quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dia do Fotógrafo (e do meu marido)

Estar casada com um fotógrafo é não ter marido nos fins de semana; é vez por outra passar aniversários (seu, dele ou dos filhos) e datas festivas sem ele; é não tê-lo na maioria das fotos de família (normalmente está atrás da objetiva); é raramente ir a festas como convidada (o marido está a trabalhar); é passar o verão a "marinar" e o inverno a consolá-lo; é estar sempre a ouvir falar de luz, objetivas, diafragma, ângulos... é procurar ver uma "imagem" em tudo... e ver nos filhos um potencial sucessor...

Hoje, Dia do Fotógrafo, o meu marido está de parabéns! Digo-lhe sempre que ele não é um fotógrafo. É um artista! Pois tem uma sensibilidade enorme e sabe, lindamente, descobrir imagens com os olhos do coração. Hoje, através dele, homenageio todos os profissionais que partilham esta paixão - e, claro, as suas mulheres e filhos, como nós, gladiadores!

(Já agora, visitem o web site dos Estúdios e a sua página no Facebookaqui e aqui. Obrigada! :D). 

   

É preciso retomar...


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Xingamento (xinga a mãe, xinga o pai, xinga o escritor)

Há coisas que leio que me calam, outras me tocam e outras ainda me fazem rir. Com esta crónica (abaixo) aconteceu mais ou menos tudo isto. A medida que lia, ia arrancando risos de mim e em gesto afirmativo concordava: "É isto! Não diria melhor!" Reparo: Com exceção da última frase que acho que, ao contrário do que parece querer dizer o autor, soa um tanto quanto machista! "A mulher nem sempre tem culpa (?!)". Não se trata de uma questão de culpa, nem muito menos sexista ou ligada ao género. Trata-se, isto sim, de repor os factos e atribuir adjetivos à pessoa certa. 

Mas antes é preciso ter em conta que o autor é o ator e escritor brasileiro Gregório Duvivier, um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos. É um texto escrito, digamos, "com piada"; embora nem todos concordem! Chamo atenção a isto porque, na reportagem, há uma dezena de comentários depreciativos ao conteúdo do texto, bem como ao escritor, por considerá-lo machista e inapropriado à essência do Jornal. Sinceramente, achei-os desproporcionalmente ofensivos (e nem foi preciso xingar a mãe ou a mulher de ninguém, vá lá!). Dado o devido crédito à comédia, não venham me dizer que não é assim que acontece, tantas vezes! É claro que as mulheres tem o seu próprio estatuto, há liberdade e igualdade, nem precisamos de procurador que nos defenda! Mas quem foi que se lembrou de dizer, com tanta graça, aquilo que a gente já sabe? Deixando de lado essa guerra do sexo, o texto, intitulado «Xingamento», tem imensa piada e penso que foi escrito nesse sentido. Leiam:  

