sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Bolo de Ovomaltine: História e Receita

(N. Sra. da Dieta, perdoai a nossa gula!)
 
Hoje a Eva completa 18 meses e em casa brasileira isto é motivo para comemoração. Logo, de bolinho, vela, “parabéns para você” e muitos vivas e beijinhos! Confesso que também é um pretexto para excecionalmente liberar o Bolo de Ovomaltine das minhas restrições alimentares. Sim, porque o Bolo de Ovomaltine não é um qualquer bolo, é “o bolo”! Claro que, como tal, tem também a sua história, que vos passo a contar:
 
Há muitos e muitos anos atrás, muito antes de eu conhecer o Bolo de Ovomaltine que mudou para sempre a minha conceção de “bolo de chocolate”, eu conheci a minha amiga Déa Avelar. Foi precisamente em 1992, no início do Curso de Direito que, coincidências à parte, tirávamos na terra do cacau (UESC, Ilhéus, Bahia). O meu encontro com Déa foi um encontro de almas, não éramos simplesmente amigas, éramos irmãs. Tanto que esta amizade culminou em que nos tornássemos comadres, tendo Déa, juntamente com um dos meus anjos da guarda (Ana Cristina Magalhães), batizado a minha primeira filha.
 
Mas como acontece com todas as boas amigas, às vezes apetece-me bater em Déa! Explico: para além de ser a pessoa mais otimista que eu conheço, de sorriso que enche uma sala inteira, Déa também é a pessoa mais abusada que há ao cimo da terra (minha outra irmã de caminhada, Beth Medauar, não me deixa mentir!). Cansa-nos com suas esquisitices e com o fato de achar-se o ser mais especial do mundo (apesar do seu enorme coração que, só por isso, lhe faria jus ao título), de modo que somente a perdoo por ter lá em casa uma Deusa chamada Céia.
 
Céia é daquelas pessoas que reina discretamente, é omnipresente, quase insubstituível (para o desespero de meu compadre Ricardo Avelar). E foi a bendita Céia que, acho eu, inventou a porção mágica do Bolo de Ovomaltine, após diversas experiências que resultaram numa combinação perfeita! Sabendo disto, e depois de ter experimentado algumas vezes o tal manjar que a minha amiga vaidosa mandava preparar para impressionar os amigos, ganhei a confiança de Céia e, com o meu jeitinho, retirei-lhe a porção mágica do bolo.
 
Bem, não sou o que se pode considerar “um túmulo”, tinha que inaugurar este blogue repassando-a para vocês! Tudo o que vos peço é que guardem esse segredo e eu prometo que, vez por outra, vou pincelando aqui umas receitinhas divinais. Ou acham que foi somente esta que eu arranquei de Céia?
 
A porção mágica do Bolo de Ovomaltine (muito fácil de preparar):
 
Ingredientes
4 ovos
¾ chávena (xícara) de açúcar mascaro ou amarelo
½ chávena (xícara) de farinha de trigo para bolo
1 ½ chávena (xícara) de Ovomaltine
200g de manteiga para culinária
1 colher de sobremesa de fermento
 
Modo de fazer
Bater ou misturar bem o açúcar com a manteiga e os ovos. Depois, acrescentar o Ovomaltine, a farinha de trigo, o fermento e levar a assar em forno previamente aquecido a 180º. Fazer uma cobertura de chocolate à gosto, de preferência mais líquida, tipo uma calda mais grossa, para deixar o bolo húmido.
 
Sugestão
O bolo fica maravilhoso acompanhado de gelado (sorvete) de baunilha, um pouquinho aquecido no micro-ondas antes de servir. Se quiserem impressionar (como a minha amiga Déa!), podem empratar decorando com um pouco de Ovomaltine por cima do gelado (sorvete).
 
Para finalizar este momento especial, quero dedicar este post a Evinha, que com seus enormes olhos e a sua traquinice às vezes desesperadora, enche de alegria a vida da mãe, do pai e da mana!  

