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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

La Vie Dans Une Année

Foto: Tamara Rangel
Foi outro dia, ainda me lembro de tê-la ao colo. Nasceu pequenina, filha da minha prima-mãe, também ela havia me embalado e acompanhado na minha tortuosa viagem de descobertas até transformar-me, enfim, na mulher que sou. Um engraçado labirinto onde se cruzam as mulheres fortes da minha família que, a todas as evidências, originou-se nordestina e ganhou o mundo... e as letras, as que os nossos pais e avós escreveram não com lápis e cadernos, mas com foices e muito suor. Quiseram eles que nós, da terceira geração em diante, fossemos "Doutores", de preferência, mas sobretudo de bom caráter. Esse exemplo, passado de geração para geração, salvou-nos uns tantos.

E não é que a priminha, ao modo humilde dos inteligentes, ontem apresenta-me um blog que escreve e que logo percebi que era para diminuir a solidão e a distância do novo velho mundo e do seu intercâmbio? Hoje, repassando as vistas com mais calma, me vieram lágrimas aos olhos. Que escrita linda e que bela mulher que se forma, cuja genética não nega a força e a sensibilidade apurada ao longo dos anos desde avó, mãe e Tam.

Apresento-te, para não deixar de acompanhar, o primo desses Alfarrábios, La Vie Dans Une Année, da doce viajante Tamara Rangel. Assim que li:

"Essas folhas alaranjadas, amareladas e roxeadas caindo por aí são mais bonitas e melancólicas do que eu imaginava. Também muitas outras coisas que imaginei daqui são bem mais e algumas nem tanto. É bom sentir o gostinho das coisas como elas são depois de desenhá-las na cabeça, algo que eu faço bem até demais numa boa noite de sono não dormida. As vezes não passa de uma expectativa gostosa, outras vezes é uma tormenta de ansiedade. Acho que sou assim desde que passava a madrugada inteira arrumando a mochila pro primeiro dia de aula na escola! Mas sei que é preciso aprender a dosar, porque é um risco na causa de decepções e de medos desnecessários que me impedem de fazer determinada coisa. Isso me aconteceu aqui no primeiro dia de aula do curso de francês e no da Universidade, em ambos eu passei a madrugada com insônia por causa da ansiedade, cochilei forte por um segundo e perdi a hora de levantar, deixando tudo fora do planejado. Quase me prejudiquei duas vezes (e outras tantas na vida toda) e quando não é saudável dessa forma é bom cuidar."

Isto tudo soou-me tão familiar! Logo entendi porque dizem que a gente se parece tanto... A vida é mesmo uma história que se conta e se re-conta. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Homens pagam mais, segundo o princípio "a quem mais for dado, mais será cobrado"

Aproveitando a discussão sobre desigualdade de género, que recentemente ganhou fôlego com o discurso da atriz Patricia Arquette na entrega do Óscar 2015, um restaurante em São Paulo resolveu acrescer 30% aos preços dos seus cardápios sempre que quem fizesse o pedido fosse um homem. 

No Brasil, à semelhança de outros países do mundo, as mulheres recebem cerca de menos 30% de ordenados para desempenhar as mesmas funções que os homens e, diante da tentativa de paridade pelo menos nesse setor da restauração, as reações masculinas foram acirradas. 

Depois, à vista de um folheto explicativo esclarecendo que aquele "menu injusto" tentava apenas demonstrar "quão ultrajante é a diferença salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho", melhor ainda foram as reações dos clientes, dignas de aplausos. Sem dúvida uma campanha publicitária provocadora e inteligente que dá gosto partilhar.

Fonte:B9.


quarta-feira, 11 de março de 2015

O mundo, segundo o dicionário das crianças

Numa edição da Feira Internacional do Livro de Bogotá, que decorreu em Abril de 2013, um livro chamado Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças teve um grande destaque. Nele, o autor e professor Javier Naranjo reuniu mais de 500 definições para 133 palavras, de A a Z, segundo o significado que lhes dão as crianças. A ideia surgiu quando, em uma comemoração do Dia da Criança, pediu aos alunos para definirem a palavra "criança" e uma delas chamou-lhe a atenção: "uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir cedo." A partir daí surgiram novas definições, que o  autor foi compilando durante dez anos em diferentes escolas. 

Mais essas preciosidades:

"Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma." (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos) 
"Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo." (Maryluz Arbeláez, 9 anos) 
"Água: Transparência que se pode tomar." (Tatiana Ramírez, 7 anos) 
"Branco: O branco é uma cor que não pinta." (Jonathan Ramírez, 11 anos) 
"Camponês: Um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos." (Luis Alberto Ortiz, 8 anos) 
"Céu: De onde sai o dia." (Duván Arnulfo Arango, 8 anos) 
"Colômbia: É uma partida de futebol." (Diego Giraldo, 8 anos) 
"Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos." (Ana María Noreña, 12 anos) 
"Deus: É o amor com cabelo grande e poderes." (Ana Milena Hurtado, 5 anos) 
"Escuridão: É como o frescor da noite." (Ana Cristina Henao, 8 anos) 
"Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz." (Juan Carlos Mejía, 11 anos) 
"Inveja: Atirar pedras nos amigos." (Alejandro Tobón, 7 anos) 
"Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus." (Natalia Bueno, 7 anos) 
"Lua: É o que nos dá a noite." (Leidy Johanna García, 8 anos) 
"Mãe: Mãe entende e depois vai dormir." (Juan Alzate, 6 anos) 
"Paz: Quando a pessoa se perdoa." (Juan Camilo Hurtado, 8 anos) 
"Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra." (Luisa Pates, 8 anos) 
"Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes." (Iván Darío López, 10 anos) 
"Tempo: Coisa que passa para lembrar." (Jorge Armando, 8 anos) 
"Universo: Casa das estrelas." (Carlos Gómez, 12 anos) 
"Violência: Parte ruim da paz." (Sara Martínez, 7 anos)
Fontes:Repertório CriativoCatraca Livre.


Imagem do Professor com alguns de seus alunos. Fonte: Catraca Livre

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Eu + Tu = Eu?: "Antes só do que amado pela metade. Sozinhos somos inteiros"

Um amigo que lê o blog e que assinala-me quando apanha um texto que tem a ver com esses alfarrábios, fez-me chegar o texto abaixo, da colunista Rebeca Bedone, da Revista Bula. Verdadeiro e motivacional, fala sobre separação, solidão e recomeço, sentimentos que todos nós já partilhamos. Àqueles que estão a vivê-lo, leiam-no com atenção e com a certeza de que a pior solidão ainda é a solidão a dois.