"Puta, piranha, vadia, vagabunda, quenga, rameira, devassa, rapariga, biscate, piriguete. Quando um homem odeia uma mulher — e quando uma mulher odeia uma mulher também— a culpa é sempre da devassidão sexual. Outro dia um amigo, revoltado com o aumento do IOF, proferiu: 'Brother, essa Dilma é uma piranha'. Não sou fã da Dilma. Mas fiquei mal. Brother: a Dilma não é uma piranha. A Dilma tem muitos defeitos. Mas certamente nenhum deles diz respeito à sua intensa vida sexual. Não que eu saiba. E mesmo que ela fosse uma piranha. Isso é defeito? O fato dela ter dado pra meio Planalto faria dela uma pessoa pior?
Recentemente anunciaram que uma mulher seria presidenta de uma estatal. Todos os comentários da notícia versavam sobre sua aparência: 'Essa eu comeria fácil' ou 'Até que não é tão baranga assim'. O primeiro comentário sobre uma mulher é sempre esse: feia. Bonita. Gorda. Gostosa. Comeria. Não comeria. Só que ela não perguntou, em momento nenhum, se alguém queria comê-la. Não era isso que estava em julgamento (ou melhor: não deveria ser). Tinham que ensinar na escola: 1. Nem toda mulher está oferecendo o corpo. 2. As que estão não são pessoas piores.
Baranga, tilanga, canhão, dragão, tribufu, jaburu, mocreia. Nenhum dos xingamentos estéticos tem equivalente masculino. Nunca vi ninguém dizendo que o Lula é feio: "O Lula foi um bom presidente, mas no segundo mandato embarangou." Percebam que ele é gordinho, tem nariz adunco e orelhas de abano. Se fosse mulher, tava frito. Mas é homem. Não nasceu pra ser atraente. Nasceu pra mandar. Ele é xingado. Mas de outras coisas.
Filho da puta, filho de rapariga, corno, chifrudo. Até quando a gente quer bater no homem, é na mulher que a gente bate. A maior ofensa que se pode fazer a um homem não é um ataque a ele, mas à mãe — filho da puta - ou à esposa — corno. Nos dois casos, ele sai ileso: calhou de ser filho ou de casar com uma mulher da vida. Hijo de puta, son of a bitch, fils de pute, hurensohn. O xingamento mais universal do mundo é o que diz: sua mãe vende o corpo. 1. Não vende. 2. E se vendesse? E a sua, que vende esquemas de pirâmide? Isso não é pior?
Pobres putas. Pobres filhos da puta. Eles não têm nada a ver com isso. Deixem as putas e suas famílias em paz. Deixem as barangas e os viados em paz. Vamos lembrar (ou pelo menos tentar lembrar) de bater na pessoa em questão: crápula, escroto, mau-caráter, babaca, ladrão, pilantra, machista, corrupto, fascista. A mulher nem sempre tem culpa".
(Gregório Duvivier)
Fonte: Publicado no periódico Folha de S.Paulo, de 06.01.2014.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O futebol em luto


"Um dos melhores jogadores de todos os tempos" (Marca), "mais do que um monumento" (Mundo Desportivo), "ícone do futebol português" (El Mundo), um "ídolo" (Folha de São Paulo), um "craque" (O Globo)...

Assim a imprensa internacional noticia a morte de Eusébio, o Pantera Negra, ocorrida na madrugada deste Domingo, perto de completar 72 anos de idade. E enaltece o grande futebolista, o homem grandioso! 

Eusébio da Silva Ferreira (1942-2014), honra e glória!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Cheiro a lembrança!

O melhor de tudo é ter presente o cheiro bom de lembrança. Somente quem coleciona memórias, como eu, incorrigível, compreenderá ao certo o sentido do que digo. 

Sou feita de cheiros! Cheiro ao café moído da avó, servido em caneca com bolachas de côco besuntadas em manteiga... Cheiro a terra molhada, a chuva tropical... Cheiro a cacau a secar na estufa, a banho de rio... Cheiro a mar, a livros... Cheiro ao Senhor do Bonfim, a Coimbra... Cheiro a Lisboa, a toalhitas Dodot, a sopa, a leite, a cocó de bebé... Cheiro a desespero e a esperança... Cheiro a milhares de cremes, a material de limpeza, a roupa lavada... Cheiro a abraços, a beijos, a lágrimas, a sorrisos... Cheiro a aeroportos, a chegadas, a partidas… Cheiro a primos... Cheiro a amor e a saudade... 

E assim, por onde passo, vou deixando e vou levando os cheiros que me vão formando. O cheiro do lugar, das pessoas, o cheiro da vida, toda ela, impregnada de tantas vidas! 


Ano Novo, Código da Estrada Novo!

Vamos reabrir o ciclo de nossas conversas apontando um assunto sério e importante. Em Portugal o ano começou com a vigência do Novo Código da Estrada, que traz mais controlo no abuso do álcool (principalmente para os encartados a menos de 3 anos e os condutores profissionais, cujo limite é de 0,19 gr/l) e mais liberdade para os ciclistas; é mais detalhado quanto às regras de circulação nas rotundas e só permite a utilização de telemóveis pelos condutores dotados de um único auricular, cuja multa em caso de transgressão foi acrescida, podendo variar de 120 a 600 euros.

O Novo Código de Estrada é, ainda, menos restritivo no transporte de crianças: as que tenham menos de 12 anos e mais de 135cm podem deixar de utilizar o banco elevatório e viajar apenas com o cinto de segurança, deixando de prevalecer a regra dos 150cm.

E para ficarem a saber mais, é bastante elucidativo este resumo publicado no Público, edição de 31-12-2013, transcrito na íntegra:


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Receita de Ano Novo, por Carlos Drummond de Andrade

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo,
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
têm de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre".

(Carlos Drummond de Andrade)