sábado, 29 de março de 2014

Atenção aos relógios: Mudança da hora legal para o regime de verão


Na madrugada de hoje a hora legal muda do regime de inverno para o regime de verão nos países da União Europeia. Conforme informações do Observatório Astronómico de Lisboa, em Portugal continental e na Madeira a 1:00 hora adianta-se o relógio em 60 minutos, passando para as 2:00 horas da manhã. Nos Açores a mudança será feita à 00:00 hora de domingo, passando para 1:00 hora da manhã do mesmo dia. 

Prevê-se, assim, um domingo com 23:00 horas, sendo o dia mais pequeno do ano e antecedendo uma segunda-feira sonolenta!   

sexta-feira, 28 de março de 2014

No aniversário dos alfarrábios quem ganha o presente é o leitor

No dia 3 de Abril o nosso blog vai completar 1 ano de escrevinhos e vocês leitores, que aos poucos vão se juntando a nós e já são ou vão se tornando amigos, merecem um grande "Muito obrigada!".

Muito obrigada por dedicarem algum tempo aos alfarrábios, que nem sequer é um top blog nacional daqueles que eu também adoro espreitar; muito obrigada por terem preenchido algum vazio que restava em minha vida. Vocês merecem que eu lhes diga que escrever o blog é a minha diversão, não é trabalho nem forma de rendimento, por isso o escrevo sem compromisso com as horas, assuntos ou tempo. Muito obrigada por tornarem-no tão necessário e divertido! 

Hoje pensando bem, acredito que o que faz as pessoas gostarem cada dia mais de virem aqui é o facto deste blog absolutamente comum ser escrito por uma pessoa absolutamente comum. Não sou jornalista ou cronista de profissão, não sou uma celebridade nem uma "tia" bem relacionada e antenada com as últimas tendências; não sou propriamente uma pessoa que desperte curiosidade ou interesse na leitura mas afinal escrevo sobre coisas que nos são comuns a todos, com as quais nos emocionamos, apaixonamos ou nos identificamos. Sou, na verdade, uma mulher repleta de passado, presente e futuro. Carrego dentro de mim uma imensidão de conflitos, medos, saudades e uma alegria às vezes contida. Tenho um amor enorme pela família - maior do que o meu próprio amor e de todo o amor que já conheci! - e assumo que a maternidade foi um divisor de águas em minha vida. Luto, todos os dias, para não me esquecer de mim e ainda ser a mulher pela qual o meu marido se apaixonou. Deprimo quando penso que o que faço pode não ser suficientemente bom e reconhecido e me lançar no desemprego. Procuro razão para persistir. Preciso de tempo para sonhar. O meu carro é o espaço onde oiço música, telefono, penso, decido e choro; é como se fosse a minha casa de banho. Rezo todas as noites com as minhas filhas e as abençoo; nas outras horas converso com Deus. Irrito-me a sério, reclamo, grito e arrependo-me, acho-me a pior do mundo mas no outro dia faço tudo de novo. Desculpo-me e peço desculpas. Não acho que precisamos de workshops que nos ensinem a sermos bons pais nem que nos digam como educar os nossos filhos, pois é no amor que está o bom senso. Já tive mais medo da velhice. Demoro a esquecer mas perdoo e, nessa medida, há pessoas com quem não falo mas já não me lembro detalhes do por quê, só sei que não me fizeram bem. Gosto de acreditar que tenho amigos. Gosto de me ver no espelho. 

Como foi que o blog começou? Começou no dia em que achei que estava deixando de ser como sou. Olhei para o computador e escrevi, a procura de mim e de espaço para ser somente eu: eu, igual a você, igual a tantas outras pessoas... eu, que tive a coragem de me publicizar. Ao fazer isto, primeiro mostrei-nos a nós; depois, achando graça ao que vi, chamei-nos pelos nomes e disse: - É por isto que vale a pena, é por isto que a vida tantas vezes cinzenta torna-se colorida! 

