"Águas de Março" foi composta em 1972 por Tom Jobim. Anos depois, o maestro brasileiro declarou em várias entrevistas que escreveu esta canção numa época em que se sentia bastante deprimido, cansado, bebia muito e ressentia-se que iria encerrar a carreira cantando "Garota de Ipanema". Em 2001, numa pesquisa conduzida pelo Jornal Folha de São Paulo, a canção veio a ser nomeada como a melhor canção brasileira de sempre. "Águas de Março" teve várias versões regravadas, tanto no Brasil como no exterior, mas a mais famosa deve ser a de 1974, em dueto com Elis Regina. É a que eu mais gosto e, por isso, não terminaria o Março sem partilha-la com vocês.
segunda-feira, 17 de março de 2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
Da última vez em que não te vi...
Pai, faz hoje 4 anos. Custou-me tanto, dilacerou-me por dentro! Foi sem dúvida a minha viagem mais difícil - e talvez a sua também! Custou-me não ter chegado a tempo de nos abraçar, de dizermos tudo que não dissemos, de chorar até esvaziar o coração, de nos despedir. E custou-me mais ainda não saber aquilo que você queria tanto me dizer!
Pai, há pessoas que ao longo da vida deixam acumuladas muitas obras mas só depois que se vão deixam o seu feito mais importante: o ensinamento.
Pai, você é para mim uma dessas pessoas. Talvez tenha calhado a mim o quinhão mais valioso, aquele que não me podem tirar...
Pai, obrigada! Só agora eu compreendo que não me facilitar a vida era a sua forma de me amar. Fez-me forte!
Pai, perdão! Os anos e as mazelas lhe tornaram um homem mais sereno e mais resignado... tristemente resignado... e eu achava que aquele olhar vago e distante era só a ausência de motivos. Mas não era. Eu deveria ter me importado! Deveria ter lhe convencido a sentir mais vezes o ar fresco do campo e o cheiro das nossas lembranças. Se pelo menos tivéssemos tido mais uma derradeira vez!
Pai, perdão! Os anos e as mazelas lhe tornaram um homem mais sereno e mais resignado... tristemente resignado... e eu achava que aquele olhar vago e distante era só a ausência de motivos. Mas não era. Eu deveria ter me importado! Deveria ter lhe convencido a sentir mais vezes o ar fresco do campo e o cheiro das nossas lembranças. Se pelo menos tivéssemos tido mais uma derradeira vez!
Pai, eu estou sempre a me perguntar o que você levou em troca da vida. Espero que tenha levado os momentos em que fomos felizes: os nossos fins de semana na fazenda; as festas do Dia de Reis; as nossas fogueiras de São João; os sábados de feira-livre; as horas que passamos a ler os manuais dos carros; o lombo dos cavalos; os almoços que a mãe preparava ao seu gosto; os doces sem açúcar por causa do seu diabetes; as nossas conversas sobre a vida; o cheiro da minha primeira filha, a que você pode conhecer sem ver; o meu amor.
Pai, eu estava a caminho (precisava que você soubesse que eu estava a caminho!). O caminho era longo, pai, mas não nos afastou! Todas as vezes em que nos despedíamos era como se fosse a última vez. Era doloroso e talvez tenha sido melhor assim, sem mais uma última vez...
Pai, eu estava a caminho (precisava que você soubesse que eu estava a caminho!). O caminho era longo, pai, mas não nos afastou! Todas as vezes em que nos despedíamos era como se fosse a última vez. Era doloroso e talvez tenha sido melhor assim, sem mais uma última vez...
Pai, um dia, quando as minhas filhas forem mais crescidas, eu lhes contarei mais das histórias do avô e lhes ensinarei tudo que aprendi com você.
Pai, eu acho que já sei o que você queria me dizer. Descanse, pai, eu entendo!
Pai, eu acho que já sei o que você queria me dizer. Descanse, pai, eu entendo!
terça-feira, 11 de março de 2014
Mulheres Possíveis (Martha Medeiros)
A minha amiga "Pri", muito carinhosamente, me enviou este texto da jornalista, escritora e cronista brasileira Martha Medeiros, que eu não conhecia. Fiquei feliz por ao lê-lo ter se lembrado de mim. São as pequenas coisas de amigas que se conhecem desde a infância e que sabem bem uma da outra! Mas isto é porque este texto fala de mulheres, de mulheres como nós: comuns, imperfeitas e que matam um leão por dia. Este texto é um afago em nosso feminino e merece ser lido por todas nós, mulheres (e também pelos homens e mulheres de nossas vidas).
"Mulheres Possíveis
Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado algumas vezes por semana, decido o cardápio das refeições, telefono para minha mãe, para minha sogra, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, faço academia, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam a nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela. Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo PhilippeStarck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante."
(Martha Medeiros)
segunda-feira, 10 de março de 2014
Meninices...
- Mamãe, que dia é o dia da mulher?
- Foi ontem.
- E nós nem celebramos?!
- Ah? Fizemos um bolo, fomos ao ballet, brincamos no terraço, fomos andar de bicicleta, passeamos, apanhamos caracóis, passamos o dia as três juntinhas...
(...) Tá bem, hoje vamos celebrar!
domingo, 9 de março de 2014
Divino Bolo de Nozes!
Adoro bolos feito em casa. Nada de bimbys! Adoro cheiro de bolo no forno, adoro bolo quentinho, adoro a alquimia de preparar um bolo: misturar os ingredientes, o que vem primeiro e depois, levar ao forno e esperar para ver o resultado, que é sempre uma surpresa! E quando resulta bem, adoro partilhar a receita, oferecer uma fatia a uma amiga, adoro os elogios!
