sexta-feira, 7 de junho de 2013

O Estatuto do Nascituro deixa-me triste e desiludida!

Confesso que não acreditava, mas aconteceu! No passado dia 05, o Estatuto do Nascituro, de que falei aqui, foi aprovado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, no Brasil, e segue desenfreado para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a última desta Casa. É parte da vitória da estupidez sobre a razão!
 
Não sei o que pensar! Quero continuar confiando na Ciência e nos seus Operadores acima dos dogmas e da moral; quero acreditar que o esforço para a construção de um país verdadeiramente democrático, pautado numa Constituição que tem a dignidade humana como motor, não seja em vão.
 
Mas se isto prosseguir, caso uma mulher, ou mesmo uma menor, seja vítima de violência sexual e engravide em decorrência desse crime contra a sua liberdade, terá de deixar nascer o filho do violador. E se uma mulher estiver em risco de vida e a interrupção da gravidez for o único meio de salva-la, terá de morrer. 
 
Vejo a história andar para trás. E de cá do outro lado do Atlântico, assisto triste e paralisada. Vejo as mulheres voltarem às ruas para protestarem, de Constituição em riste, pelo cumprimento dos seus direitos constitucionais. E isto me toca, me assusta, também me ofende!  

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A dermatite atópica, vista pelo Pediatra José Carlos Ferreira Guimarães

Quem leu o post «Onde dorme um português, dormem dois ou três», sabe da verdadeira confiança e admiração que tenho pelo Dr. José Carlos Ferreira Guimarães, Pediatra de minhas filhas. É claro que eu tenho a sorte de ter duas filhas saudáveis, mas o Dr. Guimarães também tem o poder de, com sua calma natural, desmistificar todas as minhas paranoias de mãe. Tem sempre uma palavra acertada, que eu imagino que só é possível devido a sua larga experiência na Medicina, e não raramente eu saio do seu Consultório pesando menos 10kg só de peso na consciência! Por isso, não me canso de recomendar o Dr. Guimarães a todos que me solicitam a indicação de um Pediatra.
 
Assim, na semana passada, virose vai, virose vem, fomos ter com o Dr. Guimarães, aproveitando também para a consulta de rotina das meninas. Com relação à Eva, a única coisa que me preocupa é a sua dermatite atópica. Desde que nasceu, volta e meia aparece-lhe uma manchinha vermelha no pescoço, que eu trato invariavelmente com creme hidratante e outro com corticoide nas ocasiões mais intensas. Mas aborrece-me que isto não ceda definitivamente! Então, o Dr. Guimarães entregou-me este texto que agora vos partilho e que responde a todas as dúvidas!
 
Antes, deixo-lhes os contatos do Pediatra que tem as minhas melhores indicações: 
 
José Carlos Ferreira Guimarães
Rua D. João V, 4 - 1º Esq. - 1250-090 Lisboa
Tel. 21 385 33 08
 
“A dermatite atópica ou eczema atópico é uma inflamação crónica da pele, que afeta até 10% das crianças e 1-3% dos adultos.
Não tem causa específica mas existe uma predisposição para a doença que é hereditária.
A atopia é uma tendência para reagir exageradamente produzindo anticorpos contra alergénios que não desencadeiam nenhuma reação nos não atópicos. Estes alergénios podem ser do ambiente (pólen, pó da casa, pelo de animais), alimentos (leite de vaca, ovo, etc), vestuário (lã, materiais sintéticos), infeções da pele (vírus, bactérias, fungos) ou psicológicos (stress, nervosismo).
A atopia pode afetar sobretudo o aparelho respiratório (asma), as vias aéreas superiores (rinite), os olhos (conjuntivite), o aparelho digestivo (alergia alimentar) ou a pele (dermatite atópica).
Sintomas
Os primeiros sintomas são pele seca, desidratada, surgindo uma erupção com manchas vermelhas, algumas crostas e exsudado, que se acompanham de intensa comichão. A comichão é pior à noite, após o banho e nas situações de stress.
Estes sintomas não são permanentes podendo durar alguns dias ou prolongar-se várias semanas.
A comichão origina coceira, danificando a pele que fica seca, com crostas, com exsudado e vermelha, libertando-se várias substâncias entre elas a histamina, o que agrava a comichão num ciclo vicioso.
Nos primeiros anos de vida, as crianças além de se coçarem podem dormir mal, choram continuamente com grande irritabilidade. Nesta idade a face, bochechas, pescoço e ancas são as zonas mais afetadas. Os braços e pernas também podem ser afetados, mas a zona das fraldas geralmente é poupada. Estas lesões tendem a melhorar depois dos 2 anos.
Nos mais velhos em idade escolar, as pregas cutâneas (cotovelos, pulsos e parte detrás dos joelhos), são as zonas mais afetadas, mas a região palpebral, em volta da boca, no pescoço, palmas e plantas das mãos e pés também podem ser afetadas.
Na adolescência, a dermatite atópica pode persistir por períodos prolongados, nas mãos e pregas cutâneas, mas em áreas mais reduzidas e muitas vezes desaparecendo com a idade adulta.