"Você não queria, mas disse adeus. Não havia nada mais que fizesse aquele amor ficar. Restaram somente você e os sonhos que um dia foram de duas pessoas. No vazio do quarto silencioso, sua vontade de se levantar ficava escondida no canto mais frio debaixo da cama. Estava tudo fora do lugar. Móveis, objetos e pensamentos se perderam na bagunça da despedida, na partilha para decidir quem fica com o quê. Murcharam-se as flores do canteiro da janela e você se esqueceu por que precisava sair de casa para viver. 
A gente querendo ou não, o frio vem como um beijo da morte, carregado de culpas e porquês. Traz no vento gelado dúvidas como “e se eu tivesse feito isso” ou “se não tivesse feito daquele jeito”. Chega com a solidão congelando o riso e aumentando a dor de quem fica, só não vem mais o amor que já foi embora. 
Quando deixamos o amor partir, aprendemos a deixar o inverno passar. E para que chegue a estação do sol e das flores, não podemos mais viver a vida daquele amor sem ele. Ora, você nem curte essas músicas que ouviam juntos só porque ele gostava. Antes, tudo bem. Mas, agora, por que continuar com essa tortura musical? Coloque para tocar a sua canção preferida e tire-se para dançar no meio da sua sala! Então ponha um vaso florido no centro da sua mesa de jantar enquanto reaprende a fazer as refeições somente na sua companhia. Daqui a pouco estará colhendo as flores que nascerão no jardim da sua alma. 
Atenção: não é culpa sua se mais um amor não te amou. E também não é exigindo do outro a entrega de algo que não é seu que alguém te amará. Não temos a posse do outro, então não se aflija por deixar o que não te pertence partir de você. Perdoe-se de suas dúvidas e “não se esqueça que desistir de alguém não é fracassar, é só reconhecer que não se pode amar onde não há reciprocidade”. 
Eu sei que, se você pudesse, pegaria um avião agorinha mesmo só para achar o amor de novo. Iria de barco, de trem, de bicicleta, pedindo carona. Pediria férias, as contas, um empréstimo só para viajar rastreando o cheiro do seu perfume. Ah, se você pudesse, o convidaria para tomar um café, uma cerveja, um banho quente e falariam dos seus filmes preferidos, quais livros estão lendo, sobre política, filosofia e nada. Ouviriam o silêncio da noite e suas revelações, seus planos e medos. 
Mas parece que você e o amor estão sempre se desencontrando. Quando você chega, ele já passou. Quando você vai, o amor te esperava. E nesse esconde-esconde você fica cheio de saudades, deseja o que já se foi e o que nunca chegou. Seu coração é um barquinho num oceano de lembranças, ora passeando por águas calmas, ora se perdendo em lágrimas turbulentas. 
Então deixe o inverno passar e levar seu barquinho para águas que você não conhece ainda. Navegue um pouco sem rumo, mas sempre em frente. Lembre-se que o pôr do sol acontece para que na manhã seguinte o seu oceano receba um beijo quente de luz. O amor está em algum porto distante e perto de você. 
Vai navegando sua vida porque somente você pode completá-la. Dê festa para os amigos em casa, assista a filmes, mesmo sozinho, e saia para passeios por aí com você mesmo. Seja feliz com o que você tem até não precisar ter ninguém. Vai navegando ora triste, ora feliz, mas vai navegando sem se preocupar com o tempo que falta para o amor chegar. Livre-se de convenções sociais que ditam que temos que ter alguém. Acredite, é bem melhor estar só do que ser amado pela metade. 
Não que seja fácil, mas pode se tornar uma viagem e tanto. E quando um dia você se ancorar em uma nova praia, e o calor dessa areia amanhecida aquecer a sua alma e a brisa suave que vier das ondas do amar te beijar, você saberá… É o amor sendo escrito nos versos da vida que dois corações navegantes decidiram compartilhar!"
Fonte: Revista Bula.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Não te apaixones...


O texto é da autora dominicana Martha Rivera-Garrido. Explica porque um contingente de mulheres interessantes continuam sós, por opção ou falta dela. Responde a outras tantas perguntas. Achei fabuloso! Alguém, por acaso, se identifica?
"Não te apaixones por uma mulher que lê, por uma mulher que tem sentimentos, por uma mulher que escreve. Não te apaixones por uma mulher culta, maga, delirante, louca. Não te apaixones por uma mulher que pensa, que sabe o que sabe e também sabe voar, uma mulher confiante em si mesma.
Não te apaixones por uma mulher que ri ou chora quando faz amor, que sabe transformar a carne em espírito; e muito menos te apaixones por uma mulher que ama poesia (estas são as mais perigosas), ou que fica meia hora contemplando uma pintura e não é capaz de viver sem música.
Não te apaixones por uma mulher que está interessada em política, que é rebelde e sente um enorme horror pelas injustiças. Não te apaixones por uma mulher que não goste de assistir televisão.
Não te apaixones por uma mulher intensa, brincalhona e irreverente. 
Não queiras te apaixonar por uma mulher assim. Porque quando te apaixonares por uma mulher como esta, se ela vai ficar contigo ou não, se ela te ama ou não, de uma mulher assim, jamais conseguirás ficar livre."
Fonte: Cortina de Retina

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Deixem as mães em paz

Imagem da Internet
Saudades de escrever, de contar aqui o que me vem no coração. Tem dias que sinto-me consumida pela vida, só apetece-me correr. E de vez em quando desligo: calço os ténis, ponho os auscultadores nos ouvidos e durante uma hora desligo. Desligo e penso, é verdade. Tomo decisões, esclareço. E penso. Numa dessas ocasiões pensei por que cargas d'água não deixam as mães em paz!   Sufocam-nos, não acha? Pior: umas mães sufocam as outras. Com as suas ideias testadas quase que com precisão científica, massacram umas às outras, uma legião de mulheres mais mães que outras, quase que a disputarem entre si o troféu de mãe do ano, do século, do universo. Outro dia uma leitora disse-me que sentiu-se como que excluída do "clube das mães" porque, veja lá, para além do leite materno, introduziu a fruta na dieta da bebé de 4 meses. Logo, uma enxurrada de comentários de devotas do aleitamento exclusivo. E quem foi que nunca ouviu dizer: "O bebé até o 6º mês tem de alimentar-se só do leite materno"; ou "Essa criança chora porque tem fome, o leite da mãe é fraco"; ou "Não dês colo sempre que o bebé chorar, vais habituá-lo mal, deixe-o chorar"; ou "Nunca leves o bebé para a tua cama ou ele só sairá de lá quando entrar para a faculdade"... Quando não embaralham o discurso todo tal como a sopa e o segundo prato. E eu cá a pensar: E se deixassem as pobres das mães em paz?

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

"Dou pra qualquer homem que saiba usar a crase"

Não conheço a autoria do texto, foi publicado no jornal Sensacionalista, de 7 de Outubro de 2014, e me fez rir. Partilho.