Por isto, nem mais, está aqui a receita do bolo de nozes que fiz ontem. Divino!
Ingredientes:
3 ovos
5 colheres de sopa de manteiga
2 chávenas (xícaras) de açúcar
2 chávenas de farinha de trigo
1 chávena de leite
1/2 chávena de nozes em pedaços pequenos
1 colher de sopa de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
Modo de fazer:
1. Com a ajuda de uma batedeira, misturar bem a manteiga, o açúcar e as gemas. 2. Depois, acrescentar a farinha de trigo, o leite e as nozes quebradas em pedacinhos e misturar tudo. 3. Acrescentar as claras previamente batidas em castelo (neve) e incorporar ao restante da massa. 4. Por último, acrescentar o fermento e o bicarbonato, misturando tudo ligeiramente. 5. Pôr em forma untada com manteiga e polvilhada com farinha de trigo e levar ao forno previamente aquecido, a temperatura média (180.º), por aproximadamente 40 minutos.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Antecipei o meu Dia da Mulher
A gente vai se deixando levar pela engrenagem do dia-a-dia, os horários disto e daquilo, que nem se apercebe que o que sobra é muito pouco. Não sei se com vocês passa-se o mesmo mas talvez por falta de objetividade minha o meu dia não anda, voa! Vivo eternamente com a angústia de que tenho de produzir mais, cobro-me demais. De modo que ainda ouço dizer que tenho de "fazer coisas giras!", que a vida está a passar-me ao lado, que tenho de "gostar de cenas". Eu, para falar a verdade, gosto de muitas "cenas" e tenho vontade de fazer imensas "cenas", não tenho é tempo que chegue! (Nem quem fique com as crianças!) Daí que, de tanto "pelejar", acho que descobri uma coisa que posso fazer em pouco tempo e que me dá algum prazer: correr. Correr é o desporto certo para quem anda sempre a correr. Que ironia! E agora a minha "pancada" é tentar correr mais em menos tempo. Devo ser louca!
Mas foi assim que hoje comecei o dia: a correr. Corri os 5 km que me determino, no meu melhor tempo: 34 minutos. E depois, tirei o resto da manhã só para mim. Está sol, que saudades tinha do sol e do efeito de 22.º sobre a pele! Guiei, deixei o carro me levar até Alcântara, estacionei no LX Factory e me deixei ser feliz, sem culpa do tempo a correr. Almocei - sozinha, devagar e deliciosamente - na esplanada do Chef Nino. De sobremesa, sem culpa, comi o melhor bolo de chocolate do mundo e bebi um café sem açúcar no Landeau Chocolate. E por fim, num impulso, entrei no Illusion Beauty Club, sentei-me na cadeira do Kako e disse-lhe: "Corta-me os cabelos." Saí de lá sentindo-me maravilhosa! Agora tenho uma hora para terminar a revisão de um texto que já revi trezentas vezes... mas que isto importa? Precisava dessas horas, precisava desse dia! Estou rabugenta e dengosa, deve ser a crise da meia idade que me assola. Combinei comigo mesma que, como amanhã é o Dia Internacional da Mulher, antecipei-me o dia. Mimei-me e estou feliz!
quinta-feira, 6 de março de 2014
Dia Internacional da Mulher: o que temos para comemorar?
Está próximo o dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. Mas o que temos mesmo para comemorar? O facto de termos nascido do género "sexo frágil"? De ainda ganharmos um ordenado menor do que o dos homens, apesar da nossa dupla jornada (fora e em casa) e de pesquisas revelarem que temos mais anos de estudos? De sermos massacradas pela cultura da beleza que nos obriga a sermos magras e termos medo de envelhecer? De ocuparmos, no Brasil, a 7.ª posição na listagem dos países com o maior número de homicídios femininos e da violência doméstica matar cada vez mais em Portugal? Não. É possível que todas as flores e mensagens partilhadas nesse dia não compensem aquilo que realmente merecemos: uma sincera mudança de atitude. Está mais do que na hora de falarmos abertamente e assumirmos posturas. A verdade, a verdade absoluta, é que não estamos sempre felizes nem acordamos sempre bonitas e bem dispostas. Há dias em que estamos imensamente cansadas e isto não é tremelique de mulher; há dias em que também nos apetece vaguear pois este não é um direito só dos homens; há dias em que não queremos falar; há dias em que queremos sonhar; há dias em que ainda temos medo; há dias insuportáveis e há coisas que de facto nos acontecem. Por exemplo: quando nos queixamos de dor de cabeça, é mesmo porque temos cabeça e ela também nos dói; e a TPM, a famigerada da TPM, pode mesmo nos atordoar; assim como também é mazela puramente feminina a tal da depressão pós-parto. Não é verdade que a conquistada igualdade tenha nos retirado a delicadeza, o gosto pela gentileza e pelo cavalheirismo; mas é verdade que a vinda dos filhos nos tira algum frescor, uma mutação própria de nossa condição... e não temos que nos penitenciar por isto; não temos de ser super-mulher, super-mãe, super-profissional, super-amante, super tudo. Lembraram-se de nos consagrar um dia porque, historicamente, as nossas lutas por melhores condições sociais, políticas e económicas assim nos avalizaram. Mas hajam muitos outros dias, hajam dias todos os dias em que possamos nos lembrar que a nossa maior e mais importante luta, ainda é, sermos tratadas com respeito.
Consultado: Texto de Janethe Fontes, Blogueiras Feministas.
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