quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ano Novo, Código da Estrada Novo!

Vamos reabrir o ciclo de nossas conversas apontando um assunto sério e importante. Em Portugal o ano começou com a vigência do Novo Código da Estrada, que traz mais controlo no abuso do álcool (principalmente para os encartados a menos de 3 anos e os condutores profissionais, cujo limite é de 0,19 gr/l) e mais liberdade para os ciclistas; é mais detalhado quanto às regras de circulação nas rotundas e só permite a utilização de telemóveis pelos condutores dotados de um único auricular, cuja multa em caso de transgressão foi acrescida, podendo variar de 120 a 600 euros.

O Novo Código de Estrada é, ainda, menos restritivo no transporte de crianças: as que tenham menos de 12 anos e mais de 135cm podem deixar de utilizar o banco elevatório e viajar apenas com o cinto de segurança, deixando de prevalecer a regra dos 150cm.

E para ficarem a saber mais, é bastante elucidativo este resumo publicado no Público, edição de 31-12-2013, transcrito na íntegra:


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Receita de Ano Novo, por Carlos Drummond de Andrade

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo,
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
têm de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre".

(Carlos Drummond de Andrade)


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Feliz 2014!


Que em 2014 haja mais sonhos, mais encontros fabulosos, mais notícias felizes. 

Que em 2014 a gente realize, degrau por degrau, o caminho que nos leve ao topo de nossos objetivos, sejam eles grandes ou simples e valiosos.

Que em 2014 nos reste tempo para sermos nós!

Que em 2014 haja menos injustiça, mais amigos, mais respeito pelo outro, mais compromisso, mais esperança.

Que em 2014 a gente aprenda mais com os nossos erros e com os erros cometidos conosco.

Que em 2014 a gente não desista de olhar a vida por cima de nossos ombros, cabeça erguida, sorriso largo, coração inundado de felicidade!

Porque é assim que a gente merece; é assim que deve ser.  

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Então, é Natal!

E ocorreu-me que é o nosso primeiro Natal aqui no Blogue, com um dia chuvoso, eu cá, mais ou menos, tentando tornar o nosso Natal caloroso, familiar, doce e feliz. É sempre uma data confusa para mim! Do outro lado ou aqui, nunca estamos todos juntos! Mesmo assim, é Natal e é um dia para ser feliz!

Um Santo e Feliz Natal para todos, com um grande abraço meu e da minha pequena família!
 


domingo, 22 de dezembro de 2013

Maitê Gorgonzola

Ela é uma mulher linda, vencedora, uma atriz fenomenal e uma pessoa controversa. Sua última passagem por Portugal deu o que falar e acho que foi infeliz! Um pedido de desculpas, meio inconclusivo, mesmo assim coube-lhe bem. Mas desta vez disse coisas certíssimas sobre o terror que para alguns é envelhecer. E eu transcrevo-a, literalmente: 
Estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, só ouço isto. No táxi, no trânsito, no banco, só me chamam de senhora. E as amigas falam “estamos envelhecendo”, como quem diz “estamos apodrecendo”. Não estou achando envelhecer esse ho...rror todo. Até agora. Mas a pressão é grande. Então, outro dia, divertidamente, fiz uma analogia. O queijo Gorgonzola é um queijo que a maioria das pessoas que eu conheço gosta. Gosta na salada, no pão, com vinho tinto, vinho branco, é um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção italiana, tem status de iguaria com seu sabor sofisticadíssimo, incomparável, vende aos quilos nos supermercados do Leblon, é caro e é podre. É um queijo contaminado por fungos, só fica bom depois que mofa. É um queijo podre de chique. Para ficar gostoso tem que estar no ponto certo da deterioração da matéria. O que me possibilita afirmar que não é pelo fato de estar envelhecendo ou apodrecendo ou mofando que devo ser desvalorizada. Saibam: vou envelhecer até o ponto certo, como o Gorgonzola. Se Deus quiser, morrerei no ponto G da deterioração da matéria. Estou me tornando uma iguaria. Com vinho tinto sou deliciosa. Aos 50 sou uma mulher para paladares sofisticados. Não sou mais um queijo Minas Frescal, não sou mais uma Ricota, não sou um queijo amarelo qualquer para um lanche sem compromisso. Não sou para qualquer um, nem para qualquer um dou bola, agora tenho status, sou um queijo Gorgonzola.
(Maitê Proença) 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Bacalhau com Puré de Grão (sugestão para a Consoada de Natal)

O que combina com Natal, prendas, supermercados cheios e mil coisas pelo meio? Claro que é uma receita de bacalhau fácil de preparar, que não nos tome quase tempo nenhum e ainda por cima delicioso. Portanto, se ainda anda a pensar nisso, já tem a solução: Bacalhau com Puré de Grão de Bico. Imbatível!

