sábado, 17 de agosto de 2013

Contra o desperdício de comida

Agrada-me a ideia da empresa brasileira Ecobenefícios, que para alertar as pessoas para o problema da fome e para o desperdício de alimentos, criou um prato com 20% menos de espaço. Isto porque, é provado que 20% da comida preparada no mundo é jogada fora todos os dias, o que equivale a 39 mil toneladas diárias apenas no Brasil, suficiente para alimentar 19 milhões de brasileiros que passam fome. Em Portugal, um milhão de toneladas de alimentos por ano é desperdiçado, ou seja, 17% do que se produz no país.  
 
Visando educar as pessoas para o consumo consciente, a Ecobenefícios lançou uma campanha em alguns refeitórios, restaurações ou praças de alimentação e de forma surpreendente chamou a atenção dos consumidores, cujo vídeo circula nas redes sociais e pode se ver abaixo. Está de parabéns, é de fato uma questão com que nos devemos preocupar e que deve começar a ser trabalhada no seio da própria família, em benefício de toda a humanidade.
 
 
 


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Reflexões sobre o crime de aborto no Brasil, em artigo publicado na Revista de Ciências Jurídicas da Unime

A Revista de Ciências Jurídicas da Unime, Ano 5, Vol. 1, publicada em 12-08-2013 (ISSN 1808-4613), traz um Artigo meu: «Entre a mulher e o feto: Considerações sobre a (des)criminação da interrupção voluntária da gravidez no Brasil» (pp. 19-53). De forma prévia e sucinta, faço algumas reflexões sobre o flagelo do crime de aborto no Brasil, objeto da tese de doutoramento que estou a trabalhar. É um tema atual e de urgente discussão, que ao meu ver acresce de interesse em vista do estudo comparado com o direito português na mesma matéria, notadamente no que respeita à análise constitucional do direito à vida. 
 
Na apresentação dos trabalhos, a Coordenação da Revista ressalta o rigor e cuidado com a pesquisa bibliográfica e doutrinária dos mesmos, com especial destaque para a "pesquisa desenvolvida sobre a proteção dos interesses da mulher e do feto na discussão sobre a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez no Brasil; bem como, o cuidado estudo sobre a aplicabilidade do transconstitucionalismo no direito penal".
 
Portanto, para quem se interessa pelo tema, dou a conhecer este meu trabalho, onde discorro de forma desenvolvida e com cuidado investigativo sobre as impressões que venho retirando do meu estudo.

A Revista de Ciências Jurídicas da Unime está disponível em formato eletrónico, podendo-se aceder aqui ao Artigo a que me refiro, assim como aos dos demais Autores.

Com isto, espero servir de contributo, sobretudo à comunidade académica, neste momento oportuno de debate tendo em conta, de um lado, a possibilidade de algum avanço com a reforma do Código Penal brasileiro, e  do outro, a tentativa de retrocesso anunciada pelo Estatuto do Nascituro.    

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Pai...

Ontem comemorou-se o Dia do Pai no Brasil (segundo domingo de Agosto) e eu emudeci. Vi fotos dos amigos com seus heróis, vi os meus amigos heróis, mensagens sentidas circulando pelas redes sociais. Recordei e calei. Há momentos assim, em que as palavras são vazias ou não bastam! E tive pena de ter crescido longe dele, de tantas vezes não nos termos compreendido, de constatar, somente tarde demais, que na maioria das vezes ele estava com a razão. Não sabia era dizê-lo, afastava-nos com um abismo de ideias mal transmitidas e um poço de sentimentos profundo demais! Hoje tranquiliza-me a certeza de que nem a distância e nem a morte afasta-nos, nunca antes me senti tão perto do meu pai! Sinto-o dentro de mim, sinto-o todas as vezes em que reconheço-o nas minhas atitudes, sinto-o quando não ultrajo a sua memória. Tudo o mais é perecível.  

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Leva-me tudo, mas deixa-me a receita do Bolo de Banana!

É espantoso, mas o post mais lido deste blogue é de receita de bolo, o do Bolo de Maçã! Não deixa de ser engraçado, considerando que não sou propriamente uma experiente cozinheira! Ainda assim, antes de partilhar as receitas, vou eu mesma prepara-las, para ter a certeza que são fáceis de fazer, rápidas e deliciosas. Podem acreditar: tudo que aqui está cumpre os requisitos!
E o Bolo de Banana não foge à regra. É corriqueiro lá em casa, o preferido da Maluzinha, o "miminho" que a sua querida "Ei" lhe preparava e que nos deixou a receita quando regressou para o Brasil. Eu própria lhe supliquei: "Leva-me tudo, mas deixa-me a receita do Bolo de Banana!". E a Elen, além do mais, deixou-nos uma saudade enorme!