Tratamento
Evitar os fatores desencadeantes ou agravantes, nomeadamente o pó da casa, bonecos de peluche, polens, pelos de animais, certos alimentos, perfumes e os climas frios e secos.
É fundamental usar regularmente creme hidratante (emoliente) que protege a pele da secura e dos alergénios e germes, aplicando 2 vezes/dia nas zonas afetadas. Os cremes devem manter-se em local fresco para, ao aplicar, arrefecerem a pele aliviando a comichão.
Os banhos de óleo são úteis hidratando e protegendo a pele. Não devem prolongar-se (preferir duche rápido) e a água não deve estar muito quente. A pele deve enxugar-se com toalha macia e sem esfregar.
Coçar a pele agrava a inflamação. É preferível massajar ou dar pancadinhas nas zonas afetadas para aliviar a comichão. Manter as unhas curtas.
Usar roupas macias, de preferência de algodão, linho, seda ou microfibras, evitando tecidos ásperos, lã, nylon ou poliamida.
Para além de tratar a pele com hidratantes, na fase aguda pode ser necessário aplicar anti-inflamatórios (corticoides) em cremes ou pomadas, que inibem a inflamação reduzindo a comichão.
Nalgumas situações moderadas a graves, em crianças com mais de 2 anos, podem usar-se cremes sem corticoides (inibidores da calcineurina) que afetam o sistema imunitário da pele, controlando a inflamação”.
 

terça-feira, 4 de junho de 2013

O Bolo de Chocolate Low Cost

Sei que andam com saudades das receitinhas mágicas e por isso vou recompensa-los trazendo um dos meus ex libris. O "marido" diz que é o melhor bolo de chocolate lá de casa, mas ele é suspeito, diz o mesmo também do bolo de laranja! Ou seja, é melhor serem vocês a julgar! Mas posso assegurar que este bolo de chocolate tem o seu lugar. Faço-o já há muito tempo e batizei-o de "Bolo de Chocolate Low Cost", não por acaso! É mesmo económico e facílimo de preparar: bastam alguns ingredientes, um liquidificador e um forno. Para além do mais, é maravilhoso de bom! Tão bom, tão bom, que foi ele o eleito para cantarmos os “parabéns para mim” ainda ontem! Aliás, com metade dele, pois a outra metade já se tinha abocanhado. Agora não esperem mais, tenho certeza que todos os ingredientes se encontram em casa. Mãos ao Bolo!

Ingredientes
1 chávena (xícara) de leite
1 chávena (xícara) de óleo
2 ovos
2 chávenas (xícaras) de farinha de trigo
1 chávena (xícara) de achocolatado
1 chávena (xícara) de açúcar
1 colher de sopa de fermento em pó

Modo de fazer
1. No liquidificador, misturar bem o leite, o óleo e os ovos. 2. Depois, acrescentar a farinha de trigo, o achocolatado e o açúcar e continuar misturando bem. 3. Por último acrescentar o fermento em pó, misturando ligeiramente. 4. Assar em forma untada e polvilhada (manteiga e farinha de trigo), em forno pré-aquecido mais ou menos a 180º.

Sugestão de cobertura
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de achocolatado
2 colheres de sopa de açúcar
5 colheres de sopa de leite

Modo de fazer
1. Numa panela, levar ao fogo a manteiga, o achocolatado, o açúcar e o leite. 2. Mexer até engrossar um pouco ou soltar do fundo da panela. 3. Desenformar o bolo ainda quente e deitar a cobertura por cima.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Confissões de uma mulher de 40

