Hoje faço anos. Mais um. Beeem, quarenta e tal! Quarenta e tal já faz alguma moça mas é quase indelével. A garotada de vinte e poucos anos que a gente viu criança, hoje na faculdade, trata a gente por "tia"... exige algum respeito! Quarenta e tal é um tantiiiiinho mais que quarenta e é relevante. Com quarenta e tal a gente nem é jovem, nem é velho; está ali no intermédio. É como ser o filho do meio, às vezes é indefinido. Há quem, nesta idade, sinta uma sofreguidão pela vida, uma ânsia de viver tudo o que falta; a mim, aconteceu-me o inverso. Quero viver lentamente, saborear o instante como quem aprecia um bom prato, um bom vinho, o pôr do sol. Não tenho pressa! E também sinto, com a mesma calma, que posso alterar a vida toda outra vez. Vejam só: cheguei no estágio em que me aceito e me gosto, em que me entendo e me defino e, embora sinta que morrerei com os meus traços, também não me parece que tenha o direito de traçar os outros. Mas mudaria a vida, se preciso fosse! Gosto de olhar para trás e sentir que estou onde projetei; gosto de estar onde estou, tal como gosto de saber que mudaria tudo de lugar se a vida assim me obrigasse. É paradoxal. Se calhar, uma coisa alteraria: tiraria mais a mão do travão. Mas por outro lado, vejam se compreendem esta paródia: no grupo de amigos que saem em diversão, há um responsável por conduzir o veículo, aquele que em consciência abstém-se do álcool e retorna os amigos à casa. A vida pode ser imensamente divertida mas há aqueles que são só passageiros e há os outros: os que conduzem. É só uma questão de perspetiva, de situar-se em um dos dois lados. Enfim, a mim calhou-me a chave do carro. Vamos lá nos divertir mas sem esquecer a regra: "Se beber, não conduza"... ou vice-versa.
E olhem só o doodle que o google deixou para mim. Tão lindo! :D
E olhem só o doodle que o google deixou para mim. Tão lindo! :D