"Meu nome é P. e tenho 39 anos. Gostaria de estar casada, ter ao menos dois filhos e uma vida pacata. Mas nasci com um vício: tesão em homem que sabe usar a língua. A Língua Portuguesa. Desde pequena, na escola, eu deixava de lado os amigos bonitos e me esfregava nos colegas cheios de espinhas que sabiam conjugar corretamente os verbos irregulares. Meu primeiro orgasmo foi quando C., no primeiro ano do ensino médio, naquela época segundo grau, conjugou corretamente o mais-que-perfeito do verbo ser. Impecável. Irresistível.
O problema é que nunca coincidia de um rapaz que sabia Português gostar de mim. Acabei namorando F. por muito tempo. Ele ao menos falava direito. Mas, na hora de escrever, sempre esquecia o acento diferencial do têm e do vêm no plural. Isso me corroía por dentro. Acabei traindo F. que era um deus grego, com o magrelo e vesgo G., que jamais escrevia assistir, no sentido de ver, sem usar a preposição após o verbo. F. Descobriu e me deu um pé na bunda. Um pé na bunda sem hífen, vejam bem! Ele não era mesmo pra mim!
A mudança ortográfica mexeu com meu coração. Eu já não conseguia mais entender como funcionava o meu desejo. Não sabia se me sentia atraída por quem escrevia vôo ou voo. Tentei me controlar. Fui ao psicólogo. Mas saí porque ele falava “seje” e “resistro”. Como me tratar ali?
Há um ano, eu estava casada com A. Um homem bom, elegante, inteligente, que fazia tudo por mim. Eu estava muito feliz, pensando em ter filhos, mas um dia ele me escreveu uma carta, que começava assim: “Nos conhecemos a dois anos e eu…”. A grafia incorreta do verbo haver me deixou frígida por algum tempo até que conheci Z, um colega novo da repartição. Já na primeira semana, pegou um recado pra mim quando eu estava no banheiro. No papel, estava escrito: “Tua mãe telefonou e pediu que tu leves o documento à loja de tua tia”. Diante da perfeição da concordância da segunda pessoa do singular e, principalmente, da crase bem colocada, me apaixonei perdidamente por ele e larguei A.
Mas, infelizmente, Z. não gosta de mim. Está noivo da recepcionista do segundo andar, que tem longas pernas, seios enormes e diz “a gente almoçamos”.
Que destino cruel o meu!”
Fonte: Sensacionalista: Um jornal isento de verdade.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

"Aqui ninguém toca" - Como falar sobre abuso sexual com as crianças

Aconteceu comigo. Há uns dias a minha filha de 6 anos disse-me que um menino mais velho aborreceu-lhe, nas suas palavras "gozou com ela", e que tocou-lhe só para chateá-la "um pouco abaixo do umbigo". A situação estava dentro da normalidade e controlo mas aquilo me deixou em alerta. Pensei: "Está na hora de falarmos sobre um assunto sério e delicado: quais as partes do corpo que não devem ser tocadas e o que fazer caso isso aconteça". 

Foi assim que descobri a regra "Aqui ninguém toca", criada pelo Conselho da Europa para ajudar pais e educadores a falar sobre abuso sexual de crianças, explicando aos mais pequenos como reagir se isso acontecer e onde procurar ajuda.

A regra consiste em não deixar tocar nas partes do corpo "normalmente cobertas pela roupa interior" assim como não o fazer aos outros. Possui 5 princípios importantes:
1. O teu corpo é só teu.
2. Há contato físico bom e contato físico mau.
3. Há segredos bons e segredos maus.
4. Existem adultos que podem ajudar e que são responsáveis (círculo de confiança). Conte-lhes.
5. Há agressores conhecidos e agressores desconhecidos.   
Todas as informações sobre como ensinar a regra "Aqui ninguém toca" podem ser consultadas, aqui. Para explicar às crianças de forma simples, utilize um livrinho com a divertida história de Kiko e a mão. O livro pode ser descarregado, aqui. 

Mais informações no site, aqui.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Perder, Ganhar, Viver (Drummond, por nós, 32 anos depois)

Foto: Pedro Bolle / USP Imagens
Em tempos de futebol e goleadas, ocorreu-me uma crónica do inesquecível poeta Carlos Drummond de Andrade, publicada em 7 de Julho de 1982, no Jornal do Brasil. Drummond era aficionado por futebol e escreveu inspirado na eliminação da seleção brasileira do Mundial de 82, depois de sofrer uma derrota por 3 a 2 para a Itália. O povo estava inconformado, um sentimento de frustração coletiva que só se viu antes com a perda do Mundial de 50 por 2 a 1 para o Uruguai. Nada, entretanto, comparável a recente eliminação da seleção brasileira do Mundial que decorre, por 7 a 1 para a Alemanha. Na verdade, Drummond, com a sua sensibilidade, chamava o povo à realidade, lembrava a todos que há vida para além do futebol... e que é preciso continuar. Lendo o texto do Drummond, não pude deixar de notar, 32 anos depois, que hoje passa-se exatamente o que Drummond viu em 82. Mas, sobretudo, vi nesta crónica,  claramente, a perceção de Drummond daquilo que suplanta o futebol. Mais do que de futebol, Drummond fala de perdas, de derrotas, de aprendizagens e de recomeços. Fala de vida, da vida que segue em frente e que realmente importa.   

Vamos, então, recordar Drummond, já que, ao que tudo parece, a história sempre se repete.
Perder, Ganhar, Viver
Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubada um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas...
Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade autuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.
Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.
Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.
E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade? 
Fonte: Blog Bola e Arte 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Mulher independente vs. Mulher para casar

Hoje acordei às 06h30. Quer dizer, acordaram-me! Já faz parte da minha rotina diária ser acordada uma, duas, três vezes durante a noite ou levantar-me bem antes do alarme soar. Em seguida, enquanto tiro uma das meninas da cama, passo-lhe protetor solar, visto-a, dou-lhe o pequeno almoço e despacho-a rápido para a escola; a outra berra pela "papa da mãããeee", faz cocó e a esta altura já eu me visto, tomo minhas vitaminas, lavo os dentes (de ambas), preparo-a para a deixar na escola... pego o saco do ginásio (se não der para ir hoje, irei amanhã!), do computador, mochila da pequena, chuchas (duas!), brinquedos... tudo mais ou menos ao mesmo tempo. Às 9h00 já estou na frutaria mais próxima do bairro, volto à casa, deixo um bilhete com orientações e às 10h00 supostamente começa o meu dia. Antes, atualizo-me, falo com colegas, ouço e desabafo, respondo e-mails, às vezes escrevo... e depois de facto começo a trabalhar. É mais ou menos assim mas se tivessem me dito que assim seria nos meus tempos de solteira, provavelmente eu riria alto e diria: - Impossível!

Fui uma mulher parecida com a Ruth Manus, de certo modo fui programada para ser independente. E, em tempos, já me orgulhei muito disto! Tenho hoje uma caixa cheia de sapatos de saltos muito altos, guardada. Já não são "funcionais" e dificultam-me a vida, quando não dão-me jeito se tenho de levar uma das crianças ao colo. É verdade que o marido às vezes solta uma de suas críticas pretensiosamente engraçadas, daquelas do género: "- Tás sempre com os calcanhares no chão..."; mas eu acho mesmo é que tenho os pés fincados no chão, sei onde o calo me dói. 

Depois, tem aquela questão do "próprio dinheiro", que rapidamente passa a ser o "dinheiro da família". Ainda assim, há de sobrar algum para as necessidades básicas de uma mulher... a bem da família. 

Também não ensinaram-me a cozinhar. Aprendi, ainda hoje aprendo. Sou adepta da "cozinha fácil e rápida" mas quando quero (preciso!) vou ao Google e saco receitas básicas, experimento e fico satisfeita. Além de impressões sobre assuntos e artigos científicos, troco com amigas receitas de culinária. E vem dando certo. 

Do que tenho mesmo pena é de não ter aprendido com a minha mãe a costurar (dava-me muito jeito nas festas das crianças!); no entanto sei pregar botões e fazer pequenos remendos, o que já não é mal. 