E é por isto, pelos melhores sentimentos que escrever o blog me desperta, que no dia 3 de Abril um leitor será presenteado com um voucher de um ensaio fotográfico oferecido pelos Estúdios J.A.Santos. E quem é o fotógrafo? O marido, pois é! Vale uma sessão de aproximadamente 1 hora, com a entrega de provas, um CD em formato provas e 10 fotografias em tamanho 15 x 20 com pós-produção e entregues em papel lustre profissional (segundo ele me disse porque eu não entendo nada disso).

Gostaria de presentear todos vocês mas correria o risco do marido pedir o divórcio! Portanto, a escolha recairá num leitor que ao longo dos últimos dias frequentemente interagir com a nossa página no Facebook, dando gostos, comentando, partilhando e convidando amigos. Isto não é um concurso, não haverá sorteio, é só uma forma de perceber e ajudar na difícil escolha do nosso leitor premium tentando ser o mais leal e justa possível, apesar de ser difícil não incorrer em erro. Tomem por uma brincadeira e uma maneira simbólica de lembrar a data e vos agradecer.

Participem! E muitos mais "obrigada!". 


              

quarta-feira, 26 de março de 2014

Ausência

Não sei de quem é a autoria da imagem mas tocou-me profundamente. A estátua é de Carlos Drummond de Andrade e fica na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A par das atitudes de vandalismo, maioritariamente quem passa por lá não resiste a guardar uma imagem ao lado de um dos mais festejados poetas brasileiros - ou registar um momento como este. Ironicamente, o que se sabe é que Carlos Drummond era muito reservado (dizia que tudo o que tinha a dizer já estava escrito) e não gostava de ser fotografado pois achava-se feio. Feio? A verdade é que há beleza que escapa aos olhos e mesmo na dureza, no lado mais sombrio e solitário da vida, pode haver beleza. Como nesta imagem!


 

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta. 
Hoje não a lastimo. 
Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim. 
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, 
que rio e danço e invento exclamações alegres, 
porque a ausência, essa ausência assimilada, 
ninguém a rouba mais de mim. 

Carlos Drummond de Andrade, in: O Corpo

segunda-feira, 24 de março de 2014

E a moda dos Detox?

Não se fala em outra coisa e até já rendeu boas risadas com o Ricardo Araújo Pereira na rubrica mixórdia de temáticas da Rádio Comercial. A dieta detox ou dieta desintoxicante jura limpar e reequilibar o organismo, eliminar toxinas e excesso de peso. Não ponho isto em causa mas convenhamos que a base de sumos e sopas, isto é, basicamente de uma dieta líquida, é impossível não perder peso! Seja como for, se quer mesmo perder peso ou "desintoxicar" o organismo, o mais recomendável é começar por procurar a ajuda de um nutricionista ou dietista e escolher o programa ideal de acordo com os hábitos e necessidades de cada um. Foi o que fiz há cerca de 1 ano e desde então tenho conseguido, com hábitos saudáveis e a prática regular de atividade física, manter o meu peso próximo dos 50Kg. Escolhi a Dieta 3 Passos e consegui eliminar 6 ou 7 quilos que teimavam em subsistir da minha segunda gravidez. O mais importante - penso eu -, é que aprendi a escolher melhor os alimentos e a combina-los. Hoje convivo bem com a regra da compensação (se exagero num dia, no outro tento compensar) comendo praticamente de tudo (com algum cuidado com os carboidratos e açúcares). No entanto, uma alimentação equilibrada, pobre em gorduras e açúcares, conjugada com o exercício físico, deve ser encarada como uma questão de saúde e bem-estar, não como uma exigência de aceitação ou martírio em prol do culto da beleza; deve - ou deveria -  integrar os programas de nutrição como recomendação de todo e qualquer governo seriamente comprometido com a saúde da população. E individualmente, alimentar-se adequadamente tem de ser visto e aceito como um estilo de vida, a incorporação de hábitos permanentes e contínuos; jamais como ataques de consciência em modo "desespero", que normalmente vêm com toda a força quando se aproxima o verão.

