sexta-feira, 25 de abril de 2014

Era uma vez...

"Há muito tempo atrás as pessoas não podiam ter opiniões..."



E que bom que hoje podemos comemorar a liberdade de termos opinião!

"Tanto Mar" em homenagem ao 25 de Abril

"Tanto Mar" é uma composição do Chico Buarque de Holanda de meados da década de 70, de cunho político e que, possivelmente, sugere uma carta escrita pelo próprio Chico para o português José Nuno Martins, na altura um dos seus melhores amigos. A letra exalta o fim do regime ditatorial em Portugal (1974). Note-se que desde 1926 Portugal vivia sob um regime de governo autoritário, tendo como figura emblemática António de Oliveira Salazar, que assumiu o governo em 1933 e permaneceu até 1968. Sucedeu-lhe Marcello Caetano, sendo derrubado em 25 de Abril de 1974 pelo próprio Exército português com o apoio da população. A Revolução de Abril ficou mais conhecida como a Revolução dos Cravos. Há várias versões para esta denominação mas a mais popular é a que diz que um soldado solidário à revolução retirou aleatoriamente um dos cravos de uma florista local e pôs na ponta de sua espingarda, gesto que foi imitado por todos os demais. Uma outra, diz que os soldados recebiam flores do povo português no dia da queda do ditador. Foi uma revolução pacífica, sem resistência do governo. Um dado importante é que em 1974 o Brasil ainda vivia sob ditadura, tanto que Chico compôs esta canção em 1975 como forma de convocar o povo brasileiro a seguir o exemplo lusitano. Quando diz: "Lá faz primavera, pá/ Cá estou doente/ Manda urgentemente/ Algum cheirinho de alecrim", pede para que a liberdade também chegue ao Brasil, o que somente sucedeu em 1984. Não foi à toa que a primeira letra da canção (escrita no presente) foi censurada no Brasil e gravada apenas em Portugal, o que obrigou Chico a reescrevê-la (no passado), cuja versão foi gravada no Brasil em 1978. "Tanto Mar" é, sem dúvida, a homenagem mais bonita partida de um estrangeiro para a revolução portuguesa. Hoje diria que apesar da democracia os ideias que sufragaram a revolução, notadamente de contenção económica do governo, continuam a sufocar o povo e a macular a festejada liberdade portuguesa. Por isto - e não só - escolhi esta canção, na minha opinião uma das mais belas da língua portuguesa, de forma a que, passados 40 anos, não nos esqueçamos de reivindicar a manutenção da liberdade sentida de diversas formas, a manutenção de um país livre da ignorância, do desemprego, da pobreza e da falta de perspetiva para nós e os nossos filhos, pela (re)construção de nossa história de liberdade e democracia. 

Fontes consultadas:Blogs "Ame o poema"; História é vidaPortugal através do mundo.   


Tanto Mar (Chico Buarque)

- 1ª versão (1975), censurada -

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

***

- 2ª Versão (1976), modificada após a censura -

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor

Parabéns a todos os escritores e todos que alimentam a alma de livros...


Feliz por partilhar "Direito Desportivo e Conexões com o Direito Penal"

O Abril tem passado a correr e ainda com feriados pelo meio não tem sido fácil manter o blog colorido, divertido e atual. Sei que entendem, sei também que sentem falta e sei que perdoam a minha ausência despropositada.

Mas já agora, preciso contar-vos uma novidade que me deixou muito feliz. Há algum tempo estava a espera desta publicação e finalmente saiu, com uma capa linda e um conteúdo riquíssimo, às vésperas do Mundial do Brasil que era como se previa. É uma obra coletiva que versa sobre os temas mais atuais ligados ao Direito do Desporto sob os seus aspetos penais e que conta com a colaboração de renomados autores do Brasil, Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, dentre outros. Tive a honra de ser convidada a escrever um artigo em conjunto com o Professor José Manuel Meirim, uma referência na área não somente em Portugal como também a nível internacional. Tratamos do tema "A Criminalização no âmbito do combate à violência no desporto. A última solução?".

Hoje, Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, é com muito gosto que partilho a obra "Direito Desportivo e Conexões com o Direito Penal", lançada no Brasil pela Editora Juruá e a venda para todo o mundo através do site da Editora, aqui. O livro é já uma referência, por ter conseguido reunir os mais importantes especialistas na matéria e pela qualidade dos trabalhos publicados. Penso que é de leitura obrigatória para aqueles que se interessam ou trabalham nesta área.


       

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Sopa de ervilhas com bacon

Depois de uns dias de férias e alguns quilos de chocolate... o regresso das sopinhas.

Para começar a escolhida foi essa deliciosa sopa de ervilhas com bacon. Corram a fazer:

Ingredientes:
500 gramas de ervilhas em pacote (aproximadamente)
1 cenoura
2 batatas
1 cebola
2 dentes de alho
150g de bacon picado  
Azeite q.b.
Sal q.b.

Modo de fazer:
1. Picar a cebola e o alho e refogar no azeite. 2. Juntar ao refogado a cenoura e as batatas descascadas e cortadas aos cubos. 3. Adicionar as ervilhas, sal, cobrir com água e deixar cozer (aproximadamente 15 minutos). 4. Triturar tudo até ficar cremosa e adicionar o bacon. 5. Pode adicionar mais água se a consistência não estiver a gosto. 6. Servir com ervas, croutons ou um fio de azeite. 


   

domingo, 13 de abril de 2014

Mensagem da Páscoa (o tamanho do amor que cria)


Vamos de férias por uma semana e já estamos todos mais no Algarve do que cá. Por isto venho antecipar felicitações de uma boa Páscoa para todos. Pensei muito em algo que pudesse expressar o significado ou a representação da Páscoa tal como a vejo, como cristã, mas nada me pareceu mais apropriado do que aquilo que ouvi de minha filha de 6 anos a respeito de suas dúvidas sobre a própria existência, o mundo e o amor de Deus. Vou confessar-vos uma coisa: aprendo mais com ela do que ela comigo.

Feliz Páscoa para todos!
- Mamã, eu existo mesmo?
- É claro que sim, meu amor! Às vezes a gente nem acredita, né?
- Parece um sonho! Como foi que Deus criou isto tudo?
- Com o seu amor, minha filha!
- Então o amor de Deus é maior do que o teu? Porque tu não eras capaz de criar o mundo todo.
- Sim, é muito maior. É tão grande que ele fez isto tudo e ainda nos perdoa quando a gente estraga as coisas.
- Ele é mesmo fixe!  

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Renato Russo (e quem não se lembra?)

Se estivesse vivo Renato Russo teria completado 54 anos no dia 27 de Março passado, data escolhida pelo seu único filho, Giuliano Manfredini, para lançar o site oficial do vocalista do Legião Urbana. Ícone da Geração Coca-Cola, não há ninguém que tendo crescido nos anos 80 ou que conheça um pouco do rock brasileiro não saiba de cor a letra de Tempo PerdidoPais e FilhosFaroeste CabocloMonte Castelo e Eduardo e Mônica.

O clip de "Eduardo e Mônica", versão da Telefônica Vivo, é simplesmente delicioso. Vamos recordar: 


Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"
Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não tô legal, não aguento mais birita"
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"É quase duas, eu vou me ferrar"
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram, então, no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão
E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz
Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram
Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?