No mais, aprendi a trocar fraldas como ninguém, da mesma forma como aprendi sozinha a conduzir assim que comprei o meu primeiro carro (sei que a ordem não deveria ser essa mas eu era uma jovem de 24 anos independente demais!); sou capaz de lavar um carro se me apetecer e sei exatamente distinguir materiais de limpeza. Continuo a não gostar de ganhar eletrodomésticos de presente de aniversário e de ser questionada sobre o que faço com as horas do meu dia. Contudo, licenciei-me, empreguei-me, pós-graduei-me, viajei, tirei o mestrado, despedi-me e casei-me (as duas decisões mais difíceis da minha vida). Como seria expectável, recomecei. Hoje, enquanto vejo as minhas filhas crescerem, tiro o doutoramento. Diria: resquícios de "uma mulher que voa", criada para "encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão". Sobre isto, conservo os amigos (masculinos e do género) de antes, angario novos amigos e nunca nenhum deles desconsiderou a minha condição de "mulher casada". Bom que se diga que liberdade, amor e respeito combinam-se perfeitamente.

Claro que, fazendo parte de uma geração de mulheres criadas para serem independentes, também achei que não encaixava-me propriamente nos padrões desejados para casar. Sorte a minha ter encontrado um homem que pensava mais ou menos como eu - ou eu como ele! 

Do texto da Ruth Manus que li - A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer - e do que sou hoje, concluo que está enganado quem pensa que a independência é inconciliável com a vida conjugal e os filhos. A verdade é que, um dia, pode acontecer a qualquer uma de nós acordar e sentir-se demasiado só em meio a tanta independência; não falta-nos nada mas faltaria à vida um sentido maior do que reuniões e telemóveis a tocar - e isto não significa renunciar ao que somos. A verdade é que mudamos... ou amadurecemos... como preferirem. Focamo-nos em outros objetivos antes impensáveis. E o amor, junto com os filhos, vêm para nos ensinar que tudo é negociável, que tudo é relativo, que as prioridades mudam ou deixam de ter a importância que antes tinham ou, ainda, que somos capazes de mais. Portanto, não tenham medo! Mas se sentirem-se confortáveis, podem dizer que mulheres independentes também acumulam funções de "mulher de família" ou quiçá reformam-se! Só mais uma coisinha: é mentira que não somos frágeis.
"O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?" (trecho transcrito do texto da Ruth Manus, ao qual me refiro). 
Internet

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Força, Portugal!

Foto: Estúdios J.A.Santos
Os primeiros portugueses que lá chegaram desembarcaram, em 1500, na terra a que chamaram de Porto Seguro e na região que viria a ser o Estado da Bahia. Mais tarde, a cidade de Salvador - fundada como São Salvador da Bahia de Todos os Santos - foi construída para ser a capital da América Lusitana e, de facto, foi a primeira capital do Brasil Colônia. 

Coincidência ou não, quis o destino que a estreia da seleção portuguesa no Mundial do Brasil se desse hoje em Salvador. Passados mais de 500 anos, encontrará um povo festivo, de sorriso largo, descontraído, com grande influência cultural indígena, lusitana e africana, na medida exata da sua beleza. Encontrará uma terra ensolarada e húmida, acolhedora e feliz. Encontrará um misticismo contagiante, que faz a gente acreditar que a cidade é mesmo abençoada por todos os santos e orixás.

Portanto, Portugal, com o meu lado brasileiro dou-te as boas vindas à minha terra; com o meu lado português, torço hoje por ti, com os pés do lado de cá e olhos virados para lá. Força Portugal!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Mundial do Brasil, Mundial dos Brasis!


Foto: Estúdios J.A.Santos
Começa hoje o Mundial do Brasil. Quero dizer: Mundial dos Brasis. Na verdade, temos muitos Brasis, de muitas partes do mundo, dentro de um Brasil só!  Temos Brasis que sorriem e Brasis que sofrem; Brasis que festejam e Brasis vencidos; Brasis que partem e Brasis que ficam. Temos, ainda, Brasis que regressam e Brasis que acolhem. Temos Brasis de muitas cores e de cor nenhuma; um Brasil que, de tanta diversidade, tornou-se único. Temos Brasis que mandam e Brasis que acatam; Brasis de favelas e também de Copacabanas. Temos um Brasil gigante com sonho de ser equânime. E que sonho! 

Foi sobre isto que estive a pensar. Estive, até hoje, a acompanhar daqui de longe todas as manifestações populares, notícias e comentários, uns mais otimistas e entusiasmados, outros mais inflamados. Mas não cheguei a perceber muito bem de que novidade se falava. E senti, por vezes, uma pontada de tristeza! Vi a minha pátria tão cheia de contrastes, tão cheia de pessoas tão desiguais, de índoles e ídolos tão diferentes! Vi um Brasil dividido.

Achei que não devia comentar, apesar de ter a minha opinião. Mas hoje é diferente. Hoje veio ao de cima uma alegria genuína, certa de que tudo vai correr lindamente e vai ser um grande Mundial. Porque é assim que somos. No final das contas, resta-nos um povo unido, acolhedor e festivo, como numa grande família de pessoas sempre às turras mas que se querem bem. 

E é com este espírito que quero sentir daqui de Portugal o Mundial do Brasil. Vou torcer para que seja um Mundial de todas as nações, unidas à volta de uma única e gigante nação: uma nação de muitas bandas, muitas línguas, mas sobretudo, uma nação mais fraterna, mais humana e mais justa. Vamos todos juntos torcer por isto.   

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Mafalda: a menina fez 50 anos

Muitos de nós tínhamos acabado de nascer quando a Mafalda deixou de povoar o mundo e os papéis do seu criador. A personagem, criada em 1964 pelo cartunista argentino Quino (Joaquín Salvador Lavado Tejón), de 82 anos, e que há 41 deixou de desenha-la (1973), completou 50 anos a encantar crianças e adultos pelo mundo afora.  Quino divide a vida entre Buenos Aires e Madrid e quando é questionado sobre a razão que lhe levou a deixar tão cedo de conceber a Mafalda, explica: "(...) estava cansado de fazer sempre a mesma coisa." "A decisão passou até por áreas conjugais, porque minha mulher estava chateada de não saber se podíamos ir ao cinema, convidar pessoas para jantar, porque eu ficava até as dez da noite com as tiras. Além disso, era muito difícil não repetir." (Veja). Mas a criatura, uma menina contestadora e precoce para a sua idade de pouco mais de seis anos, teima em abandonar o seu criador e tem-lhe rendido inúmeros prêmios, inclusive o reconhecimento pelo seu trabalho em defesa dos direitos humanos. Quino recusa-se em acreditar que a menina ultrapasse as fronteiras da história; por outro lado, está ciente dos ideais que perpetuam a Mafalda:
"Concordo, relendo minha própria obra me dou conta que tratei de temas que 40 anos depois seguem atuais. Não consigo entender. O mundo repete sempre os mesmos erros, é incrível" (O Globo). 
Não há como, em plena consciência, sentir-se indiferente aos comentários da Mafalda. A Mafalda é uma menina intrigante, que não compreende o mundo dos adultos, odeia sopa, adora os Beatles e o desenho do Pica-Pau. Além disso, a Mafalda preocupa-se com a humanidade e a paz mundial, questiona-se sobre problemas políticos, científicos e de gênero que, passadas mais de quatro décadas, continuam atuais e a exigir a sua constante reedição. Conclusão: a Mafalda não envelhece e o mundo tudo indica que não evolui. 




