terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Meu amigo Facebook

Começou como "Thefacebook", um site criado por quatro alunos da Universidade de Harvard (EUA) e colegas de quarto - Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz, Chris Hughes e o brasileiro Eduardo Saverin - para os entreter e ajudar a relacionarem-se. Hoje, com mais de 1,19 mil milhão de usuários em todo o mundo, o Facebook, a maior rede social do planeta, completa 10 anos. Uma matéria do G1 (São Paulo) mostra a evolução da rede social e pode ser vista, aqui.

É inegável o sucesso do Facebook, mas a verdade é que, passado uma década de sua existência, começa a dar sinais de deficiência. Uma pesquisa realizada pelo Pew Research para comemorar o aniversário do site revela que mais de um terço dos usuários dos Estados Unidos "se irrita com pessoas que compartilham muitas informações pessoais e com indivíduos que publicam fotos suas" sem autorização prévia. A maior parte dos usuários americanos são adolescentes entre 12 e 17 anos, mas recentemente o Facebook admitiu que "a rede social está perdendo popularidade entre os jovens e adolescentes". Isto porque o Facebook... digamos... está ficando velho! A idade média do seu usuário é de 40,5 e, nessa medida, os jovens sentem o risco de serem observados e migram para outras plataformas onde possam ter privacidade longe da geração de seus pais.

O que acho de tudo isto? Bem, acho que o Facebook tem dado provas de ser uma boa ferramenta social e profissional; contudo, é preciso recordar que há vida para além do monitor. O que se passa conosco? Não que seja o meu caso, mas essa notícia dos filhos disputarem com os pais mais liberdade no espaço virtual, numa autêntica batalha por privacidade conquistada através do próximo e mais novo aplicativo, me fez sentir patética! Outro dia, ouvi um comentário formidável sobre isso, e que resume tudo, do género: "é irónico como a mesma tecnologia que nos aproxima de quem está longe, nos afasta de quem está perto!".

Assim, para comemorar os 10 anos do nosso amigo Facebook, partilho essa imagem que, ao meu ver, fala por si. 


Já agora, recordo que os alfarrábios também está no Facebook. Dêem um "like" e acompanhem a nossa página depois de lavarem a loiça, lerem um livro, amarem, brincarem com os vossos filhos e não tiverem mais nada na p. da vida para fazer...      

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Rainha do Mar


Todo o dia 2 de Fevereiro o bairro do Rio Vermelho, de Tupinambás e Caramuru, de Zélia e Jorge Amado, de Caymmi e Caetano, de Dinha e Cira, dos boémios e dos artistas, de todos os baianos, vira-se em honra, festa e culto à Yemanjá, a Rainha do Mar dos pescadores, a Nossa Senhora da Conceição dos Católicos(*), a Janaína dos índios, a Sereia dos marinheiros europeus, a mãe de todos os Orixás.

Todo o dia 2 de Fevereiro é dia de levar flores para Yemanjá. É assim desde 1923, quando um grupo de pescadores, diante da escassez de peixes, pediu à Mãe das Águas fartura de pescado e um mar tranquilo, em troca de oferendas.

Todo o dia 2 de Fevereiro Salvador é no Rio Vermelho e, vestido de branco e azul, o mundo inteiro é baiano.

(*A partir de 1960 a Igreja Católica deixou de festejar em conjunto com o Candomblé, por considerar a festa pagã. Desde então, a comemoração perdeu, oficialmente, a devoção à Santa católica e a Igreja de Santana, situada no mesmo local, mantém as portas fechadas durante o ritual).





















Todas as imagens são da autoria da fotógrafa Andréa Magnoni e podem ser vistas, na totalidade, aquiIndependentemente de orientação religiosa ou crença, traduzem, fidedignamente, a beleza desse dia.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Saudade

Há um dia para tudo e um dia inteirinho dedicado à saudade, essa palavra de origem latina - solitassolitatis - que, etimologicamente, significa "solidão". A língua portuguesa apoderou-se dela. Dizem que vem dos descobrimentos, da sua tradição marítima portuguesa, quando era utilizada para definir a melancolia causada pela ausência ou lembrança dos entes queridos. Sentimento que tão bem conheço!

Saudade é: 1. Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado. 2. Pesar, mágoa que essa privação causa.

Há saudade cantada, recitada; saudade falada, escrita, calada; saudade guardada, armazenada, reciclada. Há saudade matada, saudade até esquecida! Há saudade que aperta, saudade que inspira, saudade que dói, saudade escondida... Há saudade que não deixa saudade. Há tanta saudade, aqui e ali, há saudade por todo o lado... E ainda bem que há saudade!


SAUDADE

na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.

Via você no ontem, no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.

Que saudade...