Bacalhau com Puré de Grão de Bico

Ingredientes
Lombos de bacalhau (média 1 por pessoa)
Azeite (quanto baste)
Coentros picados (q. b.)
4 dentes de alho
1 cebola
1 lata grande de grão de bico (mais ou menos 500g)
120ml leite
Sal e pimenta

Modo de fazer
1. Temperar os lombos de bacalhau (já demolhados) com azeite, 2 dentes de alho bem picados, cebola cortada aos gomos e ervas. Levar ao forno a 180ºC durante aproximadamente 15 minutos. 2. Numa frigideira, refogar o restante do alho com azeite, juntar o grão e depois de refogado triturar tudo com leite. Temperar à gosto com sal e pimenta e aquecer em lume brando na hora de servir. 3. Servir o bacalhau sobre o puré de grão e regar com azeite e ervas.




terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Portugal em declínio da fecundidade

Segundo dados de uma pesquisa do portal EcoDebate, de José Eustáquio Diniz Almeida, desde 1980 as taxas de fecundidade das mulheres portuguesas estão abaixo do nível de reposição, porém as projeções indicavam que a população ainda cresceria e esperava-se uma certa recuperação dessas taxas. No entanto, a crise económica que teve início em 2008, conjugada com o crescimento vegetativo (mortalidade menos natalidade) negativo, acelerou o processo de declínio populacional. O que mantinha a população estável era o saldo migratório positivo, quadro que se alterou completamente a partir de 2010 e 2011. 

Uma reportagem de Agosto deste ano, de Patrícia Mello, da Folha de São Paulo, mostra que Portugal vive a maior crise demográfica da história e pode perder 1 milhão de habitantes (quase 10% da população) em 10 a 20 anos. Cerca de 100 mil portugueses emigram anualmente desde 2010, o número de óbitos é bem maior do que o número de nascimentos e a taxa de fecundidade está em declínio, sendo já uma das mais baixas do mundo (1,28 filho por mulher). É certo que o decrescimento da população europeia é antigo mas no caso de Portugal a crise demográfica é ainda mais grave porque está aliada à emigração de mão de obra jovem e qualificada. Portugal tem a quarta maior percentagem de população com 65 anos da União Europeia (19,4%), perdendo apenas para Alemanha, Itália e Grécia.

Diz-se que Portugal encontra-se numa espiral viciosa: sem perspetiva económica, não se vislumbra uma melhoria da situação demográfica e, por outro lado, a crise demográfica agrava a crise económica. Em síntese, o declínio económico está a provocar o declínio da fecundidade e a transformar a imigração em emigração.

Traçando um paralelo com a situação brasileira, conclui-se que o caso de Portugal serve como ilustração para o Brasil, já que as taxas de fecundidade das mulheres brasileiras também estão abaixo do nível de reposição e a população deve começar a diminuir a partir de 2030. Mais, se houver crise económica, a emigração de suas riquezas humanas vai voltar a acontecer, como atualmente se nota em Portugal.

Com isto, a contar pela conjuntura económico-social desfavorável em termos de condições de trabalho e da tradição na falta de políticas de apoio à família em defesa da maternidade/parentalidade (ao contrário do que sói ocorrer em outros países da Europa), dificilmente se percetiva uma mudança considerável no caso paradigmático de Portugal. Ademais, com a queda vertiginosa da fecundidade, o aumento da longevidade e a redução do número de casamentos, é conclusivo que a população portuguesa projeta-se para o envelhecimento como um fenómeno apontado como irreversível. Ao lado da imigração, é este o grande desafio enfrentado pela sociedade portuguesa, nesta e nas gerações futuras, e para o qual deve encontrar respostas de modo a garantir a sua continuidade.

Ou seja, temos de nos sentir apoiados no desejo de ter mais filhos, de ter condições de cria-los e educa-los, de não nos sentir prejudicados na progressão da carreira profissional se precisamos de acompanha-los. E depois de investirmos neles (nos nossos filhos), temos de não sermos forçados a vê-los partir por falta de perspetiva, a mesma que nos assusta. Mas isto tudo não é o que já sabemos? Alguém, por favor, pode nos trazer uma boa notícia para o próximo ano de 2014? É que não é o que nos dizem e, se calhar, ninguém quer ficar aqui, a morrer de velhice solitária! 

Se querem saber mais, vejam, com interesse, no portal do Instituto Nacional de Estatística, os estudos: «A situação demográfica recente em Portugal» e «Primeira reflexão sobre a fecundidade, as condições de trabalho e as políticas de apoio à maternidade numa perspectiva regional».