quinta-feira, 5 de junho de 2014

O falso moralismo: "Faz o que eu digo mas não faças o que eu faço" (Esqueletos de recém-nascidos e crianças são encontrados em convento da Irlanda)

A Irlanda é um país de forte tradição católica e que tem uma das leis abortivas mais restritivas, contrariando a tendência do resto da Europa. Desde 2013, a interrupção da gestação só é permitida na Irlanda em caso de risco de morte para a mãe, inclusive de suicídio, o que gerou muita polémica. A lei irlandesa não autoriza o aborto em caso de violência sexual nem anomalia fetal, gerando severas críticas por parte dos tribunais comunitários. Mas todos os anos milhares de mulheres saem da Irlanda para a Inglaterra ou para o País de Gales para fazerem um aborto, o que pode levar a Irlanda a ter de explicar-se na Comissão dos Direitos Humanos da ONU. Em 2010, a Corte Europeia dos Direitos Humanos condenou a Irlanda a pagar 15 mil euros de indemnização a uma grávida com um tipo de cancro raro por proibi-la de interromper a gestação, seja por colocar a sua vida em risco ou por a continuação do tratamento poder prejudicar o feto. Em 2012, uma mulher morreu na sequência de um aborto espontâneo em razão dos médicos irlandeses terem se recusado a interromper a gestação apesar do risco de morte. É, de facto, um assunto controverso mas que não soluciona um problema real: quem tem dinheiro, recorre a uma clínica privada ou sai do país; quem não tem faz um aborto clandestino, as complicações custam mais aos cofres públicos quando não levam à morte da mulher. Parece-me que não aceitar a prática do aborto não nos legitima a decidir pelos outros. E agora, o que dirão deste achado?


As freiras do convento de Tuam durante os anos 50. Foto: Internet

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Discriminação, racismo, xenofobia e brasileiras em Portugal

Assistindo ao programa Prós e Contras sobre o "Racismo" (Episódio 14), da RTP1, de 19 de Maio de 2014, fiquei a saber que o maior problema atualmente enfrentado em especial pelas mulheres brasileiras casadas ou vivendo em união estável com companheiros portugueses é a violência doméstica. A informação foi prestada pelo Dr. Ruy Casaes, Cônsul-Geral do Brasil em Lisboa. Sem anular o problema de forma generalizada, talvez a explicação relativamente a violência sofrida pelas mulheres brasileiras deva-se ao estigma ou origem social que dificulta a sua adaptação. E o problema é agravado, tendo em conta que essas mulheres muitas vezes são reféns da própria situação, dada a existência de filhos do casal e a não autorização para deixarem o país ou, ainda, a dependência económica e do visto de residência. Mas o enfoque dado às brasileiras deve-se apenas ao facto de representarem a maior comunidade de imigrantes em Portugal.

É um tema que cada vez mais vem preocupando a comunidade internacional e que atinge homens e mulheres de todas as nacionalidades, classe social, nível económico ou educacional. A violência doméstica é só uma vertente de um problema maior: a discriminação, sob a forma de racismo ou xenofobia. Especificamente neste caso, importa recordar que o fenómeno somente pode ser debelado através da denúncia às autoridades competentes e, ademais, há a possibilidade de requerer ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) um visto autónomo para permanência no país. Há solução, portanto. 

Ultimamente tem-se falado mais sobre o racismo, notadamente no desporto, em razão de casos midiáticos que ganharam a imprensa e as redes sociais. No entanto, o racismo sempre existiu, é grave, é crime; a violência igualmente.

O link para assistir ao programa encontra-se aqui. É obrigatório para quem queira saber mais sobre o assunto ou utilizar as informações como objeto de pesquisa. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Toda a verdade sobre o espermatozóide voador

A piada da semana passada foi o caso do espermatozóide voador dado a conhecer pelo site G17. Para quem não acompanhou, trata-se da história de uma menina de 19 anos, de Uberaba (Minas Gerais, Brasil), alegadamente virgem e que terá engravidado após ser vítima da tal espécie de espermatozóide, que segundo um cientista americano consegue voar até 500 metros a procura de um óvulo para fecundar. Calhou-lhe!

A história foi tão bem contada que muita gente boa acreditou. Até arrisquei a solução de, em breve, termos de inserir nos registos civis um novo tipo de filiação: Pai - Espermatozóide Voador Não Identificado (EVNI). Imagina só o problema criado para uma geração de filhos de pais desconhecidos e a proliferação de ações de reconhecimento de paternidade lançadas aos quatro ventos!? Insano!

Bem, hoje com calma e porque o dia começou mais cedo, perdi um pouquinho de tempo pesquisando notícias sobre o assunto. Pareceu-me que a notícia é antiga (2012) e que o G17 é um site brasileiro com conotação humorística, que satiriza com os veículos de informação. Tudo não passa de uma brincadeira, provavelmente inspirada na matéria americana sobre o Argus One ou espermatozóide voador como ficou mais conhecida a aeronave espiã lançada pelo Pentágono para fiscalizar áreas de interesse do país. De acordo com os criadores, o design garante maior estabilidade de vôo e controlo aerodinâmico, bem como dá a aeronave um tempo de vôo mais longo.

Portanto, meninas e meninos, do ar ainda só apanhamos constipações e outras viroses.




terça-feira, 20 de maio de 2014

Verdade seja dita: "Maternidade, o lado B..."

Li por acaso este texto, do blog Lulu não dorme, por Giuliana Vaia, e tive um ataque de riso... um riso meio nervoso, daqueles que a gente expressa quando se confronta com uma verdade incômoda. Depois um alívio: somos todas feitas da mesma matéria! A única diferença é que algumas não contam. Adoro pessoas que contam, corajosas, que faz a gente se sentir "incluída". Mas antes, quero ressaltar uma coisa: As boas mães e os bons pais "passam-se", gritam, choram, cansam-se, discutem à frente dos filhos... são mortais, seres humanos com a sua carga e a sua matéria. No entanto, o que define-os é a sua imensa capacidade de dedicarem-se, amarem-se uns aos outros, perdoarem-se, aprenderem com os erros e acertos. E as crianças, estas, são infinitamente mais generosas do que nós. Se estão a crescer felizes, então está tudo bem, o mais provável é que acertamos. Agora leiam:       