Dietas à parte, o clima quente favorece e convida ao consumo de frutas e sumos. É muito fácil conseguir combinações perfeitas somente com o uso da imaginação. Como venho de um país de clima tropical, cresci ao sabor de sumos e batidos deliciosos, tais como: cenoura e laranja; beterraba e laranja; beterraba, cenoura e laranja; banana e maçã; banana, maçã e farinha láctea; banana, leite e chocolate em pó; maça-verde e beterraba; melancia e maçã; pêra, maça, banana e leite; abacate e leite; abacaxi e hortelã; água de côco e carne do côco; limonada da casca do limão... tudo muito nutritivo, valendo como uma alternativa fresquinha aos cereais matinais das crianças.

Na onda dos detox, partilho abaixo duas receitas que enviou-me uma amiga. Disse-me que são de autoria da personal training de nome Cláudia (Solinca). Ainda não lhe perguntei se experimentou nem o que achou do resultado mas acabei por constatar que a minha querida mãezinha, sem saber, preparou-me verdadeiros DETOX!  

Sumo verde:
1 fatia de abacaxi ou melão
100g de folhas de couve
1 colher de folhas de salsa
1 colher de folhas de hortelã
1 limão
1 copo de água

(tomar em jejum durante 15 dias)

Sumo vermelho:
3 cenouras
1/2 maçã
1/2 beterraba
1 laranja
1 pedaço de gengibre

(tomar durante 30 dias em jejum, a seguir ao sumo verde)

sexta-feira, 21 de março de 2014

Sopa de Grão de Bico

A primavera chegou em Portugal (ontem) com cara de poucos amigos! Nuvens, previsão de chuva e temperatura a descer foram determinantes para a escolha do cardápio do jantar de logo mais a noite: sopa de grão de bico. Que também assenta muito bem com o equinócio de outono que, inversamente, marca o início da estação no hemisfério sul. Portanto, sem mais delongas, segue a receita desta sopa deliciosa, bastante nutritiva e muito fácil de fazer:

Ingredientes:
1 lata de grão de bico (500gr)
Mais ou menos metade de uma courgette
3 dentes de alho
1 cebola
2 cenouras pequenas
1 caldo Knorr de frango ou legumes
sal (q.b.)
azeite (q.b.)
bacon em cubos ou chouriço (q.b.)
coentros (q.b.)

Modo de fazer:
1. Cozer as cenouras, courgette, cebola e os dentes de alho, com uma pitada de sal. 2. Reservar mais ou menos 1 chávena de grão de bico. 3. Adicionar aos legumes o restante do grão, juntamente com o caldo que vem na lata, o caldo Knorr e o bacon ou chouriço e deixar ferver mais um pouco. 4. Triturar tudo até obter um creme (pode adicionar um pouco de água até ficar com a consistência a gosto). 5. Por fim, adicionar o grão reservado e servir com um pouco de coentros e um fio de azeite.


quarta-feira, 19 de março de 2014

É Dia do Pai!

Antes que me perguntem por que hoje é Dia do Pai em Portugal e no Brasil não, passo a explicar:

Em Portugal, o Dia do Pai é comemorado a 19 de Março, dia de São José (marido de Maria e pai de Jesus Cristo), o santo católico. A celebração da data varia conforme o país mas é assim também em Espanha, Itália, Bolívia, Honduras, Andorra e Liechstenstein. Dizem que a comemoração teve origem na Babilónia (2000 a.C.) ou nos Estados Unidos da América (1909), com versões diferentes; embora a implementação da data, de uma forma ou de outra, tenha visado o incentivo às vendas no comércio.

No Brasil, o Dia do Pai é comemorado no segundo domingo de Agosto, possivelmente porque, quando comemorado pela primeira vez (1953), coincidiu com o dia de São Joaquim.

Feitos os devidos esclarecimentos, desejo a todos os papás portugueses - super heróis, escudeiros, malabaristas, motoristas, cozinheiros, muitas vezes pai e mãe... -,   um dia feliz, repleto de miminhos, desenhos e muitos beijinhos. 