Nem me apercebi e quando vi já era chegado os 40. Agora cá estou, com ar de incrédula, de que falta qualquer coisa, qualquer sensação nova que só se sente aos 40. Afinal não se passa nada! Ou melhor, vou corrigir o que disse: Pensando bem, quando entrei nos 30 lembro-me de chorar todo o dia, como se o mundo estivesse à beira do fim. E tomei sérias resoluções nesse dia! Foi a partir daí que abri o coração para a pessoa certa, mudei de país, retomei projetos e fui mãe. Portanto, passados 10 anos, não tenho razão para queixar-me que os 40 não é bem aquele dia em que obrigamos-nos a estar felizes, em festa, vestir branco, saltar 7 ondas e comer 12 uvas! Sinto-me como quem acorda numa Segunda-feira e despacha a filha mais velha para a Escola; dá o leite a mais pequena; um beijo de despedida no marido e espera, absorta, por um qualquer raio que diga que é dia de aniversário mas não um qualquer! O dos teus 40 anos!

A verdade é que entrei no segundo ato, na metade que falta da viagem e não me sinto a tal loba dos 40! Quem foi mesmo que disse isso? Talvez a falta de euforia deste dia, para além da sensação estranha de que já percorri boa parte do caminho, deve-se ao facto de esforçar-me para ser feliz todos os dias! E sou, variavelmente.

Costumava brincar que iria comemorar os 40 numa clínica de estética, esticada, plastificada. E nem foi assim tão preciso! Hoje trago comigo as marcas da caminhada, naturalmente, nem feia nem bonita. É o meu desenho, o meu mapa de estrada. Tenho vida, saúde, amores, amigos; tenho planos, sonhos, tenho tudo que mereço, que me proponho. Falta-me só abraçar a minha mãe - para ser perfeito! - e agradecer-lhe a vida. Mesmo assim vou dizer-lhe, de coração, que tenho sido incansável e que a vida me tem sido generosa. Sinto falta do meu pai, hoje mais do que nos outros dias. No mais, acho mesmo que sou corajosa; e acredito, de verdade, que tenho a família que sempre sonhei. Falta-me outras coisas, sem dúvida, mas não se pode ter tudo!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Feliz dia mundial da criança!

O dia mundial da criança foi comemorado pela primeira vez em 1950, mas muita gente desconhece a razão pela qual as crianças têm um dia dedicado a elas. Conta a história que a ideia de instituir um dia da criança começou com o pós-Guerra, quando o mundo percebeu a grave situação de abandono e orfandade em que se encontravam os menores. Surge assim a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), em 1946, órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) mundialmente conhecido por promover a defesa dos direitos das crianças.
 
Mas ainda era insuficiente, de modo que em 1950 a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs a ONU a criação de um dia dedicado às crianças de todo o mundo, comemorado pela primeira vez em 1 de Junho de 1950. Desde então a ONU reconhece que toda a criança, independentemente da raça, cor, sexo, religião, idioma ou opinião política, tem direito a um nome e nacionalidade; amor e compreensão; alimentação; cuidados médicos; educação; proteção contra todas as formas de exploração e de crescer num clima de paz. Estes direitos foram formalizados em 20 de Novembro de 1959, com a aprovação legal da Declaração dos Direitos da Criança, um documento contendo os 10 princípios mais importantes em termos de defesa das crianças (embora nem sempre sejam cumpridos!).
 
Por isso, penso que uma forma simbólica de comemorar o dia da criança é tendo uma ação proativa em relação a crianças em situações mais vulneráveis, seja através de pequenos donativos ou proporcionando-lhes um dia diferente. Como também, comemorar com as que nos são próximas, aproveitando o dia para viver em família momentos felizes e de lazer, como aliás é direito consagrado pela Declaração da ONU.
 
A minha dica é uma visita a Feira do Livro de Lisboa, que amanhã, a partir das 11 horas, terá imensas atividades voltadas para as crianças (e para os adultos também!), tais como: ateliês, lançamento de livros, DJ Kid, leitura de poemas e contos e muito mais... Ou um simples piquenique, uma ida à praia, um passeio em um parque da cidade onde estejam, pois é de espaço e liberdade que elas mais gostam!
 
Aproveitem bem o dia, façam suas crianças felizes e divirtam-se também!
 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O menu infantil: salsichas envolta em massinha (ou será o contrário?)

A Filipa Brioso (a do Bolo de Laranja!) e a Paula Fragata (outra amiga especial e mãe da amiga preferida da Malu, que depois eu conto!), andam me pedindo mais receitinhas no Blogue. Entendi perfeitamente que, ultimamente, o meu lado sério tem brincado pouco! Deve ser o meu aniversário que está a se aproximar, para o desespero da Maluzinha, que acha que a mãe está ficando velha, logo, vai morrer! Ai, meu Deus, que não se pode mais nem comemorar!
 