"Me deu um ataque sincericida. E  de tanto ver mãezinhas falando oh- como- a- vida- é- boa-como- filho- é- mágico, que resolvi falar a verdade. Segurem.   
O que nunca ninguém me contou: (Por que meu deus? Por que?) Que aquelas fotos de book gravídico são tudo uma farsa. Mães sorrindo placidamente segurando a barriga e olhando o mar é photoshop emocional. Tudo atriz. A verdade é que na gravidez a gente incha, vira uma orca com elefantíase. Não acha posição na cama, se sufoca com a própria barriga, vive num mundo paralelo. Um mundo regido por hormônios. Que ora estão de bom humor, ora não. E ora não ora não ora não... 
Que passamos 9 meses numa montanha russa emocional com direito a vômitos. Muitos vômitos. Além de diarréias e gases em profusão. Sem contar as hemorróidas.  
Que quando vamos fazer ultrassom ou exames de sangue quase temos um ataque cardíaco de medo. Que acendemos velas, invocamos orixás, jogamos pipoca pra cima e sal grosso pra baixo. Fazemos promessas pra que no temido morfológico apareça o osso nasal, vinte dedos e um coração que bate. 
Que vamos todas corajosas levantar a bandeira do parto normal. Porque é o natural, é assim que deve ser. Sou forte. Sou índia. Vamo lá ficar de cóccix e botar uma vida pra fora. Só que atrás dessa bandeira estamos si-ca-gando de medo de aquela alcatra arregaçar nossas partes pudendas para todo sempre. Optamos então pela cesárea. SIM OPTAMOS, porque vivemos no Brasél e aqui pode se optar por. Mas claro que nas rodas matérnicas vou dizer que não foi opção, que minha filha tava com cabeça pra cima, que não tive contração e muito menos dilatação (na verdade, meu corpo usou esse mecanismo de defesa contra o medo) e dá-lhe cesárea.  
Mas quem disse que esse tipo de parto é simples, lindo, pimpão? Um corte de ponta a ponta na sua barriga do tipo ligue os pontos, formam um ‘smile’, aquela carinha sorridente, e que quando você olha no espelho, tem vontade de chorar e pensa: putaquepariu, me cortaram de cabo a rabo, nunca mais vão me amar. 
Mas isso não é nada perto do que esta por vir. O neném. Sim, o neném. 
Dizem os livros, revistas, amigos e parentes que você deve se sentir, (veja bem DEVE no sentido de dever, não de probabilidade), arrebatado por uma amor incondicional assim que pega seu filho nos braços. An.  E é nessa hora que você tem que dizer: meu deus que coisa linda! E foi nessa hora que eu disse: meu deus é um joelho? 
É amor?  Explosão de felicidade? Na hora do parto? Cheia de agulhas enfiadas nas veias? Com um corte de 10 cm da sua barriga, com oito camadas suas expostas à uma equipe que conta piadas de judeu enquanto cavoca o seu útero e joga uma gaze suja na sua coxa? O que chamam de amor eu chamo de me tirem daqui. Aflição. Só Madre Teresa, se não fosse Madre, sentiria essa amor imediato pulsante, incondicional, acredito eu. Ou Dalai lama. Tenho uma amiga  foi  um pouco mais além, mas cada um sabe de si, né? “Tirem esse verme daqui” foi o que ela proferiu quando viu seu bebê. Acontece, gente. Quem é mãe sabe que acontece, mesmo que vocês abafem isso e guardem num baú a 18 palmos da terra esse tipo de emoção. Isso volta hein? Hora ou outra isso volta pra você. E melhor jogar pra fora. E não precisa ser taxada de psicopata por isso, os hormônios estão ai pra isso, pra culpar-mo-lhos. Assim como a depressão pós parto. Lindo. Uma criança saudável, faminta, com cabelinhos até! mas que chora pra caralho. Uma criança que é capaz de chorar por 10 horas seguidas. Não há amor incondicional que suporte o Baby Blues sem sucumbir. 
Nesse momento você olha para a janela do hospital. Confere se é alta. É alta. Sim!!!Pensamentos suicidas ou homicidas (que inclui todos aqueles parentes distantes que vão te ver pelada no hospital), passam a todo instante na cabeça das pobres mães. É, pobres mães, porque a gente não tem culpa de ser nardoni nessas horas. É uma coisa de deus, ou do diabo sei la. Mas não é da gente. É do universo, porra. 
Daí ce leva o verminho pra casa, já sentindo alguma afeição entre um bocejo e outro, entre uma regurgitação e outra, entre um putaquepariu e outro.  Ele ri, você ri, ele chora, você chora, ele ri, você chora, você chora e ele chora, choramos. Choramos muito. Choramos por cansaço, por não saber lidar e por solidão. Sim solidão. Sentimos uma solidão intrínseca-visceral. Mesmo com alguenzinho grudado em seu peito, nos sentimos sozinhas. Adultas sozinhas, adultas crianças. Somos crianças e mais uma vez choramos. Desamparadas pela vida e por todos os nossos entes queridos mesmo que eles estejam no mesmo cômodo que nós. Não dá pra explicar. Só quem já foi mãe de um bebê de 1 mês sabe. SABE SIM do que tô falando. Não dissimulem.  
Daí ele cresce um tico, já levanta aquela cabeça balançante tipo cachorrinho- de- porta- mala- de- carro-de-pobre e você pensa WOW, tomara que comece a andar logo, minhas costas não aguentam mais esse peso. Quem ele pensa que eu sou? Um burro de carga? E lá vai você fritar bife com o pingente no colo; fazer cocô com ele te sorrindo no bebê- conforto posicionado estrategicamente a frente do vaso sanitário,   tomar banho enquanto ele cochila escorado por almofadas na sua cama “e se ele virar e cair?”  daí ce corre do banho enrolada precariamente numa toalha, pingando sangue. Ahhh sim, ninguém me disse que eu hemorragiria por quase 90 dias após o parto. E que gastaria em modess o equivalente a um Sandero 2012. Fora as vezes que você tem que almoçar com com ele penduradinho nas suas tetas. Quem nunca? 
Tetas. Tetas sim. Seios não pra quem nunca amamentou. Porque a gente se sente uma vaca. Uma vaca esperando a hora do abate, que nunca chega. 
Quantas vezes esqueci, ou não deu tempo de jantar, de tomar banho, adiar o xixi ate sua bexiga implorar por um Pyridium na veia? 
Fora a vaidade. Que vaidade? Passamos a evitar colares, pulseiras, brincos e anéis, porque machucam os bebês e eles podem arrancam e se você tiver um milésimo de segundo distraída eles enfiam na boca e engolem felizes o seu anel de ouro rosa da Vivara, aquele que você que tá pagando a quinta parcela ainda. Corremos pro hospital preocupadas com a saúde deles, em prantos, e depois que o anel sai esquecemos eles no canto e vamos lá limpar  toda a bosta da nossa jóia, amaldiçoando a nossa criança. 
Daí começam a andar, ahhhh que legal o andar! Essa fase é mágica, se você mãe, for maratonista. Por que só assim pra dar conta de correr atrás de 80 centímentros hiperativos all day long. Você cansa. Cansa demais e pensa... porque ele foi andar tão rápido meu deus?! Na verdade eles não aprendem a andar e sim a correr. Já nascem Robson Caetano. 
Começa aí a aparecer alguma independência. Ufa! Você já pode ir pra cozinha cortar meia cebola enquanto ele fica na sala enfiando o controle remoto na boca, e você pede pra tirar, e ele põe e você pede e ele põe, ad infinitum. Daí ce desiste e aproveita pra chorar botando a culpa na maldita cebola. Mas leitora, não é a cebola que te faz chorar, é o seu filho, não se enganem. 
Ter um bebê exaure, suga, chupa sua força. Ter uma criança exaure, suga chupa, engole, extingue suas forças. Dizem que na adolescência essa progressão aritmética piora. Oremos. 
Falando em orar, eu até rezava antes de dormir, quando grávida. Depois n-u-n-c-a mais lembrei. Esqueci o Pai Nosso, o Salve Rainha, a Ave Maria. Só lembro do Credo. Credo que canseira, credo que feia que eu tô, credo que gorda, credo que vida!!!! 
Vida social, esquece. Vida social de mãe de bebê é ir no supermercado e compartilhar os benefícios do Prebio1 no corredor de leite em pó. É saber que a Pampers absorve bem menos xixi que a Huggies, mas pra cocô é excelente. E o cocô hein? Milho inteiro e confundir beterraba com sangue é motivo recorrente de pânico pra mães desavisadas. Dá-lhe pediatra. Pobre médico de mãe de primeira viagem; esse ser é o que mais sofre. É cada pergunta, que hoje, quando lembro que liguei as 5 da manhã pra perguntar o que fazia com uma picada de pernilongo, me faz querer morrer. Mentira. Foda-se o médico. Ninguém mandou ser pediatra. 
Aí chega o momento de os pimpolhos frequentarem a escolinha. Você começa a vislumbrar a sua independência. Seus braços ficam livres por meio período e você pode dormir. Pode? Não, não pode.  Você tem que lavar louça, roupa, chorar, fazer comida, chorar, trabalhar, chorar, tomar banho-se der- e ir buscar ele na escola. O que você fez nessas quatros horas? Viveu? Não. Sobreviveu a mais um dia. Tipo AA – mais um dia. 
Se você for casada, chega a noite, entre um acordar e outro de seu filho, vem maridão encostar o pé gelado no seu. Se ele tiver sorte, você nem acerta o saco dele. Mas a intenção é essa.  E quando você não tem marido, você se sente uma miserável por nem ter um pé gelado pra se enroscar com o seu. 
E quando calha de além de ingressarem na escola, os filhotes desmamarem? Ohhhhh independência máster. E se adicionar o desfralde? Isso é vida!! Engano ledo (mais um). Xixi por toda a parte, xixi de noite, xixi de dia, xixi na calça, xixi na cadeirinha do carro, xixi no shopping. Fora o cocô. Vida de cão. Nessas horas seus peitos já estão no chão, junto com sua auto estima. Peitos no chão, perna mijada, feijão no dente,  cabelo bicolor. Reze pra estar na onda do ombrè hair na época que seu filho nascer. Ou melhor antes de nascer, porque na gravidez é expressamente proibido tingir o cabelo (mas isso burlamos, viu ginecos? Temos técnicas transcendentais para isso) 
Fora isso tudo aí supracitado, tem as birras em locais públicos e não públicos, tem os pesadelos, tem o terror noturno, tem o vamos brincar quando você chegar do trabalho, tem o não quero brócolis só chocolate, tem o posso dormir aqui com você, tem o... 
A lista é infinita e minha filha não tem nem 3 anos. 
Mas sou a favor da sinceridade para com as outras mães. Conto. Conto tudo mesmo, para que pensem 2, 3, 4, 8 vezes antes de abrirem as pernas sem camisinha. 
Ser mãe é padecer. O paraíso é história pra boi dormir. – eu podia ter tido um filho boi. Pelo menos dormia. (apagar)  
PS1: Claro que tem o lado A, mas esse todo mundo conta. Quando sarar minha TPM eu conto.  
PS pra mim: excluir esse post do blog assim que Lulu for alfabetizada."