Feliz Dia do Pai!  

terça-feira, 18 de março de 2014

Sobre as "primas do Brasil" do imaginário da Helena e outras influências brasileiras para uma geração de portugueses

Conheci a Helena nas aulas do curso e não criamos propriamente uma amizade instantânea. Acho que ela olhava-me com alguma desconfiança e eu achava-me estúpida ao pé dela! Até que, provavelmente, a convivência mostrou-nos que estávamos erradas. A Helena é uma pessoa, ao que me parece, reservada; mas depois, esconde qualquer coisa de terno quando sorri largamente, como quem guarda lá dentro o melhor do mundo apenas para quem, merecidamente, a conquista. Não sei bem se é assim, relativamente à Helena a única certeza que tenho é que ela é mesmo intelectualmente privilegiada, é sensível às causas humanas e à música erudita, além de simpatizarmos sinceramente uma com a outra. Somos amigas e isto é suficiente.

Ontem, a Helena surpreendeu-me - a mim e a outros amigos seus brasileiros - com um texto que me deixou emocionada. Bem, eu tenho "10 anos de Portugal" (nem gosto de fazer essas contas!) e nem sempre foi fácil (como não é para nenhum imigrante!). Claro que, para alguns, eu era "engraçada", falava "como nas novelas" e por vezes despertava uma espécie de encantamento. Outras vezes, tive de quebrar preconceitos, mostrar meus verdadeiros valores numa terra ressabiada de histórias passadas, conquistar amigos. Até hoje, todos os dias, dou continuidade a esta cansativa tarefa. Talvez por isto este texto que a Helena dedicou também a mim - na sequência do vídeo com o depoimento do escritor Valter Hugo Mãe na 9ª Festa Literária Internacional de Paraty - me deixou não somente orgulhosa e feliz mas sobretudo acarinhada! Confirmou tudo o que eu sentia a respeito da minha amiga Helena.

Assim, com a sua autorização, partilho o seu delicioso texto. Não deixem de ler (e ver o vídeo a que me refiro, link aqui, até o final) e percebam bem a importância do Brasil para uma geração de portugueses desenvergonhadamente felizes conosco.           

Era uma vez as "primas do Brasil". Não eram minhas, as primas, mas era assim que todos se lhes referiam (talvez por isso eu nunca tenha chegado a decorar os nomes delas, à excepção de uma, que era Olga, e cujo rosto o tempo levou). 
As primas do Brasil chegavam com o Verão. Na verdade, era como se o Verão chegasse com elas. E era ver os primos (os que eram mesmo primos, primos verdadeiros, e os que eram tão primos quanto eu) muito animados, e as mulheres dos primos dando todos os sinais conhecidos da ciumeira. 
Mesmo pequena, compreendia-os. A eles e a elas. É que as primas do Brasil tinham qualquer coisa. E não seria, como recorda o Valter, saberem os finais das novelas, porque não me lembro se alguma vez foram questionadas sobre isso. Mas tinham qualquer coisa. Era, talvez, o português adocicado, aquele tch-tch-tch que apetece ouvir bem perto, junto ao ouvido. Era, certamente, o decote mais cavado do que o que se usava por cá. Era o tom da pele e o ar cuidado. Era o balançado, aquele, o mesmo da garota da Ipanema do Tom. 
As primas do Brasil não eram mulheres: eram aviões (embora, na época, ainda não conhecêssemos essa vossa expressão). Aviões com grandes e finas argolas de ouro nas orelhas. 
As primas do Brasil pousavam a mão em nós quando falavam. E falavam muito. Por isso pousavam muitas vezes a mão e era bom. E sorriam. E o sorriso era lânguido e lento, um sorriso de preguiça tropical, húmida e quente. Então os primos ficavam mais solícitos, mais cavalheiros. Abriam as portas, davam passagem, e tudo parecia acontecer ao ralenti como no cinema. E as mulheres queriam ficar zangadas. E ficavam. Mas nem elas resistiam bem àquele charme dengoso que só conhecíamos nos personagens do Jorge Amado. 
As primas do Brasil acordavam a nossa fantasia do país de onde vinham, da lonjura e da vida boa. Hoje, acho que elas eram, sobretudo, alegres. E a alegria, pelo menos para um português, pode ser uma coisa profunda, inesperadamente sensual.
(Helena Guimarães)