquer lugar é bom desde que sirva de cenário de uma história que se pretende feliz. Voltei carregada de abraços, de beijos, de bênçãos, de conversas longas e sentidas, de amigos, de família, de compreensão. Voltei revisitada. Voltei com a minha história revista. Voltei em dia. Voltei em paz comigo. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Era uma vez...

Era uma vez uma menina que sonhava. E lia muito, desde muito antes de aprender a ler, e assim sonhava com as histórias que ouvia ou inventava...

Era uma vez uma menina, muito pequenina, mas que não cabia no seu quarto, na sua casa, na sua cidade... só cabia bem nos seus sonhos. 

Um dia, aconteceu de sentir que já não estava no mesmo lugar. Estava muito longe de todos os lugares que ela conhecia.

Era uma vez uma menina que sonhava em voltar. Todos os anos, uns mais outros menos, ela voltava e contava a sua história. Era assim, revivendo, que ela não a perdia. E se sentia feliz. 

Uma história pode ser contada muitas vezes... vezes sem conta.











quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Férias. Primeira parte: Estamos a voar

Férias. Estamos de férias do trabalho, da escola, da nossa casa; apesar de que, para mim, viajar para o Brasil não signifique propriamente "ir de férias". Mesmo assim, aproveitamos e matamos saudades, mais que tudo. Perguntam-me como consigo viajar sozinha com duas crianças, uma com 2 e outra com 6 anos, mantendo-as a colaborar desde as 8 horas de vôo - que, no nosso caso, aumentaram para 11 horas devido a dificuldades de pouso em Salvador face ao mal tempo. Voltamos para Recife, abastecemos, esperamos e lá se foram mais 3 horas de vôo. As meninas foram impecáveis! O segredo? Começo a doutrina-las um mês antes de viajar: que precisam ajudar a mama; que a mais velha deve ajudar com a mana; que quem não tem paciência não pode viajar; que devem esperar ao lado do carrinho enquanto a mama apanha as malas... e compreenderam tudo muito bem. A verdade é que são umas queridas!

A propósito das malas: O primeiro desafio é viajar com o menos possível. Consegui reduzir tudo, para um mês de viagem, em três malas pequenas; uma mochila com computador, máquina fotográfica e documentos e outra mais pequena ainda, partilhada pelas meninas, com um pequeno lanche para o caso de não gostarem da comida do avião, uma peça de roupas e fraldas para uma emergência - que por sinal foram necessárias, já que a mais pequena anda no processo de largar definitivamente as fraldas. Nessas ocasiões, é melhor não arriscar.

É a minha primeira dica de viagem: organização, disciplina e muita diversão.