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Alienação parental («A morte inventada»)

O mês passado foi marcado pelo Dia Internacional contra a Alienação Parental (25 de Abril). Pouco se falou sobre isso. E no mesmo mês (4 de Abril), na cidade brasileira de Três Passos (Rio Grande do Sul), uma tragédia chamou a atenção para o grave problema da alienação parental levado às últimas consequências: a morte do menino Bernardo Boldrini, 11 anos, perpetrada pelo pai e madrasta. Bernardo era órfão de mãe (em razão do suicídio desta) e queixava-se de carência afetiva; procurou a Justiça suplicando que o colocassem numa família de substituição. O pai impedia-lhe de contatar e ver a avó materna que, na ausência da mãe, deveria fazer as vezes desta. Mas apesar do Ministério Público instaurar uma ação contra o pai por negligência afetiva e abandono familiar, o Judiciário manteve Bernardo com o pai e madrasta. Lamentavelmente, esta tragédia poderia ter sido evitada se, constatada e declarada a alienação parental do pai relativamente à avó, fosse-lhe conferida a convivência familiar com o neto ou mesmo a guarda compartilhada.

A questão é que o assunto da alienação parental ainda é pouco valorizado pelo Judiciário, em que pese ser patente nas audiências de disputa de custódia de crianças e regulamentação de visitas no contexto de processos de divórcio carregado de mágoas; cujos litígios, maioritariamente, desembocam em ofensas ao outro e na luta pela exclusividade dos filhos. Neste aspeto, as mulheres (predominantemente por deterem a guarda) constituem a grande maioria enquanto "alienante" ou são quem normalmente obstaculizam a convivência dos filhos com os pais, sendo a consequência mais grave a completa destruição dos vínculos afetivos entre o menor e o genitor "alienado".  

Mas o que é mesmo a alienação parental? A expressão foi cunhada em 1985 pelo psiquiatra infantil norte-americano Richard A. Gardner, que relatou-a como o abuso emocional ou "campanha denegritória contra um dos genitores, uma campanha feita pela própria criança e que não tenha nenhuma justificação. Resulta da combinação das instruções de um genitor (o que faz a 'lavagem cerebral, programação, doutrinação') e contribuições da própria criança para caluniar o genitor-alvo. Quando o abuso e/ou negligência parentais verdadeiros estão presentes, a animosidade da criança pode ser justificada, e assim a explicação de Síndrome de Alienação Parental para a hostilidade da criança não é aplicável" (apud Yves A. R. Zamataro, in: Migalhas «Alienação parental no direito brasileiro», de 15-05-2013). 

No entanto, é preciso demarcar a diferença entre a alienação parental (AP) evidenciada em sede judicial e a síndrome da alienação parental (SAP), esta de contornos mais graves, associada "aos efeitos patológicos suportados pelo menor, padecente do controle totalitário do guardião, a ponto de desaprovar e rejeitar o outro genitor, anulando-o como referência". O impedimento ao livre exercício do direito de convívio externalizado pelas visitas interceptadas pode se notar através de atos ou "Obstáculos a uma regular convivência com o filho, embaraços provocados ao regular exercício do direito de visita, estorvos frequentes a dificultar o poder parental do genitor" (Jones Figueirêdo Alves, in: Migalhas «Alienação parental: ilicitude ou síndrome», de 31-01-2014). Atente-se, no entanto, que a SAP não está incluída no catálogo de doenças psíquicas internacionalmente aceites, por não ser reconhecida com status científico. Em todo o caso, para uma análise mais aprofundada sobre os possíveis sintomas desenvolvidos pelo menor, dentre os quais "ansiedade, medo, insegurança, isolamento, depressão, comportamento hostil, falta de organização, dificuldade na escola, dupla personalidade" e, no futuro, "dificuldades de relação com autoridade; problemas de identidade sexual; desenvolvimento de doenças psicossomáticas; baixa autoconfiança; dificuldade no estabelecimento de relações interpessoais afetuosas e saudáveis", veja-se Migalhas «Alienação parental merece atenção da sociedade», de 24-04-2014; também, Alienação Parental - Texto do Juiz Des. do Tribunal da Relação de Évora José Bernardo Domingos, de 24-06-2009.     