(Mario Quintana)

Estado de espírito


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Justin Bieber


Criaram-lhe mal, fizeram-lhe acreditar que era grande. Cercaram-lhe de vontades, deram-lhe um ego gigante. Sem tempo de ser criança, brincou com brinquedos de gente grande. Cedo envelheceu, aos 19 anos anunciou a sua reforma. De estrela pop, passou a "perigoso, insensato, destrutivo e consumidor de drogas", uma ameaça para a segurança do povo e má influência para os jovens. Agora, mais de 100 mil americanos exigem a sua deportação e revogação da autorização de residência. Querem pôr o menino de castigo. Oxalá ainda vão a tempo!     

Quando me perco!

Às vezes perco o sono. Repasso o dia, infinitas vezes, em meus pensamentos. E perco o sono. Apavoram-me fantasmas, não do passado mas do futuro. Apavora-me o papel em branco, a tela vazia, as horas perdidas, as palavras desaparecidas. Apavora-me a exclusão, o escuro, o obscuro. Apavora-me não saber ou mesmo saber tão pouco quando era suposto saber tanto! 

Quando sinto-me assim gosto de ouvir no carro algum tipo de música calma, que é quando basicamente o faço! Acredito que as canções podem ser formas do universo comunicar, dizer-nos coisas através da sensibilidade de algumas pessoas, que entretanto também se perdem! Bem, quando não piora a minha melancolia geminiana, deixa-me serena. Hoje ouvi o Luís Represas, um dos meus portugueses favoritos. E cantou-me isto. E eu senti que era mesmo isto. E soube-me bem!


Quando me perco
busco um abrigo
ou um tecto que não tolha os meus sentidos 
E se o teu céu, por ser maior,
cobrir o pranto?
eu vou!

Quando me perco
sigo uma estrela 
que não brilha igual
em todo o firmamento.
E se cair para lá das ilhas encantadas?
eu vou!

Se o teu nome não fosse 
o do pecado,
ou da benção que o céu 
hoje me deu,
nem por montes,
nem por mares
onde o sol nunca nasceu,
perderia o rasto
de um sorriso teu!

Quando me perco
sigo uma voz
que me chama bem do fundo 
das certezas.
Mesmo que chegue 
como um canto de sereia?
eu vou!

Quando me perco
ou se me encontro,
ou se me der para ser banal 
tal como agora,
tudo não passa 
da vontade de dizer?
eu estou!    

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Rui Pedro e a Filomena que há em nós


Tal como muitas pessoas que hoje partilham esse vídeo, não conheci de perto o Rui Pedro, nem a Filomena, nem a sua família. Mas assim como tantos outros, é-me de todo impossível ficar indiferente ao sofrimento dessa mãe e de sua família. Não há, ao menos em Portugal, ninguém que nunca tenha ouvido falar no Rui Pedro ou que não se comova ao ver o rosto, cansado e triste, morto-vivo, da Filomena Teixeira. A Filomena procura pelo seu filho há 16 anos. Não sabe ao certo o que lhe aconteceu; mas não desiste. Eu também não desistiria.

Estava grávida da Malu quando acompanhei pela imprensa a história mediática do desaparecimento da Madeleine McCann. Aquilo mexeu comigo! Lia tudo o que encontrava sobre o caso, desde recortes de jornais a revistas e livros. E sinceramente, não acredito que os pais possam estar por trás do seu sumiço. Seja como for, a Kate McCann não desiste de encontrar a sua filha. Eu também não desistiria.

Desde que sou mãe, que pus cá para esse mundo cruel e colorido uma extensão de mim, sou perseguida pelo medo, o pavor, de tirarem-me uma de minhas filhas. Vigio-as nos supermercados, nos centros comerciais, nos parques infantis, nas praias... nunca, nunca as perco de vista. Mesmo em casa, mantenho a porta trancada a chave, com receio de que alguma desça pelo elevador e desapareça. É uma fobia! Mas sou da geração de Filomenas e Kates e, vendo-as vaguear entre tribunais e suplícios, imagino a dor de não saber de um filho, de vê-lo acordar e já não dormir com ele. 

É por isso que hoje, no 27º aniversário do Rui Pedro, partilho igualmente a dor da Filomena e o seu apelo. Vejo-me nela e, nesta condição, sinto que hoje a Filomena é um pouco de todos nós e o Rui Pedro um pouco filho de todos nós. Partilho-o, porque eu também não desistiria. Não. Enquanto vivesse, enquanto não o encontrasse, enquanto não soubesse o que verdadeiramente lhe aconteceu, eu não desistiria.

O vídeo tem cerca de 1 minuto. Partilhem-no. É o melhor presente que hoje podemos oferecer ao Rui Pedro. E à Filomena. E ao Rui Pedro e à Filomena que há em nós.