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O direito de escolha da via de parto

Abordar um assunto tão polémico em poucas linhas não é tarefa fácil. Começo por esclarecer que a intenção não é fazer apologia a qualquer via específica de parto, nem tampouco comentar dados de relatórios científicos nesse campo ou orientações médicas, muito menos ingressar no terreno movediço dos índices económicos. Contudo, embora a escolha do tema tenha a ver com a minha própria experiência, penso que é preciso dar a conhecer sobretudo às mulheres o direito que lhes assiste à eleição da via de parto.

De fato, o parto é um fenómeno cercado por diversos aspetos, inclusive socioculturais, razão pela qual é objeto de estudo desde a Antropologia à Bioética e o Direito. Como também é verdade que a grande maioria das mulheres preferem o parto normal ou natural, motivadas pelo desejo de vivenciarem essa experiência de forma mais fisiológica. Mas há uma minoria – e o simples fato de haver obriga-nos a observá-la –, influenciadas pelo “medo da dor” do parto (tocofobia) ou por experiências pessoais e de outras mulheres que, podendo, fazem-na escolher o parto cesariano.

Digo “podendo”, porque, apesar de vivermos numa sociedade democrática e plural, fundamentada nos direitos de igualdade de tratamento, liberdade e autodeterminação, nem todos alcançam os custos inerentes ao exercício desse direito de escolha sem o suporte do Estado. Do que resulta que as taxas de parto por via cesária nos hospitais privados são consideravelmente mais elevadas do que as que ocorrem na rede pública, refletindo uma discriminação relevante com relação à condição socioeconómica da mulher que “pode” financiar o seu direito de opção daqueloutra menos favorecida.

É importante ressaltar que o direito dos casais, e em especial da mulher, tomarem decisões informadas a respeito da sua vida reprodutiva engloba sem dúvida o direito de escolha da via de parto, que deve ser exercido de forma livre e esclarecida, independentemente da natureza jurídica da instituição prestadora de cuidados de saúde. Exatamente neste sentido é o Parecer nº P/12/APB/08, da Associação Portuguesa de Bioética, Relatores Drs. Rui Nunes, Guilhermina Rego e Cristina Brandão. Em sentido convergente é o Parecer nº 190/2008, do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, Relator Cons. Arnaldo Pineschi de Azeredo Coutinho.

Evidentemente, o reconhecimento do direito de escolha da via de parto não é uma prioridade na agenda de saúde do Estado. Ainda assim, cabe-nos divulgar e reclamar o respeito pela dignidade e autonomia reprodutiva de todas as mulheres sem distinção, dando vozes ao Parecer da Associação Portuguesa de Bioética (assim como dos seus congéneres brasileiros), de modo a “tentar reduzir-se ao máximo as disparidades existentes entre o sector privado e o sector público, dando as mesmas possibilidades de escolha às grávidas que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde do que aquelas que já existem para as grávidas acompanhadas em regime privado”.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Bem-vindos aos meus alfarrábios!

Há muitas maneiras de contar uma história. Algumas são contadas na primeira pessoa, outras escritas a duas mãos, mas há histórias que dispensam locutores, contam-se por si!

Digo isto porque a ideia de criar um blogue veio sendo acalentada no decorrer do último ano, não por falta de ocupação mas precisamente porque, com o nascimento da minha segunda filha, experimentei a angústia de me desdobrar em amor e dedicação sem esquecer de mim.

Este blogue é o meu encontro comigo mesma, a minha faxina interior, o meu instante de solidão criativa e as minhas motivações. Nele, pretendo partilhar os mais variados assuntos, considerando as minhas diversas e indissolúveis facetas de mulher, mãe e jurista, que por sinal combinam muito bem com o diversificado grupo de amigos que orgulho-me em manter apesar da distância (em muitos casos) e apesar do tempo.

Logo, neste espaço pretendo que sejam publicados desde indicações literárias a receitas de culinária, ou seja, questões que afetam e descontraem o nosso dia-a-dia, mas sem perder de vista um dos meus maiores objetivos, que é torna-lo num fórum de discussão de assuntos realmente importantes. Deste modo, vez ou outra haverá uma plataforma para a divulgação de notícias e artigos manifestamente sobre matérias jurídicas (mas não só!) que possam ser esclarecedoras e do grande interesse da maioria dos seguidores.

Alfarrábios são livros antigos de grandes dimensões, o mesmo que calhamaços. Bem-vindos aos meus alfarrábios!