Bem, tenho um pacto com vocês, que é trazer-vos preferencialmente receitas fáceis e rápidas, práticas nesses dias que voam e que nos consomem... Então resolvi surpreender! Como sei que mães adoram ver os filhos limparem os pratos, segue abaixo a receita para o jantar de hoje que, aliás, dispensa receita. Agora, D. Paula Fragata, diga lá se o assunto deste post não é mesmo engraçado? Bom apetite, garotada...



 
 

 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Sequestro, rapto ou tráfico de mulheres: o melhor combate ainda é a informação

No passado dia 06 de Maio, o mundo festejou o resgate das americanas Amanda Berry (27 anos), Gina DeJesus (23 anos) e Michelle Knight (32 anos), após uma década de cativeiro em casa de Ariel Castro (52 anos), no oeste de Cleveland. Além das três mulheres, foi também resgatada uma menor de 6 anos, filha de Amanda Berry e do seu algoz.

Durante mais de 10 anos, essas mulheres foram mantidas reféns, violadas, espancadas e torturadas. Por diversas vezes engravidaram do sequestrador e sofreram abortos provocados por maus tratos.

Ariel Castro foi acusado de violação e rapto, segundo as leis do Estado do Ohio, Estados Unidos. Alegou, em sua própria defesa, que também sofrera abuso sexual na infância. Em todo caso, o crime é de enorme gravidade e pelos seus contornos pode perfeitamente delinear o perfil de um psicopata. 

No Brasil, o tipo penal possivelmente seria sequestro e cárcere privado, praticado com fins libidinosos. Há, ainda, outras circunstâncias relevantes, como ser praticado contra menores de 18 anos e com grave sofrimento físico e moral das vítimas. Antes, seria espécie de rapto, mas este crime foi revogado pela Lei nº 11.106, de 28-03-2005.

Em Portugal, seria caso de rapto cometido contra a liberdade e autodeterminação sexual das vítimas.

A violência sexual, como se nota, esteve presente ao longo da configuração dos crimes, mas verdadeiramente o que todos têm em comum é o fato de serem praticados contra a liberdade pessoal das vítimas e com clara finalidade de coação sexual. O crime é continuado, de modo que perdura enquanto mantém-se o cativeiro.

Outra espécie parecida, mas distinta, é o tráfico de mulheres, modalidade de tráfico de pessoas. Neste caso, o sequestro ou rapto destina-se à escravidão sexual e venda de mulheres como objeto sexual, utilizando-se de ameaça, coação e abuso de autoridade sobre situações de vulnerabilidade. Há a particularidade de ser um negócio ilícito (ao contrário do que sucedeu no caso norte-americano, cuja finalidade era satisfazer a lascívia do autor), por sinal o mais lucrativo e mais praticado no mercado internacional. Estima-se que 2,5 milhões de mulheres são vendidas a cada ano ao rendimento médio de 30 milhões de dólares. No entanto, o tráfico de pessoas para fins sexuais também vitima homens e crianças.

Sabe-se que o Brasil é o país da América do Sul com o maior número de mulheres traficadas para fins de exploração sexual, sendo a Espanha o país da Europa de predileção. A grande maioria desconhece o verdadeiro propósito da migração e geralmente entram no país de destino com visto de turista e com atividades camufladas através de agências de modelos ou para trabalhos como baby sitters, garçonetes ou dançarinas.

Mas o tráfico de pessoas pode não se destinar a exploração sexual, comumente também ocorrendo para a venda de órgãos ou escravidão humana. Integra a criminalidade altamente organizada, o que o torna de difícil persecução, já que ultrapassa fronteiras e exige a cooperação internacional no seu combate. Ademais, aumenta de gravidade se considerarmos que vitimam sobretudo pessoas vulneráveis, tanto em razão da idade como em situação de pobreza.

Em suma, a melhor forma de prevenir a ocorrência desses crimes é através de campanhas de esclarecimento massivo e alerta aos pais, professores, crianças, adolescentes e jovens dos riscos de aliciamento, sobretudo através da Internet. O melhor combate ainda é a informação, o que nos confronta com a delicada missão de ter que preparar as nossas crianças a desde muito cedo perceberem o mundo sob um olhar atento e desconfiado, sem entretanto lhes roubar a inocência.

Vale a pena conferir a publicidade veiculada em Atlanta (abaixo), visando alertar as pessoas para o risco e os abusos do tráfico de mulheres.