No Brasil, há lei específica a regulamentar a matéria - a Lei nº 12.318, de 26 de Agosto de 2010 -, que define no seu Art. 2º a alienação parental como "a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este". E exemplifica: "I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; II - dificultar o exercício da autoridade parental; III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós". Em Portugal, a alienação parental é tratada através dos dispositivos do Código Civil e pela jurisprudência dos Tribunais.

É muito importante informar as pessoas dos sintomas e do perigo da alienação parental não só para os menores, verdadeiros órfãos de pais vivos, como também para os pais privados da convivência e da participação na educação e no desenvolvimento dos seus filhos. A melhor atitude é sem dúvida a preventiva: se sentem ou se conhecem casos de alienação parental, devem informar, consultar e pedir ajuda a um psicoterapeuta ou alguém de confiança. Especialistas explicam que o comportamento pode acontecer de maneira inconsciente, de modo que é preciso chamar a atenção para o caso de percecionarem alguns desses sintomas ou evidências. Mas instalada a alienação parental, o melhor é buscar o aconselhamento de um advogado e, sendo o caso, levar ao conhecimento da Justiça.  Lembrem-se: seja por desamor, seja pelos motivos mais dolorosos, uma relação conjugal pode chegar ao fim. Mas por pior que seja a situação, os filhos devem ser preservados das mágoas, culpas e diferenças dos seus pais.     

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Feliz por partilhar "Direito Desportivo e Conexões com o Direito Penal"

O Abril tem passado a correr e ainda com feriados pelo meio não tem sido fácil manter o blog colorido, divertido e atual. Sei que entendem, sei também que sentem falta e sei que perdoam a minha ausência despropositada.

Mas já agora, preciso contar-vos uma novidade que me deixou muito feliz. Há algum tempo estava a espera desta publicação e finalmente saiu, com uma capa linda e um conteúdo riquíssimo, às vésperas do Mundial do Brasil que era como se previa. É uma obra coletiva que versa sobre os temas mais atuais ligados ao Direito do Desporto sob os seus aspetos penais e que conta com a colaboração de renomados autores do Brasil, Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, dentre outros. Tive a honra de ser convidada a escrever um artigo em conjunto com o Professor José Manuel Meirim, uma referência na área não somente em Portugal como também a nível internacional. Tratamos do tema "A Criminalização no âmbito do combate à violência no desporto. A última solução?".

Hoje, Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, é com muito gosto que partilho a obra "Direito Desportivo e Conexões com o Direito Penal", lançada no Brasil pela Editora Juruá e a venda para todo o mundo através do site da Editora, aqui. O livro é já uma referência, por ter conseguido reunir os mais importantes especialistas na matéria e pela qualidade dos trabalhos publicados. Penso que é de leitura obrigatória para aqueles que se interessam ou trabalham nesta área.


       

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A história por trás da história: por onde andam essas pessoas?

Peço licença ao Blogblux para partilhar esta ligação. O conteúdo é tão curioso e interessante que segue integralmente, tal como fornecido. Vale muito a pena conferir!
«"Uma imagem vale mais que mil palavras é verdade'", mas isso nunca conta toda a história... Estas fotografias e as histórias por trás de cada uma delas é simplesmente fascinante.
"A garota afegã" é um dos retratos mais famosos que o mundo já viu. Sua aldeia tinha acabado de ser bombardeada, seus pais foram mortos, e ela caminhou através das montanhas para chegar ao campo de refugiados. Ela apareceu na capa da National Geographic em junho de 1985. A NatGeo tem milhares de cartas de pessoas que queriam enviar dinheiro, alguns queriam adotá-la, e muitos queriam até se casar com ela. A foto acabou sendo nomeada pela NatGeo como a fotografia mais reconhecida em sua história.
17 anos depois, Steve McCurry decidiu procurá-la e, finalmente, encontrou-a depois de uma longa pesquisa e várias investigações. Seu nome é Sharbat Gula. Ela vive nas montanhas de Tora Bora, com o marido e três filhos.
Em 8 de junho de 1972, Nick Ut estava tirando fotos do lado de fora da vila de Trang Bang, Sul do Vietnã. Kim Phuc, de 9 anos de idade, saiu com sua família quando aviões sul-vietnamitas os confundiram com soldados. Suas roupas haviam sido queimadas. Da esquerda para a direita: os irmãos Phan Thanh Tam, Phan Thanh Phouc, Kim Phuc, e seus primos Ho Van Bon e Ho Thi Ting. 
Quando ela era adolescente, Kim Phuc foi aceita na faculdade de medicina, mas foi forçada a sair pelo regime comunista. Em 1982, o primeiro-ministro do Vietnã conseguiu fundos para ela estudar em Cuba. Em 1997, ela criou a Fundação Kim Phuc, que forneceu assistência médica e psicológica a crianças vítimas de guerra. Agora, ela é médica, esposa e mãe de dois filhos e reside no Canadá.
Ninalee Craig é a mulher nesta fotografia lendária "American Girl in Italy" feita por Ruth Orkin, em 1951. Ninalee disse: "Algumas pessoas querem usá-lo como um símbolo do assédio das mulheres, mas isso é o que nos fez vir a lutar todos esses anos. Não é um símbolo de assédio. É um símbolo de uma mulher se sentindo muito bem!" De volta em 1951, ela tinha 23 anos, tinha acabado de largar o emprego e passou mais de 6 meses viajando pela França, Espanha e Itália por conta própria, algo que poucas mulheres naquela época faziam.
Hoje, Ninalee Craig tem 86 anos e é avó de dez e bisavó de sete. Ela mora em Toronto, Canadá, com seu marido. Aqui ela está usando o mesmo xale que usava na famosa fotografia.
"O bebê Nirvana", fotografado por Kirk Weddle, é uma das mais famosas capas de álbuns da história musical.
O bebê Nirvana tem agora 22 anos de idade. Seu nome é Spencer Elden, e ele é um estudante de arte no Art Center College of Design. Seus pais foram pagos por US$ 200 pela fotografia original. Spencer diz que ainda é apresentado a pessoas como o "bebê Nirvana".
"Espere por mim, papai" é uma das fotografias mais famosas da Segunda Guerra Mundial. Foi tirada em 1940 em Westminster, Canadá, quando Claude Dettloff marchava para a guerra. Warren Bernard, de 5 anos de idade, fugiu de sua mãe para dar um último adeus a seu pai. Esta fotografia foi destaque na revista Life.
Hoje Warren tem 79 anos e vive com sua esposa Ruby em Tofino. Ele tem três filhos e três netos.
Cinco amigos foram fotografados por Ringo Starr durante a primeira primeira viagem dos Beatles para os EUA em 1964. Os adolescentes tinham fugido da escola para perseguir os garotos de Liverpool enquanto eles estavam na cidade. Bob Toth disse que foi suspenso da escola por 3 dias. No entanto, 40 anos depois, seu diretor admitiu que tinha sido uma "boa ideia". Da esquerda: Bob Toth, Gary Van Deursen, Suzanne Rayot, Arlene Norbe e Charlie Schwartz.
A foto foi recriada em 2013 depois de Ringo Starr pedir detalhes dos cinco adolescentes no Chevrolet Impala que registrou com sua câmera pessoal. A viagem para reuni-los foi organizada pela NBC.»