Ingredientes
2 ovos
2 colheres de sopa de manteiga
1 chávena (xícara) de açúcar
2 chávenas (xícaras) de farinha de trigo
1 chávena (xícara) de leite
1 colher de sopa de fermento
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
3 bananas cortadas em tiras no sentido do cumprimento (mais ou menos)

Modo de fazer 
1. Preparar a forma: a) untar com manteiga e polvilhar com farinha de trigo uma forma redonda sem furo; b) depois, polvilhar açúcar e por cima canela em pó, numa quantidade suficiente para cobrir o fundo da forma, que é para caramelizar; c) em seguida, cobrir todo o fundo com as bananas cortadas em tiras. 2. A massa: a) bater numa batedeira primeiramente os ovos, a manteiga e o açúcar; b) depois juntar os outros ingredientes e continuar a bater, até formar uma massa homogénea; c) por fim, colocar a massa na forma já preparada, por cima das bananas, e levar ao forno pré-aquecido à 180º.   

terça-feira, 6 de agosto de 2013

"A Confissão da Leoa", de Mia Couto: um olhar sobre nós

Nunca tinha lido um livro do Mia Couto, só pequenos fragmentos e poemas que ia apanhando. Mas convencida da sua importância para a literatura contemporânea portuguesa, distinguido em face dos diversos prémios que vem angariando tal como o Prémio Camões deste ano e a mais recente indicação para a Bienal Internacional de Literatura Neustadt, escolhi A Confissão da Leoa como o meu livro de férias. E adorei!
 
Mia Couto começou como jornalista e professor universitário e atualmente é Biólogo e o escritor Moçambicano mais traduzido.  A sua obra A Confissão da Leoa chamou a minha atenção por ser inspirada em fatos e acontecimentos reais. Tem uma mulher como narradora, a qual, junto com outro personagem, retrata a guerra, a fome, a superstição e a cultura africana de segregação. Conta a história de pessoas mortas por ataques de leões numa aldeia do Norte de Moçambique e de sofrimento das vítimas da própria condição de mulher africana. Passagens como: «Foi a vida que lhe roubou humanidade: tanto a trataram como um bicho que você se pensou um animal», «Tristeza não é chorar. Tristeza é não ter para quem chorar» e «Não é a morte que confere ausência. O morto está ainda presente: todo o passado lhe pertence. O único modo de deixarmos de existir é a loucura. Só o louco fica ausente», revelam a sensibilidade do Autor e a dura verdade que exsurge das entrelinhas desse seu romance.  
 
Mia Couto recria de forma magistral a língua portuguesa, com uma influência africana que lhe confere doçura e beleza. Recomendo-o, portanto.
 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O balanço das férias

Até há pouco tempo, as férias tinham um sentido quase egocêntrico. Despedia-me do trabalho e rumava para um retiro ensolarado, com o tempo todo dedicado ao ócio. Tem o seu valor e de fato às vezes berro pelo “meu minuto”, mas passou a ser inimaginável férias sem visitas ao zoológico, insufláveis, carrocéis, golfinhos, passeios no comboio turístico e muitos gelados. Deixou-me feliz constatar que temos vindo “afinando” a cada ano e que estes momentos em que estamos todos juntos servem também para conhecermo-nos melhor. Sim, nada é estanque e definitivo, sobretudo quando vemos crescer os filhos, constatamos que nunca sabemos tudo a respeito uns dos outros.
 
A Malu parece que vai gostar de navegar, para a felicidade do pai! É curiosa, inteligente e responsável, para a minha própria felicidade! A Eva é uma exploradora voraz, escaladora nata, teimosa e faminta. E foi presenteada com os olhos mais encantadores que há no mundo, amendoados e de pestanas enormes, que é para nos enfeitiçar e nos fazer esquecer as suas traquinices. O Zé aprendeu a virtude do equilíbrio. Eu talvez tenha conseguido repartir-me sem desintegrar-me, comove-me o amor de minhas filhas, a forma benevolente como perdoam a minha impaciência! Sim, a mãe também faz birras.
 
Contemplei infinitamente o mar, quase terminei de ler um livro. E a avaliar que não sou nada perfeita, sinto-me agraciada pela vida partilhada com eles. Foi a conclusão mais importante que extrai desses dias de férias. Gosto de estar de volta, de refugiar-me no computador, de esquecer de tudo enquanto procuro respostas e soluções, enquanto não penso em mais nada a não ser no que tenho à frente. É o meu instante vital de solidão, além do quê, ter um projeto me mantém sã. Agarro-me a ele como a tábua que me resta em um navio naufragado. No entanto, nada faria sentido se eu não pudesse tê-los, fechar a porta atrás das costas e dedicar-me a ser somente nós. É basicamente isto! 
 




 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Praia do Martinhal

Gosto do verão! Não me importava que fosse sempre verão, todo o ano. Adoro a luz do sol, a liberdade do sol, o calor do sol! E adoro tudo isso, quando o cenário é uma bela praia.
 
A esse propósito, tenho algumas praias memoráveis: Praia do Forte, Morro de São Paulo, Algodões, Copacabana, Tarifa, Hurghada, as de São Luís do Maranhão, Nice, Saint-Tropez... É difícil dizer qual a mais bonita, mas uma em especial me tira o fôlego sempre que a visito: a praia do Martinhal, no Algarve. Com a vantagem de ficar a apenas dois quilómetros de Sagres e assim poder encerrar o dia a contemplar o pôr do sol no Cabo de São Vicente, o extremo sudoeste de Portugal continental e, segundo soube, mais próximo do Brasil. Imaginem só o meu saudosismo sempre que, de lá, o meu olhar atinge a linha do horizonte!
 
Pois bem, é por aqui que ando, nesses dias de férias de verão. É por aqui que me escondo, que me aninho, que refaço os caminhos, que projeto e que vou ficando, a tentar não me acostumar com o ócio.